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Elevado endividamento das empresas é nova ameaça à economia global

Assis Moreira
Foto: Getty Images

A propagação do coronavírus e a turbulência nos mercados elevam o temor de outra potencial bomba à frente: a da dívida corporativa. Empresas não financeiras de países industrializados e emergentes precisam refinanciar US$ 1,3 trilhão neste ano. Em três anos, a fatura a pagar é de US$ 4,4 trilhões.

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Para isso, as empresas precisam gerar lucros. Ocorre que os negócios tendem a continuar diminuindo e as condições financeiras se tornam mais difíceis. O economista Paul Krugman, prêmio Nobel da economia, nota que os mercados estão prevendo implicitamente não apenas uma recessão, mas vários anos de fraqueza econômica global.

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O montante total de dívida corporativa não financeira alcançou US$ 13,5 trilhões em 2019, duas vezes mais que em dezembro de 2008, segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Desse total, US$ 10,5 trilhões foram papéis emitidos por empresas de países desenvolvidos e os outros US$ 3 trilhões (22%) por firmas de mercados emergentes.

Somente no ano passado, no rastro dos juros extremamente baixos, as emissões de títulos de dívida corporativa alcançaram US$ 2,1 trilhões. A China captou US$ 496 bilhões, comparado a US$ 601 bilhões em 2016. Os outros emergentes se endividaram em mais US$ 159,8 bilhões no ano passado.

A OCDE considera que, nessa montanha de dívida, a qualidade do rating diminuiu, cresceram as exigências sobre pagamento do empréstimo e a proteção do investidor seria menor.

Revisão nos lucros

O aumento significativo do estoque de títulos corporativos implica aumento da obrigação de refinanciar ou pagar. Para 2020, a fatura é estimada em US$ 1,317 trilhão. No ano que vem, US$ 1,533 trilhão e em 2022 mais US$ 1,517 trilhão.

É nesse cenário que grandes companhias preveem baixa nos lucros. Segundo a Agência da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), mais de dois terços das 100 principais multinacionais já revisaram para baixo suas expectativas de lucro para 2020 por causa da epidemia do coronavírus. Os setores mais atingidos são o automotivo (que de 44% nos lucros, em média), companhias aéreas (-42%) e energia e materiais básicos (-13%).

Pode ocorrer contração de 16% nos lucros de multinacionais baseadas em economias emergentes, e de 6% naquelas em economias desenvolvidas. Na China, a estimativa é de um declínio de 26% nos ganhos na média. Em Cingapura, queda de 30%. Na Coreia do Sul, Malásia, Tailândia e Vietnã as companhias calculam queda entre 10% e 20% nos lucros neste ano. Na América Latina, baixa de 6% em média.

Além disso, cresce o risco de rebaixamento dos títulos corporativos. Mais da metade de todos os novos títulos com grau de investimento tem o rating BBB. Significa que, se houver uma degradação na classificação de risco, muitas firmas vão perder o grau de investimento e bom número de investidores não poderá manter os papeis em seus portfolios.

Esse temor aumenta com a possibilidade de recessão no horizonte. No pior cenário, títulos no valor de US$ 261 bilhões seriam rebaixados para não-grau de investimento. Se forem somados os títulos também de companhias financeiras, o montante aumenta para US$ 500 bilhões.

A taxa de "default", que foi de 5% durante a crise financeira global de 2009 e depois baixou para menos de 2%, pode voltar a subir rapidamente, segundo estudo da OCDE.

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