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Ela viaja só pagando a passagem e hoje ganha dinheiro com isso

(Arquivo pessoal)

A paixão por viagens influenciou Andrea Aguiar até mesmo na escolha de uma profissão. Tradutora formada em letras, ela queria um trabalho que pudesse ser feito de qualquer lugar do mundo. Sua forma de viajar mudou em 2004 quando ela descobriu o sistema de troca de casas, em que podia viver como uma local e só pagar a passagem área para o destino.

“Sempre aproveitei todo dinheiro que eu tinha para viajar. Mesmo quando não era muito. Ficava em hostel. Não me preocupava muito com conforto. Mas depois que você tem filhos fica mais difícil se hospedar em qualquer lugar. E ao mesmo tempo tinha a questão de gastos também. Foi quando conheci o esquema de trocar de casa”, conta.

Quando Andrea descobriu o sistema há 15 anos ainda não se falava sobre economia colaborativa. Mas ela conta que esse tipo de troca data dos anos 50. “Começou com um grupo de professores universitários dos EUA que tinham um clube para trocar de casa durante as férias. Eles tinham um catálogo que era enviado pelo correio. Mas depois da internet tudo ficou mais fácil e o grupo e essa ideia foi propagada”, fala.

Com casa no Rio de Janeiro, os sites gringos não permitiam que Andrea cadastrasse sua casa. Ela, então, tinha que entrar em contato direto com as pessoas com que queria trocar de casa para conseguir o feito. “Há 15 anos tinha internet, mas ainda não estava avançados tecnologicamente. Não tinha Google Maps, por exemplo, para mostrar a localização exata da casa. Isso facilitou muito. Fora que ficou mais seguro e viável viajar”, relembra.

A primeira troca de Andrea e a família foi em 2004 para San Diego, na Califórnia. “O princípio da troca de casas é você tornar seu imóvel útil quando ele não está sendo utilizado. Demorei para convencer meu marido a aceitar. Mas essa primeira experiência foi ótima e meus filhos cresceram fazendo isso. Foi bacana porque eles tinham que deixar todos os brinquedos na casa sabendo que outra criança iria usá-los. Eles aprenderam muito a compartilhar com essa experiência”, fala.

O que começou com uma necessidade econômica para seguir viajando em família virou a forma da família de viajar. “Como você só paga a passagem, pode fazer uma viagem mais longa. Eu já fiz 15 trocas de casa, já estive em todos os continentes, fui para França, Nova York, Londres, Cidade do Cabo, Milão. A última que fiz foi para Austrália e ficamos 40 dias trocando de casa quatro vezes”, conta.

Uma outra vantagem que vai além da economia, segundo Andrea, é a possibilidade de sair da área turística. “Como você se hospeda em bairros residenciais, você ve as pessoas indo trabalhar, crianças indo para escola. É uma imersão no dia a dia de quem vive ali. Vê a perspectiva do morador. A dica do melhor café ou pão do bairro. E isso é uma experiência incrível”, conta.

Além disso, Andrea também viveu várias aventuras com a família. “Na Escócia, a proprietária nos deus a chave para a casa e saímos para comer. Quando voltamos, não lembrava exatamente qual das casas era a nossa. Ficamos um tempão tentando abrir a casa errada. Na Austrália, depois de um voo super longo, não encontrávamos a chave. O proprietário disse que estaria na casinha do cachorro, mas estava jogada no jardim”, relembra, aos risos.

Como tinha a flexibilidade no trabalho, Andrea muitas vezes trocava de casa enquanto fazia home office e começou a sentir a ausência desse tipo de serviço no Brasil. Ela começou a pesquisar e estudar os vários sites de troca de casas que existiam no mundo e a pensar em como adaptar para o Brasil. “Foi um ano entre estudo e concretização até nascer a Be Local Exchange, primeira plataforma online de troca de residências em português”, conta.

O primeiro desafio foi pensar em como reduzir o sentimento de insegurança dos brasileiros de realizar esse tipo de troca. No Be Local Exchange, há um código para verificar a identidade e os proprietários podem trocar mensagem entre si. “Mas como não existe uma troca financeira, isso desestimula golpes. Muitas fraudes pedem depósito e aqui não há dinheiro envolvido”, explica.

O site também se propõe a ser um “Tinder de casas”, já que eles cruzam informações e sugerem trocas que são mais adequadas. Atualmente, você pode se inscrever no site para conhecer os serviços e só paga a anuidade de R$ 260 reais quando conseguir agendar uma troca de residências.

“Atualmente estamos focando no Brasil e em alguns países da América Latina, como Argentina. Aqui temos casas no Rio de Janeiro, Fortaleza, Recife, Santa Catarina, Maceió, João Pessoa, São Paulo, Bahia e etc. Tem um cliente que saiu de Maceió e está indo para o Sul só trocando de casa por onde passa. E é super possível fazer uma viagem dessa, pois o custo de hospedagem é zero. Minha próxima viagem será para Bahia, pois troquei de casa com uma pessoa de lá”, relata.

Veja como funciona: