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Em crítica a ajuste de Doria, Bolsonaro diz que SP dá péssimo exemplo ao aumentar impostos

RICARDO DELLA COLETTA
·2 minuto de leitura
BRASÍLIA, DF, 27.10.2020: HASTEAMENTO-BANDEIRA - O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de ministros, participa da cerimônia de hasteamento da bandeira do Brasil no Palácio da Alvorada, em Brasília, nesta terça (27). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 27.10.2020: HASTEAMENTO-BANDEIRA - O presidente Jair Bolsonaro, acompanhado de ministros, participa da cerimônia de hasteamento da bandeira do Brasil no Palácio da Alvorada, em Brasília, nesta terça (27). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou nesta terça-feira (27) que o estado de São Paulo "dá um péssimo exemplo" ao aumentar impostos, em mais uma crítica direcionada a seu rival político, o governador João Doria (PSDB).

"Tem estado que aumentou imposto. São Paulo aumentou barbaramente [imposto sobre] produto da cesta básica. Está cobrando imposto até do cara com deficiência que compra o carro. Uma barbaridade. Nós sim fizemos o que tinha que fazer, não aumentamos impostos, muito pelo contrário", declarou Bolsonaro, em conversa com um grupo de apoiadores antes de cerimônia de hasteamento da bandeira nacional, no Palácio da Alvorada.

"Agora um estado ou outro, que é o mais importante da economia do Brasil, dá esse péssimo exemplo aumentando imposto".

Bolsonaro fez referência ao projeto de reforma administrativa e ajuste fiscal encampado por Doria, que extingue órgãos públicos e retira isenções do ICMS. A proposta visa cobrir o rombo no estado de R$ 10,4 bilhões causado pela pandemia do coronavírus.

Apesar da fala de Bolsonaro, o governo paulista afirma que não haverá mudanças em impostos de produtos que compõem a cesta básica.

Na conversa com apoiadores, Bolsonaro voltou a defender medidas adotadas pelo governo federal no enfrentamento da Covid-19 e disse que "empresas foram destruídas com aquela história do fica em casa".

"Lembra que eu falava, tem que tratar do vírus e da economia. Daí o pessoal dando pancada em mim, né? Nhé, nhé, nhé, nhé", afirmou o mandatário.

"Se não é o trabalho da equipe econômica, do auxílio, socorro a pequenas e micro empresas, rolagem dívidas e estados".

O Brasil soma 5,4 milhões de casos confirmados do coronavírus, com mais de 157 mil mortos.

Em determinado momento, Bolsonaro chamou o ministro Paulo Guedes, da Economia, e pediu que ele falasse com os simpatizantes sobre a situação econômica do país. "[A economia] está voltando em V como a gente achava que ia voltar. Mês passado 250 mil novos empregos [criados] e 300 mil novas empresas", disse Guedes.

Apesar da fala de Bolsonaro, seu governo tem discutido internamente como financiar obras e um novo programa social, mas enfrenta dificuldades e meio à crise econômica e limitações impostas pelo teto de gastos.

Guedes tem dito que está em avaliação um sistema de substituição de impostos, pelo qual um novo tributo só seria criado caso outro fosse extinto, mantendo a carga tributária atual.

Oponentes políticos, Bolsonaro e Doria protagonizaram nos últimos dias uma disputa sobre as pesquisas para o desenvolvimento de uma vacina contra o coronavírus.

O presidente chegou a desautorizar um acordo do Ministério da Saúde com o estado de São Paulo para a compra de 46 milhões de doses da Coronavac -desenvolvida por uma farmacêutica chinesa em parceria com o instituto Butantan. Em resposta, Doria classificou de criminosa a atitude de Bolsonaro caso ele negue o acesso a qualquer vacina aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) contra a Covid-19.