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Eleições nos EUA: Trump volta a contestar votos após virada parcial de Biden em dois estados-chave

João Conrado Kneipp
·3 minuto de leitura
El presidente Donald Trump habla desde la Casa Blanca la madrugada del miércoles 4 de noviembre de 2020. (AP Foto/Evan Vucci)
A declaração do presidente acontece após pesquisas indicarem uma virada favorável a Biden em dois estados-chaves. (AP Foto/Evan Vucci)

Presidente dos Estados Unidos e candidato republicano à reeleição, Donald Trump voltou a contestar a contagem dos votos e a legitimidade das eleições dos EUA, no início da tarde desta quarta-feira (4), após as pesquisas acenarem uma virada parcial a favor do democrata Joe Biden em dois estados-chaves.

“Ontem à noite eu estava liderando, muitas vezes de forma sólida, em muitos estados-chave, em quase todas as instâncias democratas governadas e controladas. Então, um por um, eles começaram a desaparecer magicamente enquanto as cédulas surpresa começaram a ser contadas. MUITO ESTRANHO, e os “pesquisadores” entenderam completamente e historicamente errado!”, escreveu Trump, no Twitter, às 12h04, horário de Brasília.

Em seguida, o presidente reforçou a dúvida a respeito da lisura dos votos enviados pelos correios. “Por que toda vez que eles contam as cédulas eleitorais são tão devastadores em sua porcentagem e poder de destruição?”, completou Trump.

A declaração do presidente acontece após pesquisas indicarem uma virada favorável a Biden em dois estados-chaves - os chamados swing states, que não têm partidarização muito clara para qualquer um dos candidatos.

No fim da noite de terça, Michigan e Wisconsin, com 16 e 10 delegados, respectivamente, sinalizavam uma maioria republicana. No entanto, a contagem dos votos enviados antecipadamente pelo correio, que começou na manhã desta quarta, fez com que o cenário ficasse parcialmente favorável a Biden.

Acompanhe aqui a apuração em tempo real das eleições dos EUA

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Até às 12h20 (horário de Brasília), Biden somava 238 no Colégio Eleitoral dos Estados Unidos contra 213 de Trump, segundo a agência de notícias AFP. São necessários 270 delegados para ganhar a eleição.

Este foi o segundo posicionamento de Trump questionando a contabilização dos votos enviados antecipadamente pelos correios. Mais cedo, durante a madrugada de quarta, Trump usou sua conta no Twitter para, sem prova alguma, dizer que alguém estava tentando roubar a eleição e acusando os votos feitos por correio de terem sido depositados após o fechamento das urnas.

"Estamos BEM na frente, mas estão tentando ROUBAR a eleição. Nunca vamos deixá-los fazer isso. Os votos não podem ser depositados depois que as urnas estiverem fechadas", postou o candidato à reeleição.

Do lado democrata, houve reação à fala de Trump sobre acionar a Suprema Corte. Jen O’Malley Dillon, chefe da campanha de Biden, classificou a fala de Trump como “ultrajante" e garantiu que a apuração dos votos não vai parar.

ENTENDA OS VOTOS ANTECIPADOS E ENVIADOS PELOS CORREIOS

Diferentemente de eleições anteriores — quando, apesar de não haver resultados totais, o nome do novo presidente já podia ser projetado com precisão na mesma noite da votação —, desta vez o volume recorde de cédulas enviadas pelo correio deve provocar demora maior na contagem dos votos, impossibilitando uma projeção exata.

Em meio à pandemia de coronavírus e ao temor de comparecer a locais de votação lotados, calcula-se que cerca de 100 milhões de americanos tenham votado antecipadamente, um número sem precedentes na história do país.

As diferentes regras em cada Estado para processar e contar esses votos fazem com que ainda seja muito cedo para indicar a vitória do republicano Donald Trump ou do democrata Joe Biden.

Especialistas ressaltam que é normal que votos pelo correio demorem mais para ser contados, já que exigem um processo diferente e mais trabalhoso, e salientam que isso não indica que há algo de errado com a votação.