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‘A gente não precisa morrer de amores’, diz Eduardo sobre relação com Argentina

Raphael Di Cunto e Daniel Rittner

O filho do presidente defendeu uma relação pragmática com o novo presidente argentino, Alberto Fernández Filho do presidente Jair Bolsonaro, o presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), defendeu nesta quinta-feira que o Brasil deve atuar com pragmatismo para fazer negócios com outros países e que, passada a eleição, a relação com o novo presidente argentino, Alberto Fernández, deve se normalizar.

Cleia Viana/Câmara dos Deputados

“A gente não precisa morrer de amores uns pelos outros para fazer negócios”, disse, após participar da abertura de seminário sobre os “Novos Anseios da Política Externa Brasileira”, organizado pela comissão que ele preside. “Não quero saber como pensa a Argentina, como pensa a China. Estamos preocupados em fazer negócios”, reforçou.

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Segundo Eduardo, a diferença ideológica com o presidente argentino não deve ser um obstáculo, mas ainda não houve nem um primeiro contato de Fernández e seu pai, que apoiou abertamente a reeleição do derrotado Mauricio Macri e que não irá à posse do novo presidente da Argentina.

Esse primeiro contato, disse o deputado, ainda deve ocorrer, embora o momento e o que será discutido dependerá do presidente Bolsonaro. “Quando passa a eleição, os ânimos tendem a dar uma arrefecida e a tendência é de que mais para frente ocorra esse encontro”, afirmou. “Você pode fazer o comércio sem a necessidade de concordar ideologicamente e politicamente em outros setores”, comentou.

Ele minimizou a aprovação, pela Comissão de Relações Exteriores, de uma moção de repúdio contra Fernández por ele ter apoiado a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Disse que foi iniciativa de um deputado e ele, como presidente, teve que pautar, da mesma forma que faz com requerimentos de convocação de ministros do governo.

“Alinhamento automático” com EUA

Eduardo também rechaçou o rótulo de “alinhamento automático” dado por críticos da política externa do governo de seu pai para a aproximação com os Estados Unidos. Segundo ele, o Brasil inaugurou um novo ciclo pautado por pragmatismo e fim da ideologia na política externa, sem amarrar-se ao dilema entre multilateralismo e bilateralismo, mas enfatizando sua oposição ao protecionismo.

“Alinhamento virou palavra corriqueira para definir políticas de aproximação com nossos parceiros do Norte”, disse Eduardo Bolsonaro. De acordo com ele, que precisou recuar do projeto de tornar-se embaixador em Washington, o Brasil precisou “consertar a bússola” em suas relações com o mundo. Agora, afirmou, pauta-se pelos princípios de “independência e soberania”.

“Basta de políticas da pirraça ou vincular princípios e diretrizes arcaicos à nossa política externa”, disse o deputado. “É um excelente recado para aqueles que apostavam no fracasso da política externa do presidente Bolsonaro”.