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Eleição retira incertezas e investidores estrangeiros estão otimistas, diz analista

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Os investidores estrangeiros estão "cautelosamente otimistas" com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial. A avaliação é de James King, vice-presidente sênior da Albright Stonebridge, consultoria para empresas com investimentos no exterior fundada pela ex-secretária de Estado dos EUA Madeleine Albright.

King atende empresas de diferentes setores que investem ou querem investir no Brasil e tem em seu portfólio mais de 15 companhias dos EUA, Europa e Ásia, de campos como tecnologia, indústria, private equity, mineração e commodities, entre outras.

Em entrevista à reportagem, afirma que a eleição retira a "nuvem de incerteza" que havia sobre o cenário brasileiro e que há muita curiosidade sobre como será o próximo governo Lula.

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PERGUNTA - O que muda na relação Brasil-EUA do ponto de vista dos negócios a partir de agora?

JAMES KING - Sai a nuvem de incerteza que havia em relação a uma potencial ruptura democrática ou algum período de volatilidade política, que pairava sobre os investidores. Muitos empresários clientes nossos estão esperando para ver o que vai acontecer, obviamente ainda é uma situação fluida, mas parece que aconteceu o melhor cenário: foi uma eleição relativamente tranquila e os resultados foram aceitos pela maioria das instituições e por lideranças no Congresso. Depois que se tira essa nuvem de incerteza, é possível começar a tornar o ambiente de negócios mais previsível.

Além disso, no relacionamento entre Brasil e Estados Unidos, estava claro que faltava engajamento político de alto nível entre os presidentes Bolsonaro e Biden. Agora há uma possibilidade de redefinição e reengajamento entre os líderes. Se um relacionamento mais forte for construído, isso é sempre positivo para o ambiente de negócios e dá segurança aos investidores.

P - Os protestos e bloqueios de estrada não abalam essa expectativa de tranquilidade?

JK - Não. Quando você olha para o quão polarizada a eleição foi, isso já era esperado em algum nível. É claro que tudo isso preocupa, mas não está fora das expectativas do pós-eleição. O mais importante, acho, foi o discurso de hoje [terça] do presidente, por mais curto que tenha sido, e a promessa do senador Nogueira de que trabalhará em uma transição ordenada. Isso tranquiliza investidores. Os protestos são mais uma indicação de que Bolsonaro vai continuar sendo uma força política potente. O novo governo terá o desafio de superar a polarização e encontrar formas de trabalhar com uma oposição muito forte no Congresso e em parte da população. Mas, em última análise, importa é que, apesar da polarização, haja uma transição ordenada.

P - Qual o nível de interesse entre investidores estrangeiros pela vitória de Lula?

JK - Muito alto. O Brasil é um mercado muito importante para os investidores e havia apreensão em torno do potencial de deterioração se houvesse algum tipo de ruptura democrática. Agora acho que há algum otimismo. Os investidores conhecem Lula e estão esperançosos de que essa previsibilidade e estabilidade irão melhorar as perspectivas de investimento de médio e longo prazo. Até certo ponto, acho que os investidores estavam trabalhando bem com qualquer cenário, com uma vitória de Bolsonaro ou de Lula, mas o que eles estavam preocupados era com a incerteza.

P - E como o sr. avalia o que foi apresentado até aqui da política econômica de Lula?

JK - Será um bom ambiente para investidores? Ainda é cedo para avaliar. Mas os sinais que Lula deu tanto na campanha quanto no discurso da vitória foram de moderação e conciliação, tentando construir uma coalizão e uma agenda que funcione bem para todos. Esses são sinais positivos de que teremos um governo comprometido em ser pragmático, comprometido na melhora do ambiente de negócios e que pode fazer as reformas necessárias. Ainda precisamos ver quais serão suas políticas de fato e como será sua equipe, ainda precisamos ter detalhes de qual será sua agenda. Mas, até agora, acho que o que ouvimos tem sido tranquilizador, o que deixa os investidores cautelosamente otimistas até agora.

P - E o que é preciso fazer para manter o interesse dos investidores?

JK - Temos recebido muitas perguntas sobre reforma tributária, o que foi muito prometido no governo atual e não foi levado até o fim, os investidores estão prestando muita atenção nisso. É preciso também dar confiança de que o governo terá disciplina fiscal, que continuará havendo diálogo com o setor privado e que criará políticas que facilitem os investimentos, microreformas que são extremamente importantes. Também recebemos questionamentos em relação à adesão do Brasil à OCDE, se isso continuará no foco, o que é amplamente visto de maneira positiva pelos investidores estrangeiros por levar o país a um ambiente de negócios mais competitivo. Se nada for feito, avançar na reforma tributária já será um sinal muito bem-sucedido para o mercado.

P - Um argumento da oposição a Lula é que sua eleição afugenta investidores do país, o que é dito desde 2002. Percebe esse movimento de saída de investimentos?

JK - Claro que há preocupações sobre quão favorável será o ambiente e se haverá diálogo com o setor privado. Mas Lula está na trilha certa, tentou dizer as coisas certas, indicou que haveria espaço para diálogo e que o governo manterá um ambiente favorável aos negócios e ao investimento. Os investidores estão ouvindo as coisas certas e nos fazem muitas perguntas. Querem saber se será um Lula mais parecido com o primeiro mandato, mais pragmático, que continuou políticas de FHC, ou se será o Lula do segundo mandato, com menos disciplina fiscal. Não sei se é a pergunta certa, será um Lula diferente, para ser honesto. O Brasil mudou muito, há um Congresso mais conservador e há um consenso mais amplo em relação à necessidade de políticas mais favoráveis aos negócios. Haverá um grande desafio de governabilidade, os investidores estão curiosos para saber como ele vai lidar com isso. É um novo Brasil, e vai precisar de um Lula novo para ter sucesso.

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JAMES KING

Mestre em relações internacionais pela Universidade George Washington, é vice-presidente sênior da Albright Stonebridge, onde presta consultoria a empresas de diferentes setores que investem ou querem investir no Brasil