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Em ação controversa, nova gestão do Ibirapuera modifica jardins à beira do lago

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***ARQUIVO***MAIRINQUE, SP, 13.07.2020 - Parque do Ibirapuera, em São Paulo. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
***ARQUIVO***MAIRINQUE, SP, 13.07.2020 - Parque do Ibirapuera, em São Paulo. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em uma ação controversa do ponto de vista da preservação do patrimônio, a Urbia, que há um ano iniciou a gestão privada do Ibirapuera, está modificando os jardins à beira do lago do parque.

Um pouco abaixo da marquise, que continua fechada, e da ciclovia pintada de azul, na qual circulam bicicletas alugadas pelo aplicativo Scoo, placas no gramado avisam que ali serão feitos novos jardins.

Em alguns canteiros já demarcados, é possível ver que plantas vão surgindo e limitam o acesso de visitantes à margem, bem como o uso do gramado para se sentar, ao menos nesses pontos.

Segundo Samuel Lloyd, diretor comercial da Urbia, o novo tratamento paisagístico tem o objetivo de recuperar o solo erodido à beira do lago. Ele diz ainda que esse tipo de alteração não demanda autorização dos órgãos do patrimônio. É uma compreensão discutível.

O Ibirapuera, que foi criado para comemorar o Quarto Centenário da cidade, em 1954, tem edificações projetadas por Oscar Niemeyer e paisagismo de Otávio Augusto Teixeira Mendes.

A importância de sua preservação foi reconhecida nas três esferas de proteção ao patrimônio --municipal, pelo Conpresp, estadual, pelo Condephaat, e federal, pelo Iphan. Os órgãos mantêm um escritório compartilhado para dirimir questões referentes a bens nessa condição.

A resolução do Conpresp que determinou a proteção do Ibirapuera, em 1997, inclui áreas ajardinadas no perímetro do tombamento e afirma que "cortes ou podas de espécies arbóreas, modificações em áreas ajardinadas, públicas ou particulares, e, alterações no atual traçado urbano dependerão de autorização prévia" do órgão.

No entanto não consta em nenhuma das atas do conselho do último ano qualquer debate para tratar de mudanças nos jardins à beira do lago, ou da instalação de calçamento em áreas gramadas, como também vem acontecendo.

A "recomposição frequente do gramado das margens das lagoas" é recomendada pela resolução de tombamento pelo Condephaat, publicada em 1992. O texto não menciona a substituição da grama por outras espécies.

O Iphan reconheceu o tombamento definitivo das edificações de Niemeyer no parque em publicação deste ano, em um conjunto de obras do arquiteto.

Na interpretação de Lloyd, trata-se mudanças pontuais, e o que a Urbia não teria permissão para fazer é "plantar um maciço de floresta na praça da Paz". "O que a gente não pode é mudar o projeto paisagístico do Teixeira Mendes."

Durante este primeiro ano de gestão, a Urbia, que administrará o parque por 35 anos, teceu parcerias de patrocínio para o Ibirapuera. A maior delas foi um contrato de exclusividade de venda com a Ambev. Com a ação, a companhia de bebidas deverá aportar benfeitorias ao parque.

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