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Elon Musk compra o Twitter por US$ 44 bilhões

·6 min de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Twitter aceitou, nesta segunda-feira (25) a oferta de US$ 44 bilhões (R$ 214 bilhões) feita pelo bilionário Elon Musk para comprar a rede social. A decisão ocorre após o conselho de administração da empresa aprovar a oferta feita aos acionistas.

A aquisição —uma das maiores da história corporativa— pode tornar Musk um barão das redes sociais, com poder de controlar o que ele mesmo definiu como a "praça pública de fato do mundo".

A transação, que foi aprovada por unanimidade pelo conselho, deve ser concluída em 2022 e está sujeita à aprovação dos acionistas do Twitter, de órgãos regulatórios, entre outras condições habituais a esse tipo de negociação.

Durante o extenso vaivém que marcou as negociações, o dono da Tesla demonstrou pouco interesse econômico na compra. Para ele, a aquisição era uma forma de reverter as políticas de moderação do Twitter —das quais é um crítico contumaz.

O bilionário, que se descreve como um absolutista da liberdade de expressão, argumentou que tornar a rede social uma empresa privada seria uma forma de garantir a livre circulação de ideias.

"Ter uma plataforma pública que seja extremamente confiável e amplamente inclusiva é extremamente importante para o futuro da civilização", disse em entrevista no TED, no último dia 15.

De acordo com os termos do acordo, os acionistas do Twitter receberão US$ 54,20 (R$ 264,5) em dinheiro por cada ação ordinária do Twitter que possuírem no fechamento da transação.

O preço de compra representa um prêmio de 38% em relação ao preço de fechamento das ações em 1º de abril de 2022, que foi o último dia de negociação antes de Musk divulgar sua participação de aproximadamente 9% .

Os detalhes específicos sobre a compra ainda não foram anunciados, mas, conforme divulgado na semana passada, Musk conseguiu montar um pacote de financiamento.

Segundo documento apresentado à SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA), o bilionário alinhou US$ 25,5 bilhões por meio de empréstimos com um grupo de bancos liderado pelo Morgan Stanley. O restante ele disse que forneceria pessoalmente, mas sem detalhar a origem.

Em comunicado, Bret Taylor, presidente do Twitter, disse que o conselho conduziu um processo cuidadoso e abrangente para avaliar a proposta de Musk. "A transação proposta proporcionará um prêmio substancial em dinheiro e acreditamos que é o melhor caminho a seguir para os acionistas do Twitter", disse.

QUAL O INTERESSE DE ELON MUSK NO TWITTER?

Em declarações públicas, o dono da Tesla insistiu que não lucraria com a aquisição da plataforma. Conforme disse repetidas vezes, o objetivo é garantir que a rede acompanhe sua percepção sobre liberdade de expressão.

Musk defende que, em caso de dúvida, o ideal é favorecer a liberdade em vez da moderação. "Se houver uma área cinzenta, em minha opinião é melhor deixar que o tuíte exista", disse em evento do TED.

Na ocasião, o bilionário também disse que o Twitter deveria evitar apagar mensagens, o que abriria as portas para discursos de ódio, opiniões extremistas, entre outros conteúdos hoje restritos.

Além disso, Musk é a favor de suspensões temporárias em vez de exclusões definitivas, o que poderia abrir o caminho para o retorno de personalidades banidas da rede, como o ex-presidente americano Donald Trump.

QUANDO ELON MUSK DECIDIU COMPRAR O TWITTER?

A história por trás da aquisição começou no dia 14 de março, quando o bilionário comprou ações da empresa, mas não divulgou a transação.

Nove dias depois, Musk fez uma enquete em seu perfil questionando se a rede seguia rigorosamente os princípios da liberdade de expressão. Mais de 70% dos entrevistados disseram que não. Na época, ele disse que a pesquisa teria consequências importantes.

Foi só no dia 4 de abril que Elon Musk revelou ter comprado uma participação de 9,2%, se tornando o maior acionista da rede social.

TWITTER TENTA CRIAR BARREIRAS PARA ATUAÇÃO DE MUSK

No dia seguinte ao anúncio da compra, o Twitter disse que pretendia nomear o empresário para o conselho de administração. A nomeação, contudo, não era exatamente um convite.

A oferta bloquearia a investida de Musk, já que com uma cadeira no conselho ele não pode deter mais de 14,9% das ações do Twitter.

O empresário chegou a publicar que estava ansioso para trabalhar com Parag Agrawal, CEO da empresa, e fazer o que chamou de melhorias significativas.

No entanto, no último dia 11, Musk recusou o convite para integrar o conselho e, na mesma semana, anunciou sua proposta para comprar o Twitter.

Segundo ele, a rede social precisava se tornar uma empresa de capital fechado para ter mudanças efetivas e virar "a plataforma da liberdade de expressão em todo o mundo".

TWITTER USA PÍLULA VENENOSA

Após Musk recusar participar do conselho e tornar pública sua oferta de compra, o Twitter colocou em prática uma manobra corporativa conhecida como "poison pill" (pílula venenosa).

A estratégia consiste em inundar o mercado com novas ações ou deixar que acionistas as comprem com desconto. A tática serve para desencorajar e evitar que o controle acionário seja transferido para um grande investidor ou corporação de forma hostil.

Para Musk continuar sua empreitada, seria preciso convencer os investidores do Twitter a venderem suas ações diretamente para ele.

A manobra foi a última tentativa para conter o bilionário. O que não deu certo. Após apresentar seu plano de financiamento para financiar a oferta, Musk conseguiu pressionar o conselho da empresa para negociar com ele.

QUAIS OS PERIGOS DE MUSK CONTROLAR O TWITTER?

A compra do Twitter é vista como uma forma de Elon Musk direcionar o futuro de uma plataforma que ele usa, constantemente, para conduzir campanhas de revanche pessoal e promover sua agenda.

Além de criticar as próprias diretrizes do Twitter, o dono da Tesla tem um histórico de declarações polêmicas.

Recentemente, ele fez declarações sobre a saúde financeira da Tesla. O comentário sobre o fechamento do capital da montadora o tornou alvo de fiscalização de autoridades do mercado de capitais norte-americano.

Nesta semana, ele também debochou da aparência de Bill Gates, após recusar um encontro sobre filantropia. "Caso você precise perder uma ereção rapidamente", escreveu.

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RAIO-X DO TWITTER

Valor de mercado (às 12h desta segunda) - US$ 38,73 bilhões

Receita em 2021 - US$ 5 bilhões

Resultado em 2021 - Prejuízo líquido de US$ 221 milhões

Número de funcionários - 7.500

Número de usuários - 217 milhões

ACOMPANHE A HISTÓRIA DO TWITTER

21 de março de 2006 > Fundação - Jack Dorsey, cofundador e CEO, publica o primeiro tuíte

Mar.2007 > Rede social tem salto de popularidade durante o festival SXSW (South by Southwest), atingindo 60 mil tuítes por dia

Out.2008 > Evan Williams se torna o CEO

Fev.2010 > Rede atinge 50 milhões de tuítes por dia

Out.2010 > Dick Costolo se torna CEO

Dez.2010 > Twitter levanta US$ 200 milhões e atinge valorização de US$ 3,7 bilhões

Mar.2011 > Rede atinge 140 milhões de tuítes por dia

Jun.2011 > Lançamento da versão em português

Out.2013 > Anúncio do IPO na NYSE (New York Stock Exchange)

Nov.2013 > Twitter atinge valor de mercado de US$ 31 bilhões

Out.2015 > Jack Dorsey retorna ao cargo de CEO

Jan.2021 > Twitter exclui conta de Donald Trump por risco de incitação à violência

Nov.2021 > Dorsey deixa o Twitter e Parag Agrawal assume a presidência

Mar.2022 > Elon Musk compra participação de 9,2% no Twitter

Abr.2022 > Musk faz oferta de US$ 43 bilhões

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