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Eletrobras será capitalizada em 2020, diz Salim Mattar

Rachel Gamarski e Julia Leite

(Bloomberg) -- A capitalização da Eletrobras sairá em 2020, segundo o secretário de Desestatização, Desinvestimento e Mercados do Ministério da Economia, Salim Mattar.

Apesar de reconhecer que o governo precisa dar mais explicações ao Senado para viabilizar a aprovação do projeto, o secretário está confiante de que o imbróglio com a estatal de eletricidade, que se arrasta desde a gestão de Michel Temer, será resolvido.

“Eletrobras vai sair este ano, é irresponsabilidade dizer que a Eletrobras não será capitalizada esse ano”, disse em referência ao anúncio de que o governo irá retirar as receitas previstas com a capitalização da estatal do orçamento de 2020. Essa decisão tem que ser tomada só em março, segundo Mattar.

O secretário disse ter confiança que o Senado será “sensato” e “responsável” com o projeto da Eletrobras, necessário para o futuro da empresa.

“Não temos dinheiro para colocar na Eletrobras,” disse.

Concluído o primeiro ano a frente da secretaria, Mattar afirma que seu maior desafio é lidar com o emaranhado legal para acelerar a venda das estatais. Com o objetivo de desestatizar e desinvestir R$ 150 bilhões em 2020, Mattar afirma que, usando experiências do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a média de privatização de uma empresa é de 30 meses.

Venda de ações

A orientação do secretário Mattar, com o aval do presidente Jair Bolsonaro e do Ministro da Economia Paulo Guedes, é de vender os mais de R$ 100 bilhões em ações na carteira do BNDESPar. Mattar avalia que é possível, se o mercado continuar bem, utilizar 2020 vender “parte ou quase a totalidade da carteira do BNDESPar”.

As vendas que serão feitas pelo BNDES deverão voltar ao tesouro e ajudar o abatimento de dívida, enquanto as vendas das subsidiárias servirão para engordar o caixa das estatais.

Das mais de 600 estatais mapeadas pelo governo, apenas Petrobras, Banco do Brasil, Caixa estão fora do plano de Mattar, além de empresas menores ligadas a interesses nacionais, segundo o secretário.

No caso das subsidiárias das estatais, o objetivo do secretário é se desfazer do controle das empresas. Entre as próximas do pipeline estão a Caixa Seguridades e a Caixa Cartões. “Todos os ativos da Caixa que forem transformados em empresas deverão ser vendidos os controles dessas empresas”, disse.

Apesar da dificuldade de vender os Correios, os estudos para viabilizar a venda da estatal já está sendo contratado. “Pela nossa cabeça, os Correios precisam ser vendidos”.

Para entrar em contato com os repórteres: Rachel Gamarski em São Paulo, rgamarski@bloomberg.net;Julia Leite em São Paulo, jleite3@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net, Julia Leite

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