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Em caso de 2ª onda da pandemia, BC e governo vão agir atentos a limites fiscais, diz Campos Neto

Gabriel Ponte
·3 minuto de leitura
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Por Gabriel Ponte

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta terça-feira que, se houver uma segunda onda da pandemia do coronavírus no país, o BC e o governo irão "atuar como têm que atuar", entendendo que a economia enfrenta novas restrições pelo lado fiscal.

Do lado do BC, ele destacou que haveria espaço para estender medidas de estímulo ao crédito, citando os níveis ainda elevados dos compulsórios.

"A gente faz uma análise do que funcionou e não funcionou e isso é mais ou menos fácil de estender se for preciso, mesmo porque o sistema tem uma liquidez grande, sistema ainda tem um colchão de compulsório grande, ou seja, a gente tem espaço ainda", afirmou durante evento virtual do banco Credit Suisse.

Campos Neto alertou, no entanto, que, diante do desequilíbrio das contas públicas, caso o país opte por adotar medidas de estímulo à economia com gastos sem contrapartidas que amorteçam o impacto fiscal, pode acabar gerando um efeito contracionista, pelo efeito sobre os prêmios de risco.

"Os movimentos dos mercados recentes nos transmitem a mensagem de que nós passamos desse ponto de inflexão, que fazer novos gastos fiscais sem uma clara contrapartida não vai ter efeito expansionista mesmo que eu queira", disse Campos Neto.

"Eu posso fazer até um gasto fiscal e ter um efeito contracionista na economia", acrescentou.

O presidente do BC destacou que, apesar de a trajetória recente da dívida bruta ter surpreendido positivamente, com a expectativa de que possa fechar o ano abaixo de 90% do PIB -- inferior às estimativas anteriores de que pudesse chegar a 100% do PIB- o movimento refletiu principalmente um efeito estatístico, já que o PIB caiu menos do que o esperado.

"Achava importante dizer porque eu tenho visto algumas pessoas escrevendo, dado que foi melhor, então a gente tem mais espaço (para gastar)", disse Campos Neto. "Na verdade grande parte do efeito foi estatístico. A gente tem uma melhora de fato no primário, que é no que não foi gasto, mas é muito menor do que o efeito estatístico."

Ele reforçou que, independentemente da melhora recente, a relação dívida/PIB segue bastante desfavorável, entre as piores das economias emergentes.

CÂMBIO

Ao ser questionado sobre a volatilidade do câmbio, Campos Neto disse que o prêmio de risco das reformas é um dos fatores por trás do fenômeno e que, nesse sentido, as eleições para as presidências da Câmara e do Senado também têm afetado os preços da moeda.

"Agora a gente tem aqui um momento de eleição no Congresso, que o mercado entende que, dependendo do resultado, você pode ter uma melhora na agenda de reformas ou não. Não me cabe falar sobre isso, mas está nos preços de mercados. A gente sabe que influencia a volatilidade (do câmbio)", disse Campos Neto.

Questionado pelo ex-presidente do BC Ilan Goldfajn sobre o comportamento do câmbio, Campos Neto pontuou que vários fatores explicam a volatilidade --como o diferencial de juros e mudanças na dinâmica de negociações do mercado de câmbio--, mas que a correlação maior seria com os prêmios de risco.

"Isso preocupa o Banco Central? Claro, nós gostaríamos de ter pouca volatilidade, mas lembrando que intervir no preço é uma coisa, intervir na volatilidade é muito diferente", disse Campos Neto.