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Ele aproveitou a quarentena para criar 'a solução' do problema dos streamings

·4 min de leitura
Thiago Romariz, cocriador do Chippu. Foto: Divulgação
Thiago Romariz, cocriador do Chippu. Foto: Divulgação

Thiago Romariz é um jornalista, professor, criador de conteúdo e influenciador. Mas desde o início da pandemia, este alagoense criado em Brasília (DF) e que fez carreira em São Paulo, arranjou tempo, de sua casa no Paraná, para criar um aplicativo que promete resolver o principal problema dos serviços de streaming.

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O Chippu é um app disponível para Android e iOS que faz recomendações de filmes (e em breve séries) disponíveis em canais de streaming do Brasil, incluindo aí Netflix, Amazon Prime Video e locadoras virtuais como iTunes e Google Play.

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A ideia do aplicativo surgiu em 2018, quando Romariz trabalhava como diretor de conteúdo no site de cultura pop Omelete. Na época, o projeto não foi para a frente "por N motivos" dentro da empresa, segundo Romariz, que viu no início da quarentena a oportunidade para tirar a ideia da gaveta.

Romariz, que é atualmente head de conteúdo e relações públicas da empresa de pagamentos digitais Ebanx, se juntou com o sócio Vitor Porto Brixi, além dos engenheiros Luigi Pedroni e Thamer Hatem, donos da startup brasiliense Happe, para desenvolver o Chippu, que ficou pronto em cerca de 25 dias.

O nome do app vem do japonês, e significa "dica". A ideia, segundo Romariz, é "fazer com que as pessoas parem de ficar 30, 40 minutos, 1 hora navegando em serviços de streaming para achar um filme para assistir". Mas entre tantos apps que prometem o mesmo, o diferencial do Chippu é a curadoria humana.

Os filmes indicados pela plataforma são recomendados pessoalmente pelo próprio jornalista, que, além de tudo, também tem um canal no YouTube e uma coluna no Yahoo sobre cultura pop. "Não adianta a pessoa ficar presa em outro algoritmo. Eu acredito muito que a curadoria é o futuro do conteúdo", afirma.

O plano original, conforme desenhado em seus tempos de Omelete, era que o Chippu fosse uma central de cultura, dando dicas do que ver em filmes, séries e até música. As recomendações de séries devem entrar numa atualização próxima, mas todo o resto ficou de fora nesse lançamento inicial para refinar a proposta.

O Chippu, porém, não é o primeiro app a tentar libertar usuários de streaming das amarras dos algoritmos. O Apple Music, aplicativo de música rival do Spotify, chegou ao mercado em 2015 oferecendo justamente curadoria humana como diferencial – uma abordagem que acabou ficando em segundo plano com o passar dos anos, provando-se cara e ineficiente na disputa contra o Spotify, se tornando apenas um complemento.

Mas Romariz acredita que, para o usuário, faz toda a diferença quando a dica vem de uma pessoa real em vez de um sistema de machine learning. Para ele, só um curador humano pode furar a bolha dos algoritmos ao sugerir um conteúdo que não esteja em voga nas discussões de rede social, nem seja o grande lançamento que a empresa quer promover a todo custo.

"Sendo bem simplório, um exemplo: digamos que a Netflix vai lançar La Casa de Papel, mas eu odeio La Casa de Papel. De qualquer forma, ela vai aparecer para mim, porque é o produto de entretenimento que eles [Netflix] precisam promover", diz Romariz. "O que a gente faz é uma peneira."

Apesar de ainda contar com alguns bugs e momentos de instabilidade (causados, segundo Romariz, pelo inesperado sucesso, que obrigou o time a comprar novos servidores diariamente desde o lançamento do app, há 12 dias), o Chippu começou bem: foram 20 mil downloads nas primeiras 48 horas, o que o colocou entre os 20 mais populares da loja de apps do iOS.

Para financiar o empreendimento, a equipe por trás do app conta com capital próprio e um sócio que entrou como investidor. Mas planos de monetização já estão em andamento: em breve o app deve receber branded content na forma de playlists temáticas e benefícios exclusivos.

A opção por conteúdo patrocinado em detrimento de banner automáticos do Google ou uma opção de assinatura, por exemplo, tem motivos técnicos ("do jeito que o aplicativo é montado, não há espaço para a gente colocar mídia programática", afirma Romariz) e também estratégicos: até a publicidade do app tem curadoria humana.

A equipe do Chippu já está em negociações de publicidade com empresas do setor de entretenimento e deve anunciar as primeiras parcerias em breve. Para o futuro, Romariz projeta outros caminhos para diversificar a receita, como benefícios na assinatura de streamings e na compra de ingressos de cinema, por exemplo.

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