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Em 4ª alta seguida, dólar volta a R$ 5,50 e acumula alta de 6% em 2021

JÚLIA MOURA
·5 minuto de leitura
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Painéis de indicadores econômicos na sede da Bovespa, em São Paulo. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO: Painéis de indicadores econômicos na sede da Bovespa, em São Paulo. (Foto: Alessandro Shinoda/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em seu quarto pregão consecutivo de alta o dólar fechou a R$ 5,5030, valorização de 1,60% nesta segunda-feira (11), maior patamar desde 5 de novembro. O turismo está a R$ 5,673.

Na máxima do pregão, foi a R$ 5,5160, mas perdeu força com a intervenção do Banco Central, que vendeu US$ 500 milhões em swap cambial.

Nos seis pregões de 2021 até aqui, a moeda dos EUA acumula valorização de 6%. O dólar ficou R$ 0,31 mais caro desde o fechamento de 2020, a R$ 5,1890.

A valorização reflete a retomada da força internacional da moeda americana com a alta na curva de juros futuros dos Estados Unidos. No Brasil, a alta nos juros futuros também contribui para a desvalorização do real.

Juros futuros são taxas de juros esperadas pelo mercado nos próximos meses e anos. São a principal referência para o custo de empréstimos que são liberados atualmente, mas cuja quitação ocorrerá no futuro.

Com a vitória democrata nas eleições americanas, o juro do título do Tesouro americano com vencimento em dez anos ficou acima de 1% pela primeira vez desde março, quando teve início a pandemia de Covid-19. Nesta segunda, está a 1,13%.

A alta nos juros americanos reflete a expectativa do mercado de aumento na inflação com os pacotes de ajuda econômica no país, o que levaria o Fed (banco central local) a subir a taxa de juros, hoje entre zero e 0,25% ao ano.

Em caso de alta no juro americano, investimentos no Brasil poderiam voltar para os EUA, retirando dólares do Brasil e elevando sua cotação.

Após a aprovação de um pacote de US$ 900 bilhões em dezembro, o mercado espera que o governo de Joe Biden aprove um novo plano no segundo trimestre, entre US$ 600 bilhões e US$ 1 trilhão.

Além disso, a enxurrada de dinheiro na economia americana melhora as expectativas de retomada, o que fortalece a sua moeda, o dólar. Ante a uma cesta de divisas internacionais, o pregão desta segunda também foi o quarto pregão seguido de valorização da moeda americana.

Dentre emergentes, o real foi a quarta moeda que mais se desvalorizou na sessão, com o crescente sentimento de risco fiscal.

O deputado federal e presidente do MDB, Baleia Rossi (SP), em campanha pelo comando da Câmara dos Deputados, defende a prorrogação do auxílio emergencial em meio à pandemia do novo coronavírus.

"Baleia Rossi é apontado como favorito e tem o apoio de partidos que são oposição ao governo Bolsonaro, o que dificultaria a aprovação de reformas necessárias", diz Eliseu Hernandez, analista da BlueTrade.

Analistas temem o aumento de gastos do governo e o descumprimento do teto caso Rossi vença a disputa.

"Não há espaço no Orçamento para extensão do auxílio sem comprometer o teto de gastos", afirma Hernandez.

Quanto maior o risco fiscal, mais caros os juros futuros, em reflexo do custo para financiar a dívida pública.

Nesta sessão, o juro para julho de 2022 foi de 3,995% para 4,14% e o de abril de 2025 foi de 6,388% para 6,636%.

A Bolsa foi na contramão. Após recordes na semana passada, o Ibovespa cedeu 1,46%, a 123.255 pontos.

"O Ibovespa foi puxado para baixo com uma correção global. Desde a abertura, empresas muito beneficiadas pelo bom humor da semana passada registraram perdas, caso de Vale, Petrobras e bancos, por exemplo, todas com bastante peso no índice", afirma Paula Zogbi, especialista da Rico Investimentos.

A maior queda na sessão foi da Copel (Companhia Paranaense de Energia), que cedeu 5,47% após o Bradesco BBI reduzir a recomendação para o papel por entender que os riscos de governança da estatal crescem após o governo paranaense, que a controla, ter pedido a distribuição de dividendos extraordinários no maior valor possível em 2021 e plano de vender ações na companhia, mas mantendo o controle.

Na outra ponta, Hapvida subiu 8,5%, estendendo os ganhos de sexta, quando escalou quase 18% após ter anunciado planos de comprar a rival Notre Dame Intermédica, que avançou 11%.

No exterior, o viés foi negativo com o pedido de impeachment do presidente Donald Trump nos EUA, que deve ser votado na quarta (13), com o objetivo de impedir que ele dispute eleições novamente.

Segundo Zogbi, também contribuiu para as quedas dos principais índices notícias de que o Fed deve diminuir o ritmo de compra de títulos a partir do final deste ano, um fator determinante para a recuperação e forte alta dos mercados financeiros.

"A expectativa de diminuição desses estímulos ajuda a diminuir a força compradora vista até semana passada", diz ela.

Além disso, o aumento de casos de Covid-19 e uma vacinação lenta também preocupam.

"Por mais que o cenário continue positivo, as campanhas de vacinação mundo afora ainda não ganharam muita tração, criando riscos à velocidade com a qual as economias conseguirão se recuperar das sequelas deixadas pela pandemia", afirma a equipe da Guide Investimentos em relatório.

O índice Dow Jones recuou 0,29%, o S&P 500 perdeu 0,66%, e o Nasdaq teve queda de 1,25%.

As ações do Twitter desabaram 6,4% depois que a empresa suspendeu permanente da conta do presidente Trump.

O petróleo também caiu. O barril de Brent (referência internacional) cedeu 0,7%, a US$ 55,61.

"As novas preocupações sobre a demanda devido ao número muito alto de novas infecções por coronavírus e outras restrições de mobilidade, além do dólar mais forte, estão gerando pressão de venda [no petróleo]", disse o analista do Commerzbank, Eugen Weinberg.

Nesta semana se inicia a temporada de balanços do quarto trimestre de 2020 com JPMorgan, Citi e Wells Fargo na sexta (15).