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Em debate, Russomanno cola imagem a Bolsonaro e promete auxílio emergencial

Cristiane Agostine
·7 minutos de leitura

Líder nas pesquisas, candidato foi alvo preferencial de ataques dos demais postulantes à Prefeitura de São Paulo Alvo de ataques no primeiro debate na TV na disputa pela Prefeitura de São Paulo na noite desta quinta-feira, o deputado Celso Russomanno (Republicanos) colou sua imagem à do presidente Jair Bolsonaro e anunciou uma versão do auxílio emergencial na capital paulista, o auxílio emergencial paulistano, para 2,6 milhões de pessoas, cerca de 21% do total da população da cidade. Durante o debate na TV Bandeirantes, Russomanno afirmou que Bolsonaro pediu a ele para cuidar dos mais carentes e disse que financiará o programa com ajuda do governo federal e com a renegociação da dívida da prefeitura paulistana com a União. Russomanno foi pressionado pelo prefeito e candidato à reeleição, Bruno Covas (PSDB), pela deputada federal Joice Hasselmann (PSL) e pelo deputado estadual Arthur do Val (Patriota) já no segundo bloco do debate. Os três candidatos de centro-direita escolheram o candidato do Republicanos para fazer perguntas durante o bloco em que podiam escolher a quem questionar. Guilherme Boulos (Psol) também tentou perguntar para Russomanno, mas o candidato já tinha atingido o limite de três perguntas. Joice citou denúncias contra Russomanno envolvendo até mesmo merenda escolar e questionou o candidato por ter votado contra a Lei da Ficha Limpa. Russomanno evitou entrar em embate direto com Joice e destacou a bandeira que o levou à vida pública, a defesa do consumidor. “Tenho 30 anos de defesa do consumidor. Saio para a rua para dar a cara a tapa. Você não sai para a rua, seu título de eleitor foi transferido há pouco”, disse o candidato do Republicanos, que lidera as pesquisas de intenção de voto, com 29%, segundo o Datafolha. “Você está muito mal nas pesquisas e tenta me atacar inventando coisa. É muito triste”, completou, sobre o 1% que Joice registrou na mesma pesquisa. A deputada citou que Russomanno apoiou os governos Lula e Dilma Rousseff e pediu voto para a petista, enquanto ela é crítica ao PT. Novamente o candidato do Republicanos evitou o confronto. “Eu estava defendendo o consumidor, coisa que você nunca fez”, disse. “Enquanto eu fazia isso, você estava no ar condicionado de seu gabinete”, afirmou o deputado. Mais confronto Russomanno foi escolhido por Arthur do Val, conhecido como “Mamãe Falei”, e questionado por ter apoiado desde o ex-prefeito Paulo Maluf (PP), Dilma e agora, o presidente Bolsonaro. Russomanno mais uma vez evitou bater boca e destacou sua atuação como “defensor do consumidor” em causas como problemas na internet. Mamãe Falei ironizou a falta de propostas do candidato e Russomanno retrucou. “Pena que você não sabe os problemas da população. Talvez não ande nas periferias, não sabe a dor das pessoas. Passei 30 anos defendendo pessoas, defendo gente que precisa comer, de saúde, essas coisas você precisa aprender na sua vida”. Bruno Covas escolheu Russomanno na sequência e o questionou sobre ações na saúde e educação para combater os efeitos da pandemia. O deputado disse que enquanto a covid-19 é combatida, outras doenças foram esquecidas e prometeu dar foco ao tratamento dessas doenças. Covas agradeceu o empenho da população nas medidas de isolamento social e prometeu entregar 500 mil tablets para crianças - medida que foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Município – e ampliar oito hospitais em 2021. Quando pode escolher a quem perguntar, Russomanno escolheu o ex-vereador Andrea Matarazzo (PSD), que também tenta buscar o apoio de Bolsonaro na disputa eleitoral. O candidato do Republicanos usou o espaço da pergunta para falar da proposta do auxílio paulistano e, ao retomar a palavra, disse ter criado a proposta durante um encontro com o presidente Bolsonaro no hospital na semana passada, quando Bolsonaro foi submetido a uma cirurgia para retirar um cálculo renal. “Ele [Bolsonaro] me pegou no braço e disse: Celso, cuide de São Paulo, precisamos cuidar das pessoas que estão passando dificuldades”, disse. O deputado afirmou ainda que é o “único que tem amizade” com o presidente e que, com isso, poderá trazer auxílios do governo federal para a cidade. Ex-governador e candidato do PSB, Márcio França foi poupado pelos adversários. No segundo bloco, Guilherme Boulos o questionou sobre a aproximação com Bolsonaro e o ex-governador desconversou. França brincou com o líder do MTST, que tentou responder fora do tempo. ‘Vai invadir? Vai invadir?”, ironizou. Críticas a Covas O prefeito e candidato à reeleição também foi alvo dos adversários. Matarazzo criticou o fato de o ex-prefeito e governador João Doria (PSDB) ter deixado a prefeitura para Covas, vice na chapa eleita em 2016, e questionou o prefeito por investir em uma obra de R$ 100 milhões de revitalização do Vale do Anhangabaú, com a instalação de fontes luminosas. “Por que não fez 72 km de faixas e corredores de ônibus que estavam na proposta de governo?”, disse Matarazzo. Covas afirmou que o Anhangabaú será a “nova Paulista” de São Paulo e disse que a cidade precisa de mais espaços públicos para ocupar. O tucano culpou a gestão anterior, de Fernando Haddad (PT), por problemas nos corredores de ônibus e disse que teve de refazer as obras. “Sua inexperiência cobrou um preço alto”, disse Matarazzo. ”Agora vamos ter que levantar São Paulo.” Covas retrucou: “Como uma pessoa tão inteligente virou tão amargo com essas derrotas que acumulou ao longo dos últimos anos?”. Covas foi confrontado também por Jilmar Tatto (PT) e, neste momento, reeditou a disputa entre PT e PSDB. O petista questionou programas sociais da atual gestão, com cortes no Leve Leite e a tentativa de distribuir a “farinata”, que ficou conhecida como “ração humana”. O prefeito respondeu dizendo que o “PT gosta de fila de creche” e deixou a prefeitura “com um grande rombo das contas públicas, de R$ 7 bilhões”. “Tivemos que organizar a casa”, disse, em críticas à gestão de Fernando Haddad, que apoia Tatto. No quarto bloco, quando os candidatos puderam perguntar novamente aos adversários, Russomanno foi poupado pela deputada Marina Helou (Rede), mas pressionado por Boulos. O candidato do Psol citou uma denúncia de “rachadinha” contra Russomanno e afirmou que o deputado e apresentador e TV “humilha caixa de supermercado” em seus programas e “fala fino com os poderosos”. O postulante do Republicanos disse ter sido inocentado pelo Supremo Tribunal Federal e disse que Boulos, líder do MTST, incentiva a invasão de casas de pessoas que batalharam para ter sua moradia. Em uma espécie de pacto de não agressão, Orlando Silva (PCdoB), Boulos e Jilmar Tatto se pouparam de críticas e ataques diretos. Filipe Sabará (Novo) e Marina Helou também não foram confrontados pelos adversários. Tatto voltou a escolher Covas e questionou o subsídio de R$ 3 bilhões no setor de transporte. O petista prometeu ampliar o tempo de integração do Bilhete Único e reduzir a tarifa de ônibus de R$ 4,40 para R$ 2 no fim de semana. O tucano criticou a gestão de Fernando Haddad, disse que o PT “já teve sua chance” e fez o pior governo. Assim como Tatto, Matarazzo escolheu novamente Covas no quarto bloco para questionar a gestão do tucano. Dos 14 candidatos à prefeitura paulistana, 11 participaram do debate na TV Bandeirantes, que durou cerca de 2h. Ficaram fora do evento os candidatos Levy Fidelix (PRTB), Antônio Carlos (PCO) e Vera Lúcia (PSTU). Segundo a Lei das Eleições, o partido que tiver representação no Congresso Nacional com no mínimo cinco parlamentares tem o direito de participar do debate – critério não preenchido pelos três postulantes que não participaram. Pesquisa Na disputa pela Prefeitura de São Paulo, Russomanno lidera as intenções de voto, com 29%, segundo pesquisa Datafolha. Em segundo lugar está Covas, com 20%. Na sequência estão Boulos (9%) e França (8%). Com 2% das intenções de voto estão Tatto, Matarazzo, Arthur do Val e Vera Lúcia. Joice, Levy Fidelix, Marina Helou, Orlando Silva e Filipe Sabará têm 1% cada. Antônio Carlos (PCO) não pontuou. O Datafolha ouviu presencialmente 1.092 eleitores nos dias 21 e 22 de setembro. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. Russomanno e Covas lideram disputa pela Prefeitura de São Paulo, mostra pesquisa XP/Ipespe