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Efeitos do novo ciclo de commodities se restringem ao entorno do campo

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***ARQUIVO*** Tangara da Serra, MT. 04/03/2021. PROJETO PANTANAL. Chapada dos Parecis. (Foto: Lalo de Almeida/ Folhapress)
***ARQUIVO*** Tangara da Serra, MT. 04/03/2021. PROJETO PANTANAL. Chapada dos Parecis. (Foto: Lalo de Almeida/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ao contrário do boom de commodities que ocorreu aproximadamente de 2003 a 2013, o novo ciclo, que ganhou impulso no ano passado com o início da recuperação após a crise causada pela pandemia do novo coronavírus, ainda tem efeitos limitados nos outros setores da economia brasileira.

Na avaliação de especialistas, ainda que os dois ciclos favoreçam as exportações brasileiras e tenham o mesmo indutor (um aumento da demanda da China por alimentos e minério de ferro), a alta de preços acontece em momentos muito distintos para o Brasil.

"O agronegócio hoje é maior do que era antes. Em tese, o ciclo atual estaria impactando mais, mas os outros setores [como indústria e serviços] estão em uma situação muito pior. O campo ajuda, mas tem muita coisa para resolver nas outras áreas", diz Alexandre Mendonça de Barros, da consultoria MB Agro.

Pelo CRB (Commodity Research Bureau), índice que acompanha o comportamento dos produtos básicos (como soja, petróleo e minério de ferro), o aumento dos preços desses produtos foi de 51,5% em um ano até maio. No ciclo anterior, o pico havia sido em junho de 2008, com um aumento de mais de 100% na comparação com o início da alta de preços, pouco mais de cinco anos antes.

O efeito disso tem se irradiado para o consumo e a renda nas cidades próximas ao campo, que experimentam desde um boom imobiliário --como em Goiânia, onde esse mercado cresce desde 2016-- à falta de máquinas agrícolas devido à alta procura. Mas acaba sendo insuficiente para chegar ao resto do país, como ocorria antes.

O ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn é um dos que acreditam que o boom anterior e o ciclo atual devem ter efeitos diferentes para o país. Se o dos anos 2000 se deu por um aumento de preços pelo forte crescimento da China e dos Estados Unidos, o movimento atual ocorre por uma recuperação cíclica, após uma grave crise, e não é possível prever ainda quanto tempo ele irá durar, diz.

"Uma década é suficiente para se espalhar por outros setores, mas o que temos garantida hoje é uma recuperação na saída da Covid-19, que pode durar um ou dois anos. E essa é uma recuperação que acontece de forma desigual ao redor do mundo", afirma o economista, que hoje é presidente do conselho do Credit Suisse.

Na avaliação do professor da EESP/FGV (Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getulio Vargas) Felippe Serigati, o campo e a agroindústria têm influenciado positivamente a economia e, por mais que o país passe por dificuldades desde a crise 2015 e 2016, as turbulências foram menos traumáticas onde o agro é predominante.

"No ciclo passado, a gente teve a sensação de um transbordamento maior, mas estamos operando em realidades diferentes. A indústria tem tido graves dificuldades ao menos nos últimos cinco anos e o setor de serviços apanhou muito durante a pandemia. É como se a gente estivesse esperando que o agronegócio e a mineração resolvessem todos os problemas", avalia Serigati.

No passado, o boom de commodities também teve como aliados um aumento do crédito e de consumo com ganhos reais dos salários, o que ajudou a aquecer o mercado de trabalho e a espraiar os efeitos do dinamismo do campo.

Agora, no entanto, o Brasil passa pela pandemia com recordes seguidos de desemprego, aumento da desigualdade e renda das famílias em queda livre. Como o agronegócio está cada vez mais mecanizado e a mineração gera poucos empregos diretos, esses setores acabam contribuindo diretamente pouco com a redução da desocupação.

O economista Paulo Morceiro, pesquisador da Universidade de Joanesburgo (África do Sul), lembra que o ciclo dos anos 2000, principalmente de 2004 a 2013, costuma ser vinculado apenas às commodities, mas um outro atrativo das divisas foi o diferencial de juros do Brasil.

Com a entrada de divisas, as reservas internacionais aumentaram em dez vezes, o que ajudou a eliminar a fragilidade do país nas crises externas.

"O crédito dobrou de 25% para mais de 50% do PIB no período, e o salário mínimo real aumentou de 2000 a 2014."

Esse aumento da massa salarial e do emprego fez a economia girar, complementa o economista. "Boa parte desse crescimento do emprego acabou indo para as importações de produtos prontos e para insumos da indústria. O país poderia ter se beneficiado da industrialização no ciclo anterior, e, depois que o ciclo passou, o crescimento da economia não se manteve", afirma.

Ao destrinchar os dados do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Morceiro observou que desde o ano passado ocorre um fenômeno que não acontecia desde o fim da década de 1950: o peso da agropecuária e da indústria extrativa somados no PIB ultrapassou o da indústria de transformação.

"Hoje, a gente caminha por uma cidade do interior do Centro-Oeste e tem a impressão de estar em outro país. Tudo é muito novo, e esse desenvolvimento veio do agronegócio, mas é algo muito localizado em estados de população pequena."

Em 2018, o IBGE destacou que a região Centro-Oeste foi a que mais avançou no PIB per capita (uma das formas de se medir o padrão de vida) ao longo da série histórica do levantamento. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, grandes exportadores de commodities, apareciam entre os estados em que o indicador era melhor que a média nacional.

Morador de Campo Grande (MS), o veterinário João Kintschev Júnior, 32, viu de perto essa melhora do padrão de vida nas cidades próximas ao agro. Ele, que hoje trabalha na startup Agrointeli, que oferece serviços de mapeamento para propriedades rurais, nem pensa em deixar a região.

"Dá para sentir nitidamente os efeitos do ciclo de commodities de Mato Grosso do Sul até a região do Matopiba [região na divisa dos estados do Maranhão, do Tocantins, do Piauí e da Bahia]. A riqueza do campo ajuda os outros setores locais, e a gente acaba tendo de contratar profissionais de outras regiões do país."

Com perfil parecido, o engenheiro carioca Edson Lima, 33, não consegue emprego na área de infraestrutura há dois anos. "Recebi um convite de um tio, que mora em Mato Grosso, para tentar a vida por lá. Sair do Rio não estava nos meus planos, mas pode ser a oportunidade que estava buscando", conta.

Além do incentivo via crédito e salário, os efeitos dos dois ciclos também são diferentes, pois no primeiro boom de commodities houve em paralelo um boom de exportações de manufaturados --e isso não ocorre agora, avalia o professor da UnB (Universidade de Brasília) José Luis Oreiro.

"O dinheiro que está sendo gerado pelas commodities fica com um número muito pequeno de pessoas e acaba virando consumo de luxo. É preciso introduzir um imposto sobre exportações de commodities e usar essa receita para financiar obras de infraestrutura", diz o economista.

Segundo Mendonça de Barros, da MB Agro, porém, o espraiamento dos efeitos positivos do agronegócio ainda vai acontecer. "É uma questão de tempo, já que o choque de preços começou recentemente e o efeito demora um pouco mais, mas os fatores multiplicadores da riqueza das commodities vão se impondo."

Crise hídrica pode afetar PIB do setor agrícola, diz Ipea

São Paulo | Reuters"‚O Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada revisou para cima a projeção do PIB do setor agropecuário para 2021, para alta de 2,6%, mas disse que a crise hídrica pode afetar o desempenho.

"A ocorrência de choques climáticos adversos no centro-sul, e a possibilidade de adoção de medidas restritivas ao uso da água para a lavoura --em razão da necessidade de poupar o recurso para a geração de energia hidrelétrica--, podem afetar negativamente as estimativas para alguns produtos", disse o boletim de conjuntura do Ipea.

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