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Ela abandonou o cargo de executiva para empreender e hoje fatura 3 milhões

A ideia de qual segmento investir surgiu enquanto lia uma revista. Hoje ela fatura milhões (Reprodução)

Por Melissa Santos

Bruna Lofego trabalhava 15 horas por dia e estava estressada quando resolveu pedir demissão do cargo de diretora executiva em uma rede de concessionárias de motocicletas, em Belo Horizonte (MG), para seguir seu sonho de empreender. A ideia de qual segmento investir surgiu enquanto lia uma revista. “Queria uma qualidade de vida melhor e comecei a pesquisar o que eu podia fazer. Foi quando li sobre coworking em uma matéria na revista Veja e me interessei”, conta.

Os espaços de coworking –escritórios compartilhados—reúnem diferentes profissionais ou empresas para dividir a mesma estrutura física, proporcionando redução de custos operacionais, além de um maior networking.

Como estava com viagem marcada para o exterior, Bruna resolveu conhecer mais sobre esse modelo de negócio. “Lá fora o conceito estava bem amadurecido, mas aqui era algo bem embrionário. Quando voltei, comecei a estudar o comportamento do mineiro e desenvolvi meu próprio modelo em 2010”, relembra.

A opção de Bruna foi por um modelo focado no atendimento a empresas mais formais. Ainda que existam vários coworking mais descolados e voltados para startups, a CWK Coworking, que já tem quatro unidades em Minas Gerais e São Paulo, é um coworking voltado ao mundo corporativo. “Prova disso é que eu não tenho nenhuma startup no meu portfólio de clientes. Não é nosso público”, fala.

A oportunidade de lidar com pessoas diferentes e sempre conhecer gente nova foi um dos fatores que fizeram com que Bruna optasse por investir no coworking. Por ser um negócio novo no Brasil, um dos principais desafios, na época, era a incerteza se o modelo daria certo. “Fui no Sebrae buscar dados, mas ainda não existia nada consolidado que me ajudassem a empreender com segurança. Fui na cara e na coragem”, relembra.

Na época, Bruna pesquisou muito pelo espaço ideal para instalar a CWK Coworking em Belo Horizonte. “A primeira unidade foi no bairro de Savassi. O investimento inicial foi de R$ 250 mil e veio do meu capital próprio. Eu ganhava um bom salário como executiva e conseguia poupar bastante”, conta.

O maior desafio nessa época, segundo Bruna, era desbravar um conceito que ninguém conhecia. “A maioria das pessoas estava acostumada a montar seu próprio escritório. Então a gente teve que fazer um trabalho de explicar o conceito de coworking. Para isso, eu criei um blog em 2011 e depois comecei a gravar vídeos. Deu tão certo que muita gente começou a me procurar pedindo ajuda para montar um também e eu passei a dar consultoria”, fala.

Seis meses após o início das operações, a CWK alcançou o equilíbrio operacional –quando a receita paga a despesa e não é preciso mais colocar dinheiro no negócio. Foi neste momento que Bruna fez a primeira expansão, abrindo uma franquia no bairro de Itaim Bibi, em São Paulo.

Desde então, o coworking abre uma nova unidade por ano. “A previsão é abrirmos uma em Nova Lima, interior de Minas Gerais e outra em Salvador. Para 2019, já temos prevista a abertura de quatro unidades”, fala. Só em 2017, a CWK Coworking faturou mais de R$ 3 milhões. E a expectativa é crescer 15% no ano que vem.

Além ter liberdade para atuar na empresa da forma que deseja, Bruna também avalia que empreender trouxe muita qualidade de vida. “Eu treinei um time para ter autonomia e para que eu pudesse fazer meus próprios horários. Hoje eu trabalho meio período. Posso viajar, cuidar do meu filho e tenho liberdade!”, fala.