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Efeito de maré pode estar aquecendo o interior de algumas luas de Júpiter

Danielle Cassita
·2 minuto de leitura

Um novo estudo feito por Hamish Hay, cientista planetário do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, junto de outros cientistas, trouxe uma possível explicação sobre a ocorrência de oceanos líquidos no interior de luas de Júpiter: é possível que uma esteja aquecendo a outra devido ao calor gerado pelos movimentos das marés, e esse calor seria suficiente para manter seus oceanos subterrâneos em estado líquido.

Para o estudo, Hay, junto de Antony Trinh e Isamu Matsuyama, cientistas planetários da Universidade do Arizona, calculou as dimensões das marés que as luas poderiam erguer nos oceanos umas das outras. Eles descobriram que isso depende dos próprios oceanos: se forem do tamanho certo, as luas vizinhas movimentam as ondas das marés umas nas outras e criam ressonância.

Da esquerda para a direita, as luas Io, Europa, Ganimedes e Calisto (Imagem: JPL-CALTECH/NASA, DLR)
Da esquerda para a direita, as luas Io, Europa, Ganimedes e Calisto (Imagem: JPL-CALTECH/NASA, DLR)

Assim, “quando você considera essas ressonâncias, as ondas das marés começam a crescer”, explica Hay. Depois, essas ondas correm pelo interior da lua, causando uma fricção que gera calor. Se as condições estiverem favoráveis, o calor gerado pelas ondas pode exceder aquele de Júpiter. Vale lembrar que há também o aquecimento da influência gravitacional do gigante gasoso, que gera calor pela fricção causada nas luas durante suas contrações e expansões em suas órbitas.

Cynthia Phillips, cientista planetária do JPL, se surpreendeu com o calor que pode ser gerado nestes movimentos: "basicamente, todos negligenciavam esses efeitos de lua para lua", comenta. Essa descoberta é importante para a busca de vida nas luas jovianas - principalmente no caso do oceano sob a superfície da lua Europa, considerado um bom local para a busca de vida extraterrestre. Entretanto, Philips ressalta que seriam necessárias mais fontes de energia para a ocorrência de vida.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Geophysical Research Letters.

Fonte: Canaltech

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