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Editor de Nelson Rodrigues e chargista modernista, J. Ozon ganha biografia

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RIO — Como o desenhista Ozon, ele cultivou um traço original, moderno, com o qual dominou a caricatura pessoal. Como o editor J. Ozon, publicou peças polêmicas de Nelson Rodrigues e renovou a produção gráfica na época. José Ozon Rodrigues (1915-1971) é um desses personagens cariocas de trajetória riquíssima, mas um tanto esquecida. No seminal livro de Herman Lima, “História da caricatura no Brasil”, que mapeou a produção brasileira até 1963, Ozon sequer é citado, mesmo estando vivo e na ativa na época.

Essa injustiça agora pode ser desfeita com a publicação de sua primeira biografia. Escrita pelo historiador e caricaturista Luciano Magno, “J. Ozon — O editor e o caricaturista” (Gala Edições) recupera a produção dele nas duas áreas em que atuou.

— Como o livro de Herman Lima é até hoje consultado por todos os pesquisadores da nossa caricatura, a ausência de menção ao artista prejudicou muito o reconhecimento de sua trajetória. E essa lacuna, do seu esquecimento, perdurou mesmo depois de sua prematura morte, aos 56 anos — diz Magno, também autor de “História da caricatura brasileira” (Gala Edições, 2012). — Sua contribuição pode ser alçada à categoria artística de outros mestres como Alvarus e Rian.

Segundo Magno, o ressurgimento da figura de Ozon como caricaturista só voltou a ocorrer publicamente a partir de 2016, na 2ª Bienal Internacional da Caricatura, no Rio. Na ocasião, ele ganhou uma exposição, que surpreendeu até mesmo o cartunista Ziraldo. Apesar de ser seu contemporâneo, o pai do Menino Maluquinho nunca ouvira falar dele.

Chargista do GLOBO, Chico Caruso é outro que conheceu o trabalho de Ozon apenas recentemente. E se encantou com as caricaturas.

— Tive uma grande surpresa ao descobri-lo — diz Caruso. — Sem dúvida, ele foi um dos melhores da sua época. Mas o fato dele ter sido editor de Nelson Rodrigues também chamou muito minha atenção.

Nascido em uma família de origem espanhola, Ozon iniciou a carreira na década de 1930, publicando caricaturas em importantes periódicos do período, como O Diário de Notícias e Diário Carioca. Seu desenho foi burilado aos poucos, graças à influência de mestres como Guevara e Figueroa, dois caricaturistas estrangeiros radicados no Brasil. O estilo mais convencional ganhou uma vertente cubística — às vezes até art déco, de acordo com Magno, que define a técnica de Ozon como “traço contínuo em zigue-zague”, e cita como “magistral” o Mussolini retratado pelo artista nos anos 1940. Mas Ozon se destacou mesmo em uma especialidade no ramo da caricatura pessoal, o portrait-charge.

— Com o passar do tempo, em desenhos com estilização geométrica, Ozon chega a um traço, na caricatura, de pura abstração, em portrait-charges — diz o biógrafo. — Bons exemplos são os retratos do ex-presidente Dutra e do artista Henrique Pongetti, nos anos 1950. Um estilo original e totalmente diferenciado em comparação a seus contemporâneos.

Após alguns flertes com o mundo da edição, Ozon ingressou de vez na publicação de livros ao fundar, nos anos 1940, a Edições do Povo. A editora publicou Jorge Amado (amigo do chargista) e David Nasser. Ozon foi um dos pioneiros na edição dos textos teatrais de Nelson Rodrigues. Em 1947, ele juntou em um mesmo livro duas peças do dramaturgo, “Vestido de noiva” e “Álbum de família”. A ideia também foi corajosa. Embora já fosse consagrado, Nelson sofria com a censura.

Com a alegação de que “preconizava o incesto” e “incitava ao crime”, “Vestido de noiva” foi proibida até 1965 nos palcos — mas, curiosamente, não em livro. Portanto, durante quase 20 anos, o público só pode conhecer a obra através da publicação das Edições do Povo. Mais tarde, Ozon editaria outros textos de sucesso do autor, como o folhetim “Asfalto selvagem” e os contos de “A vida como ela é”, além de outras peças como “O beijo no asfalto”. Todos foram sucessos de venda.

— A edição de “Álbum de família” foi um dos grandes lançamentos da fase inicial da Edições do Povo — lembra Magno. — Mas o fato da peça e a sua apresentação teatral terem sido proibidas e o livro liberado suscitou comentários críticos à época, na imprensa. Accioly Neto, em O Cruzeiro, estranhou que se interditasse o fato: “O espectador pode ser selecionado, o leitor nunca”. No início de sua carreira e ainda por muito tempo que se seguiu à sua estreia teatral, Nelson não era reconhecido como um autor que pertencesse à literatura.

Buscando sempre preços acessíveis, a Edições do Povo mantinha um catálogo dividido entre clássicos e títulos sensacionalistas. Foi dela a primeira edição de “Giselle — A espiã nua”, originalmente escrita em folhetim por David Nasser (mas acabou vendendo os direitos da história, que anos mais tarde se tornaria um dos maiores sucessos do país).

Projetos arrojados

Fundada em 1956, a J. Ozon + Editor, terceira casa editorial do chargista, era conhecida por ter os livros didáticos mais baratos do país e pelos projetos gráficos arrojados, sempre supervisionados pelo desenhista. Em alguns casos, ele mesmo desenhava a capa, como na edição clássica de “Chão de estrelas”, de Orestes Barbosa. Por pouco a editora não publicou outro grande caricaturista. No acervo de Ozon, o biógrafo encontrou um esboço de capa para uma possível edição de “Flávia, cabeça, tronco e membros” (1963) e uma carta propondo a publicação do texto assinada por seu autor, Millôr Fernandes. O projeto acabou não vingando.

— Ozon era exímio em logomarcas e letras tipográficas — observa Magno. — Além disso buscava talentos renovadores, como André Le Blanc, Monteiro Filho e Marcelo Monteiro, também criadores de muitas capas que causaram impacto.

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