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Por que as eleições argentinas impactam na economia do Brasil

Presidente da Argentina, Mauricio Macri e seu "liberalismo" podem ter dificuldade de uma reeleição (Foto: REUTERS/Agustin Marcarian)

As eleições presidenciais na Argentina, marcadas para outubro deste ano, já mexem com a economia brasileira. O dólar subiu e a Bovespa registrou quedas por conta da possibilidade de a esquerda voltar ao poder, como demonstraram as eleições primárias realizadas em agosto de 2019.

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Com 47% dos votos, Alberto Fernández e sua candidata a vice, Cristina Kirchner, ex-presidente da Argentina, obtiveram uma expressiva vitória sobre o atual presidente Mauricio Macri, que conseguiu 32% dos votos.

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Mercosul e a parceria com o Brasil

A Argentina é um grande parceiro comercial do Brasil, sendo o principal comprador de produtos manufaturados brasileiros na América do sul. A possibilidade de mudança no governo pode resultar em uma relação bilateral não muito amigável entre os dois países, podendo afetar interesses do Brasil, cujo governo atual está alinhado com as políticas de Macri.

Fernández tem ideias opostas às de Macri e de Bolsonaro para políticas de expansão econômica, como o comércio com a União Europeia e políticas comuns de tarifas, e já disse publicamente que, se eleito, vai revisar alguns acordos firmados recentemente com o governo brasileiro.

Crise sem fim

A vitória da oposição fez com que diversos investidores reconsiderassem seus investimentos na Argentina, o que provocou a queda de 37% na bolsa logo após os resultados das urnas.

Com a mudança de líderes e a incerteza sobre o futuro do país, houve também uma forte desvalorização do peso - chegando o dólar a valer mais de 55 pesos no dia, afastando os investidores do mercado argentino.

Apesar de Macri ter adotado recentemente medidas populistas como o adiantamento do pagamento de bônus aos trabalhadores, analistas dizem que dificilmente a situação seja revertida nas eleições presidenciais de outubro.

Liberalismo em dúvida

Ainda que a atual crise da Argentina tenha começado no governo da ex-presidente Cristina Kirchner, Macri não conseguiu reverter os rumos da economia do país durante os seus quatro anos no poder, trazendo incertezas sobre a sua forma de governo.

Com novo governo peronista de centro-esquerda em ascensão, fica a dúvida se as antigas políticas intervencionistas - adotadas no governo de Cristina Kirchner - podem voltar, como o controle de acesso ao dólar.