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Em abril, empresa do 'faraó dos bitcoins' voltou atrás após denunciar à polícia ter sofrido golpe de R$ 6 milhões

·3 minuto de leitura

Em 9 de abril, quatro meses antes de ganhar o noticiário em meio a um escândalo de pirâmide financeira, a GAS Consultoria, empresa do ex-garçom Glaidson Acácio dos Santos, procurou a Polícia Civil do Rio para relatar que ela própria havia sido vítima de um golpe. De acordo com o relato fornecido à Delegacia de Defraudações (DDEF), foram detectadas, na ocasião, 40 transferências indevidas a partir de contas-corrente do grupo, que totalizavam R$ 5,96 milhões.

No registro de ocorrência, consta que, após contato com o Banco do Brasil, a gerência da instituição financeira encaminhou aos representantes da GAS uma procuração feita em nome de Glaidson. As transações teriam sido realizadas, portanto, mediante a apresentação do referido papel. À polícia, contudo, a empresa assegurou que o documento era falso.

O caso, porém, acabaria passando por uma reviravolta. Dias depois, um agente da DDEF contatou um advogado do grupo para se inteirar acerca do episódio. O funcionário respondeu, então, que tudo não havia passado de um grande mal-entendido, e que a situação fora solucionada junto ao próprio banco. Com a repentina mudança de versão, e sem uma denúncia concreta a se apurar, as investigações da especializada não foram adiante.

Não muito depois, em 25 de agosto, Glaidson, conhecido como "faraó dos bitcoins", tornou-se alvo da Operação Kryptos, desencadeada pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF). Acusado de simular transações com criptomoedas para mascarar um esquem de pirâmide financeira, no qual prometia lucros exorbitantes aos investidores, o ex-garçom e ex-pastor da Igreja Universal acabou preso, e permanece atrás das grades desde então. Segundo os investigadores, a GAS Consultoria não tinha sequer registro junto aos órgãos regulatórios para fazer as operações prometidas.

Glaidson também é investigado por crimes como lavagem de dinheiro e associação criminosa. A principal suspeita das autoridades é a de que o ex-garçom sequer investia o dinheiro dos clientes em criptomoedas, conforme o pactuado em contrato. Para a PF e o MPF, ele pagava os valores prometidos com a entrada de aportes de novas vítimas do esquema, configurando-se assim uma pirâmide financeira.

Na Operação Kryptos, os agentes apreenderam 21 carros de luxo, R$ 13,8 milhões em espécie e 591 bitcoins, o equivalente a cerca de R$ 150 milhões na cotação atual. Na última segunda-feira, a Câmara Criminal do Ministério Público Federal, vinculada à Procuradoria-Geral da República (PGR), autorizou a liquidação imediata dos criptoativos apreendidos na ocasião. O valor em moeda nacional arrecadado com a venda será depositado em conta judicial vinculada ao juízo onde tramita o processo, que também deverá estar de acordo com a iniciativa.

Glaidson Acácio: O ex-garçom e ex-pastor que virou o milionário 'faraó dos bitcoins'

Em um primeiro momento, os criptoativos vinculados a Glaidson haviam sido transferidos temporariamente para uma conta aberta pelo MPF em uma corretora brasileira de bitcoins e criptomoedas. Entretanto, de acordo com os investigadores, esse procedimento trazia o risco de que os valores fossem movimentados pela organização criminosa, "já que as transações são feitas sem intermediários, por meio de chaves privadas que podem ser recuperadas à distância", explicou, por nota, o MPF.

Além disso, para os procuradores que acompanham a investigação, "considerando a volatilidade do valor do bitcoin e a própria segurança do montante apreendido", o ideal seria converter os criptoativos em moeda nacional, fazendo o depósito do valor em conta judicial. "Por ser de tratar de uma situação nova e ainda pouco usual, eles decidiram consultar a Câmara de Coordenação e Revisão da área criminal do MPF sobre os procedimentos práticos a serem adotados no caso concreto", acrescenta o texto enviado pelo MPF.

Enquanto isso, clientes que se sentiram lesados pela GAS e moveram processos vêm conseguindo bloqueios judiciais em contas da empresa. Em pelo menos seis de mais de uma dezenas de ações localizadas pelo GLOBO, já há decisões determinando a medida, em um montante que já chega a R$ 1 milhão. Na última sexta-feira, pela primeira vez, um juiz também determinou "o bloqueio de criptoativos junto à principal corretora" do gênero no país, tal qual havia sido solicitado pelos advogados de cinco moradores da Barra da Tijuca.

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