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Elon Musk promete “avanços sensacionais” para a medicina cerebral ainda em 2020

Rafael Arbulu

Com tantas notícias sobre a Tesla, SpaceX e até mesmo a Boring Company, é de se estranhar que Elon Musk, um empreendedor que, sejamos francos, adore os holofotes, seja tão discreto com sua outra empresa, a Neuralink. Por ser uma companhia voltada a assuntos médicos, porém, a cautela é facilmente compreendida.

Isso não impediu o icônico empresário de compartilhar novidades neste final de semana que, segundo especialistas, prometem balançar o ramo da tecnologia aplicada na medicina moderna: segundo Musk, a Neuralink vem desenvolvendo um chip cerebral que pode auxiliar pacientes a restaurarem funções motoras previamente paralisadas, permitindo que eles controlem, por exemplo, computadores com o cérebro.

Pense em como um AVC pode deixar a vítima com sequelas nos movimentos. É isso que Musk se propõe a curar.

A Neuralink é uma das empresas comandadas por Elon Musk (foto) mas, ao contrário de outras, ele prefere manter essa companhia longe dos holofotes, tomando um rumo mais secreto por lidar diretamente com a medicina neurológica

“O profundo impacto das interfaces de grande largura de banda e alta precisão neural é subestimado”, disse Elon Musk em um tuíte no último domingo (2). “A Neuralink pode fazer algo do tipo em um humano ainda este ano. Ela só precisa ser melhor que a Utah Array, a qual já está [instalada] em algumas pessoas e apresenta severos problemas”.

“Utah Array” é uma espécie de “concorrente” da Neuralink, que consiste de uma rede de eletrodos, pelos quais os sinais neurais são obtidos ou entregues, servindo essencialmente como interfaces neurais que conectam neurônios a circuitos eletrônicos. Musk é crítico dessa tecnologia e alguns usuários que lhe responderam no Twitter apontam que este atual método é visto por alguns como “tortura”.

“O método de inserção da Neuralink já é FENOMENALMENTE melhor. Neuralink: cirurgia precisa que reduz a cicatrização ao evitar veias. Utah Array: uma maldita ARMA DE AR COMPRIMIDO. Quem teve essa ideia? Estou empolgado para ver em quais outros avanços vocês vêm trabalhando”, respondeu um usuário, e Musk não decepcionou: “Espere para ver a próxima versão versus o que foi apresentado ano passado. É *espetacular*”, disse o executivo.

Musk promete que, ainda em 2020, a Neuralink deve apresentar avanços na tecnologia cerebral que auxilia vítimas que perderam capacidades motoras a recuperarem os movimentos (Imagem: Reprodução/Inverse)

Musk em seguida exaltou a possibilidade de que a Neuralink eleve o potencial de estudo nesta área da medicina: "No final das contas, isso será usado para compensar seções inteiramente perdidas do cérebro devido a derrames/acidentes/condições congênitas. Eu não quero me empolgar demais, mas o potencial é verdadeiramente transformador para restaurar funções e motoras. Não há nenhuma outra forma de se fazer isso, na minha opinião”.

Foi em julho de 2019 que Musk apresentou o N1, um pequeno chip de 4 mm por 4 mm de tamanho e contendo 1024 eletrodos. Usando quatro destes, conectados a um indutor elétrico próximo à orelha, o qual se conecta a um pequeno dispositivo Bluetooth instalado por fora da pele, o paciente poderá interagir com computadores usando apenas o seu cérebro, segundo a apresentação.

Embora Musk não tenha oferecido detalhes, seus tuítes dão a entender que, para 2020, a Neuralink já desenvolveu ou está desenvolvendo um protótipo ainda mais avançado do que se viu em 2019. Outra atribuição oferecida por Musk ao N1, por exemplo, é a de “impedir que inteligências artificiais se rebelem e assumam o controle”. E sim, ele falou sério: Musk sempre foi um crítico do avanço descontrolado da IA e defende que “amarras” sejam posicionadas nelas, justamente pelo seu potencial de aprendizado ser mais rápido que o de seres humanos.

De qualquer forma, a Neuralink deve apresentar novidades no campo médico ainda este ano, embora Musk não tenha se comprometido com datas ou previsões específicas de prazo.

Fonte: Canaltech

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