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Elon Musk pode perder Twitter após criticar executiva da rede social

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Para quem achava que a novela da compra do Twitter tinha acabado, achou errado. Elon Musk mal adquiriu a rede social e corre o risco de perder o negócio por ter supostamente violado uma parte importante de seu acordo com a empresa. E tudo começou ironicamente com alguns tuítes.

Na terça-feira (26), Musk respondeu a uma notícia do site Politico. O texto dizia que a principal executiva de política da plataforma, Vijaya Gadde, havia chorado durante uma reunião com funcionários ao discutir a compra de Musk.

O tuíte com a notícia, postado pelo jornalista Saagar Enjeti, chamou Gadde de "principal defensora da censura no Twitter" por suas decçarações liberais no podcast de Joe Rogan e por tentar impedir a disseminação da história dos vazamentos no laptop de Hunter Biden, filho do hoje presidente dos EUA, Joe Biden. Este foi um assunto político usado por Donald Trump em 2020 para atacar seu rival democrata.

Em resposta ao tuíte, Musk disse que "suspender a conta do Twitter de uma grande organização de notícias para publicar uma história verdadeira foi obviamente incrivelmente inapropriado." Na quarta-feira (27), Musk alfinetou Gadde novamente, ao tuitar um meme baseado em sua aparição no episódio do podcast de Joe Rogan onde aponta o "viés esquerdista" do Twitter.

De acordo com um documento encaminhado por Musk e o Twitter à SEC (a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), o bilionário está "autorizado a emitir tuítes sobre a fusão ou as transações contempladas por este lado, desde que tais tuítes não depreciem a empresa ou qualquer um de seus representantes". Ou seja, Musk pode tuitar sobre o acordo o quanto quiser, desdde que não fale mal do Twitter ou de seus funcionários. Os ataques a Gadde podem significar uma quebra desse acordo.

O cofundador do Twitter e ex-CEO Evan Williams escreveu que Gadde é "uma das pessoas mais pensativas e com princípios que conheço". Já o ex-CEO da rede social Dick Costolo falou a Musk: "Você está transformando uma executiva na empresa que acabou de comprar em um alvo de assédio e ameaças", disse ele. "Bullying não é liderança", escreveu em outro tuíte. "Só estou dizendo que o Twitter precisa ser politicamente neutro", respondeu Musk.

Evan Williams, cofundador do Twitter, defendeu Vijaya Gadde dos ataques de Elon Musk (Imagem: Reprodução/Joi/Wikimedia Commons)
Evan Williams, cofundador do Twitter, defendeu Vijaya Gadde dos ataques de Elon Musk (Imagem: Reprodução/Joi/Wikimedia Commons)

Procurado pelo Engadget, o Twitter não respondeu à reportagem. O Canaltech procurou a assessoria de imprensa da rede social no Brasil, que também declinou de comentar.

A história acima mostra que Musk, se permanecer no negócio com o Twitter, deve trazer mais tensão às políticas de moderação da rede social, como se alardeou. Ele se diz um "absolutista da liberdade de expressão", mas suas declarações sugerem que ele poderá ser mais permissivo com os posicionamentos de porta-vozes da direita política, algo que conflita com a direção da empresa antes da aquisição desta semana.

Elon Musk pode desistir da compra do Twitter?

É possível ainda que, em vez de ter a aquisição frustrada pelo governo, Musk apenas desista dela. Como lembra a Reuters, há quatro anos ele prometeu criar uma empresa de doces de amendoim para enfrentar a confeitaria americana See's Candies, de Warren Buffett. Depois, mudou de ideia.

Outros entraves para a aquisição do Twitter seria a perda de valor de mercado com a Tesla, cujas ações pertencentes a Musk foram usados como garantia de dívida para fechar o acordo; a atuação da montadora na China, que lida com rigidez com a liberdade de expressão tão sonhada por Musk; e as agências reguladoras pelo mundo, que devem policiar conteúdo ilegal ou prejudicial no Twitter. O comissário da União Europeia, Thierry Breton, disse ao Financial Times esta semana que a empresa pode ser banida da região se não seguir a lei.

Fonte: Canaltech

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