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Adultos x incendiários: eleições do fim de semana apontam caminhos para Brasil e EUA

Matheus Pichonelli
·4 minuto de leitura
New Zealand's Prime Minister Jacinda Ardern smiles during a campaign outing at Mangere Town Centre and market in Auckland, New Zealand, October 10, 2020.  REUTERS/Fiona Goodall     TPX IMAGES OF THE DAY
A primeira-ministra reeleita na Nova Zelândia, Jacinda Ardern. Foto: Fiona Goodall/Reuters

Diz a sabedoria popular que quem gosta de aventura é adolescente. Adulto gosta de sentar na janela em silêncio e tomar sua cerveja, ou café, em paz.

Grandes paixões são tentadoras até certa altura da vida. Arriscamos nossa crença e nossa segurança por pessoas inquietas, ligadas no 220v, valentes, capazes de viajar e virar o mundo do avesso para transformá-lo num paraíso da intensidade contra todo vestígio de estabilidade e caretice. O que queremos, afinal? Viver dez anos a mil ou mil anos a dez?

Só que a vida útil do motor é curta. Com a idade, tendemos a criar resistência a quem não fica em paz por cinco minutos nem espera você terminar seu café, ou sua cerveja, para emplacar outro plano mirabolante ou declarar guerra contra um novo modo de vida. Sabe o sujeito brilhante que sobe à mesa e se rebela até quando o açúcar demora? Pois é. Uma hora cansa.

Na análise corrente de autores meio intelectuais, meio rebeldes, uma queixa comum de quem se coloca no jogo político para desafiar a hegemonia de Trumps, Bolsonaros e congêneres é que falta eletricidade aos opositores. Joe Biden, por exemplo, jamais seria visto em cima da caçamba incendiando os eleitores e prometendo arrancar até o último pelo do adversário sacana que se aboletou da Casa Branca.

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É como se candidatos de perfil moderado, como ele, estivessem condenados a experimentar a passagem bíblica de que, numa disputa majoritária, os mornos serão vomitados.

Mas talvez, só talvez, as democracias, apesar das crises, caminhem para atingir de tempos em tempos uma maturidade em que as supostas paixões mais amolam do que excitam.

A brasileira completava a sua volta de Saturno aos 28 anos, em 2016, quando abriu as comportas para as novidades em forma de aventureiros, chegando a 2018 num grande leilão. Já não queria cônjuges que a levassem para jantar, mas que botassem na cozinha.

Veio um candidato de moto, jet ski e jeitão disruptivo, rebelde que fugiu do Exército e pixou os muros do Congresso enquanto esteve lá. Levou a parada.

Dois anos depois, a crise no relacionamento é escancarada. Onde está o adulto na sala quando precisamos tomar grandes decisões? Está onde sempre esteve, de moto, jet ski e no churrascão com os amigos. Grande líder.

Nos últimos dias, dois resultados eleitorais podem apontar que a civilização, de modo geral, começa a se cansar de quem promete incendiar rotinas sem graça e encher de borboletas os estômagos vazios em emoções. Talvez os eleitores comecem a sentir falta de gente adulta, pessoas responsáveis, que pensem antes de falar, que falem baixo, tomem decisões ponderadas e, antes de declarar guerra contra todo mundo, busquem consensos num campo sabidamente tomado de conflitos e contradições.

Na Nova Zelândia, a postura firme, a comunicação assertiva, séria, e o apoio na comunidade científica pautaram as medidas das autoridades contra o coronavírus. Resultado: apenas 25 pessoas morreram naquele país ao longo da pandemia. Como consequência, Jacinda Ardern, sem precisar berrar, ameaçar ou distribuir pancadas, se tornou uma referência polícia global e se reelegeu com uma vitória acachapante na última semana.

No mesmo fim de semana, após anos de luta fratricida cuja complexidade não cabe em um parágrafo, a Bolívia elegeu Luis Arce, ex-ministro de perfil moderado do MAS, seu novo presidente. Diante do resultado, ele fez um aceno à imprensa livre, falou em maturidade e prometeu corrigir os erros em sua futura administração.

No Brasil, o cenário das pesquisas de intenção de voto mostra até o momento que candidatos de perfil moderado e comunicação sóbria, que optaram por não levar à campanha a pirotecnia e gracinhas das redes sociais, despontam como opções competitivas em algumas das principais cidades do país. É assim, ao menos, que se apresentam Bruno Covas (PSDB) e Eduardo Paes (DEM) em São Paulo e no Rio, respectivamente.

O mesmo parece despontar nas pesquisas nos EUA a duas semanas das eleições. A vitória de Biden seria a vitória contra o mau aluno desbocado que colou na prova e botou fogo no parquinho com o professor amarrado em 2016.

Qualquer impressão, claro, carece de evidências. Mas é possível que, como na vida, o eleitor tenha percebido que é simplesmente insustentável botar no centro da arena política uma vela que queima nas duas pontas em tempo integral. A maturidade política pede mais razão do que coração.