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Eleições na Groenlândia, dominadas pela exploração mineral no Ártico

Christian SØLBECK em Nuuk e Camille BAS-WOHLERT em Copenhague
·4 minuto de leitura

A Groenlândia celebra na terça-feira eleições legislativas, um pleito com ares de referendo sobre um polêmico projeto de mineração e a diversificação econômica da maior ilha do mundo, especialmente castigada pelas mudanças climáticas.

A situação geográfica da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, representa um verdadeiro desafio para as grandes potências, como ficou evidente em 2019, quando o então presidente americano Donald Trump se ofereceu a comprá-la.

É que, embora a Groenlândia não esteja à venda, seu governo tenta atrair investidores estrangeiros, elemento-chave frente a uma possível independência.

Em fevereiro, a questão da exploração de jazidas de terras raras e de urânio em Kuannersuit, no sul da ilha, por parte de uma empresa australiana com capital chinês, provocou uma crise política que deu lugar à convocação de eleições antecipadas, nas quais sete partidos disputam os 31 assentos do Parlamento local, o Intsisartut.

Por um lado, a favor da exploração da jazida está o maior partido, o Siumut, formação social-democrata que governou de forma quase ininterrupta desde que a ilha conquistou sua independência, em 1979, mas que está em desvantagem nas pesquisas de opinião.

Por outro lado, o partido Inuit (IA), de esquerda e ambientalista e ao qual as pesquisas apontam como vencedor, se opõe a esta exploração, sobretudo por razões ambientais.

- "Não à mina" -

"É preciso dizer não à mina e nos permitir desenvolver nosso país à nossa maneira. Na Groenlândia temos ar puro, uma natureza bem preservada, vivemos em harmonia com a natureza e não vamos contaminá-la", afirmou à AFP da IA Mariane Paviasen, que mora em Narsaq (1.500 habitantes), onde a mina seria explorada durante 37 anos se as autoridades aprovarem o projeto.

A Groenlândia tem competência sobre seus recursos mineiros desde 2009. Um ano depois, a Greenland Minerals obteve uma licença para a exploração da jazida, mas ainda falta uma autorização das autoridades locais e nacionais.

Para Erik Jensen, presidente do Siumut, a mina "significaria muito para o desenvolvimento da economia da Groenlândia", ao lhe permitir diversificar sua receita.

Contudo, o projeto, situado no único território agrícola da Groenlândia, desperta paixões opostas.

"A população de Narsaq [...] tem a impressão de que seria obrigada a ir embora, então a questão passa a ser: 'como legitimar o fechamento de uma cidade?', o que faz lembrar a época colonial", explicou a cientista política Nauja Bianco.

Quanto aos novos recursos financeiros, "não é uma solução milagrosa", destacou Birger Poppel, professor da Universidade da Groenlândia.

Embora o projeto possa aportar cerca de 200 milhões de euros (235 milhões de dólares) de recursos orçamentários, segundo a Greenland Minerales, também faria a Dinamarca reduzir sua subvenção anual à metade, pois as receitas seriam compartilhadas com o Estado dinamarquês, explicou o especialista.

- Independência -

Copenhague assegura que não é contrária à independência, mas emancipar-se totalmente privaria a Groenlândia dos generosos subsídios dinamarqueses, mais de 520 milhões de euros anuais (611 milhões de dólares), ou seja, um terço do seu orçamento.

No entanto, a Groenlândia poderia optar por outros projetos para impulsionar seu desenvolvimento econômico, como a exportação de areia ou de adubos naturais, o turismo ou a agricultura no sul, lembrou Mikaa Mered, especialista em polos da SciencesPo Paris.

A pesca, que atualmente representa o grosso do PIB local, e 90% de suas exportações, continua crescendo. O setor, próspero, parece se beneficiar das mudanças climáticas, graças a uma diversificação de suas capturas.

"Adoro ser pescador independente", disse à AFP Lars Heilmann, de 27 anos, que pesca linguado para exportação. Das eleições, ele espera apenas "que aumentem as cotas no fiorde de Nuuk".

Enquanto que em seu cotidiano as mudanças climáticas ainda tenham se manifestado pouco, caçadores e pequenas comunidades costeiras já o sentem, pois afeta o deslocamento de animais selvagens.

Desde os anos 1990, as mudanças climáticas são duas vezes mais rápidas no polo Norte do que em outras partes do planeta. No entanto, o território não assinou o acordo de Paris sobre o clima, o que o partido Inuit prometeu fazer se chegar ao poder.

As pesquisas atribuem ao Inuit 36% das intenções de voto e o veem como o vencedor, enquanto o Siumut teria 23,2%. Mas o resultado das eleições continua incerto, pois ao mesmo tempo haverá eleições municipais e o Siumut tem raízes regionais.

As seções eleitorais vão abrir às 11h GMT (08h de Brasília) e fecharão às 22h GMT (19h de Brasília).

cbw/map/jvb/mis/mvv