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Em campanha, Guedes acusa PT de querer taxar o Pix

***ARQUIVO*** BRASILIA, DF,  BRASIL,  21-06-2022, 15h00. Cerimônia de Abertura da Semana Brasil-OCDE com no Itamaraty com a presença do Ministro Paulo Guedes e do Vice Hamilton Mourão FOTO Gabriela Biló /Folhapress)
***ARQUIVO*** BRASILIA, DF, BRASIL, 21-06-2022, 15h00. Cerimônia de Abertura da Semana Brasil-OCDE com no Itamaraty com a presença do Ministro Paulo Guedes e do Vice Hamilton Mourão FOTO Gabriela Biló /Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que o sistema de pagamentos Pix poderia ser usado para cobrar encargos de trabalhadores informais, e acusou o PT de planejar fazer isso caso vença as eleições.

"Os economistas do Lula dizem 'o pessoal precisa contribuir para a Previdência. Nós vamos cobrar deles uma contribuição para a Previdência'. Por que não vai perguntar para os economistas do Lula: é verdade que vocês vão tomar dinheiro da pessoa que ganha menos que o salário mínimo?", disse o ministro, durante evento na ACSP (Associação Comercial de São Paulo).

"Com o Pix é fácil. Alguém vai pagar, alguém vai receber. E aí você pode tributar no Pix os encargos trabalhistas", disse. "A cobrança poderia atingir 40 milhões de brasileiros. Eles fugiram para a informalidade, agora você vai perseguí-los através do Pix?", questionou.

O PT não fez propostas sobre taxar o Pix e já negou outras acusações de que planejaria mudanças no sistema que pudessem gerar custos extras. O partido defende que haja maior proteção social aos trabalhadores informais e microempreendedores, mas não falou sobre cobrar novas contribuições deles. Pessoas que trabalham como MEI (microempreendedores individuais) já contribuem com a Previdência.

O ministro falou durante cerca de uma hora e depois respondeu a perguntas. Guedes começou o evento criticando a imprensa por divulgar notícias que ele considera falsas e que prejudicam a campanha de reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em tom de campanha, disse também que uma vitória "do outro candidato" trará um desastre na economia brasileira no próximo ano e defendeu feitos de sua gestão, como a queda do desemprego neste ano. Para

Guedes, uma vitória de Bolsonaro garantirá um novo período de crescimento.

O ministro voltou a dizer que o salário mínimo terá reajustes acima da inflação nos próximos anos. Guedes vem sendo criticado porque o Ministério da Economia esteve discutindo uma mudança que permitiria reajustar o salário mínimo sem considerar o índice de inflação do ano anterior. O caso, revelado pelo jornal Folha de S.Paulo, tem gerado problemas para a campanha de Bolsonaro à reeleição.

O ministro repetiu que o Brasil "está no caminho da prosperidade", que é respeitado no exterior e que está em situação melhor do que o resto do mundo. Disse ainda ter boas expectativas de que o Brasil conseguirá ver seu indicado, Ilan Goldjfajn, vencer a eleição para presidente do BID.

Mais cedo, na manhã desta quinta, Guedes havia dito que uma eventual vitória de Bolsonaro nas eleições deste ano garantiria que o pleito de 2026 seja pacificado, já que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provavelmente não concorreria e o atual presidente não poderia disputar um terceiro mandato.

"Se Bolsonaro ganhar esta eleição, o Lula se aposenta. O Bolsonaro não será reeleito, porque terá feito dois mandatos, então a próxima eleição já será uma eleição de centro, pacificada. Vai ser o Tarcísio, o Ratinho Junior, o Zema, e acabou a polarização no Brasil", afirmou.

Em outros eventos nesta semana, o ministro fez ataques a Henrique Meirelles, ex-ministro da Fazenda que declarou apoio a Lula, e criticou as emendas de relator.

"Nós furamos o teto porque é um teto muito mal construído", afirmou. "É tão mal construído que o economista, não é nem economista, o ministro que estão falando que vai ser do Lula, o Meirelles, nem economista é", acrescentou, durante evento na Fiemg (Federação das Indústrias de Minas Gerais), na quarta (26).

Também na quarta, ele criticou as emendas de relator por invadirem o espaço das políticas públicas no Orçamento, mas minimizou os riscos de corrupção envolvendo esses recursos, sob a justificativa de que eventuais desvios são menores do que em governos do PT.