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Coronavírus: como usar a volatilidade a favor dos investimentos

Red trend as symbol of economy drop or financial crisis. Business pattern

Assim como em outras esferas da vida, no mundo dos investimentos, as crises são momentos desafiadores, de grande reflexão. Mas dos quais saímos fortalecidos e com grande bagagem de aprendizado. Nas últimas semanas, podemos dizer que os investidores sobreviveram a um dos períodos mais negativos da história do mercado de capitais, resultado da atual ameaça do coronavírus (covid-19). Desde 2016, em um recorte mensal, a queda do Índice Bovespa (Ibovespa) só foi pior na greve dos caminhoneiros e no impeachment da Dilma.

É interessante que, mesmo adotando uma estratégia de investimento de valor com foco no longo prazo, o que vemos é muito pânico e negativismo no mercado. Essa é uma zona de perigo especialmente para quem está começando a investir agora. São nos momentos de forte baixa como o que vivemos que somos realmente testados e que temos a oportunidade de aprender sobre alguns comportamentos do “Senhor Mercado” que acabam por induzir muitos investidores ao erro.

Warren Buffett, maior investidor de todos os tempos, já nos alertava que o universo dos investimentos frequentemente faz uma relação equivocada entre volatilidade e risco. Notícias como a da disseminação do coronavírus são capazes de afetar de forma significativa o preço de uma ação. Muitas vezes, no entanto, essa alteração se dá de forma desproporcional ao seu valor intrínseco ou da sua real capacidade de gerar valor ao acionista no longo prazo.

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Diferentemente das teorias que afirmam que os preços dos ativos conseguem refletir exatamente seu valor de acordo com as informações existentes sobre os mesmos, a realidade é que o mercado costuma agir de forma irracional a eventos como a alerta de epidemia. Nesses períodos, os preços ficam gerenciados apenas pela lei da oferta e procura, gerando um “descolamento” entre seu valor real e o valor comercializado.

Isso acontece porque grande parte dos atores do mercado age com interesses distintos e muitos o fazem sob pressão extrema, eliminando a racionalidade nas suas tomadas de decisão. Essas atitudes fazem com que o mercado nem sempre precifique os ativos de maneira correta, principalmente em momentos de grande euforia ou depressão econômica.

Em momentos de crise como o atual, em que as cotações estão despencando, o investidor impaciente vende seus ativos com receio de perder seu dinheiro quando, na realidade, poderia estar realizando aportes, pois a volatilidade está do seu lado.

Por outro lado, quem investe com foco no longo prazo e investindo em valor, filosofia de investimentos que defendo, vai pelo caminho contrário. Esse investidor crê na oscilação do preço como fato imprescindível para a realização de aportes. Em épocas de crise, buscamos barganhas que o mercado tem a oferecer e, em épocas de intensa valorização dos papéis, sabemos que o aumento nos preços não reflete o valor intrínseco de uma companhia.

Assim como Buffett, eu acredito no “poder” da volatilidade. Os investidores pacientes utilizam este recurso a seu favor, aguardando momentos em que ela revela a irracionalidade do mercado. Assim, é possível encontrar ótimas companhias sendo comercializadas a um preço muito inferior ao seu valor.

Vejo muitas pessoas preocupadas com as grandes quedas da bolsa, mas que não se importam com outros riscos que corremos na vida financeira, seja com a dependência do governo para aposentadoria, a insegurança no trabalho, seja com perdas de dinheiro por questões inflacionárias quando optamos por investimentos pouco rentáveis. O pânico que é disseminado em torno de momentos de grande depressão na bolsa é tão inútil nos investimentos quanto nas medidas de proteção à saúde.

Aproveite episódios como esse para tirar lições de investimentos. Crises fazem parte da vida e da economia. Essa não será a primeira nem a última vez pela qual passaremos por elas. Sabendo disso, fica mais fácil conter as emoções e tomar o caminho certo nos investimentos.