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Edição genética que evita doenças é feita pela primeira vez na clonagem de cães

Edição genética em cães da raça beagle permitiu clonar os animais a partir de células da pele retirando genes ligados a inúmeras doenças, como de coração, pele, ossos e olhos. Muitos cães de raça são propensos a doenças herdadas geneticamente por conta de baixa variedade genética, causada por endocruzamento na espécie.

Os filhotes tiveram seu genoma editado para eliminar o gene DJ-1, conectado a doenças como câncer, mal de Alzheimer, Parkinson e acidente vascular cerebral (AVC). O experimento serve para entender o papel do gene no desenvolvimento dos animais, e principalmente testar se a técnica irá realmente funcionar. Um estudo sobre o caso foi publicado na revista científica BMC Biotechnology.

A edição genética apagou o gene DJ-1 de clones de beagle, visando evitar problemas de saúde relacionados a essa parte do genoma (Imagem: Giollianosulit Sulit/Unsplash)
A edição genética apagou o gene DJ-1 de clones de beagle, visando evitar problemas de saúde relacionados a essa parte do genoma (Imagem: Giollianosulit Sulit/Unsplash)

Editando filhotes

O trabalho foi realizado pela companhia sul-coreana de biotecnologia ToolGen, em colaboração com a Chungnam National University. O objetivo final é curar os animais de doenças graves, o que a equipe afirma já ter conseguido para uma doença específica. Um estudo sobre o caso, no entanto, ainda não foi publicado.

Segundo a companhia, a tecnologia será usada para recuperar mutações patogênicas em diversos cães, desenvolvendo terapias genéticas para a cura de doenças causadas por endocruzamento. Isso é especialmente importante agora que a clonagem de cães vem se popularizando, com tutores adotando clones genéticos de seus falecidos animais.

Ao contrário dos filhotes, animais clonados mostram os mesmos níveis de inteligência, temperamento e aparência de seus "originais", mas também são suscetíveis aos mesmos problemas de saúde. Com a nova técnica, pode ser possível eliminar as doenças antes do processo de clonagem, além de outros traços que podem afetar a saúde dos bichinhos.

Modificação do DNA pode evitar doenças em clones de animais de estimação, que estão se popularizando atualmente (Imagem: ktsimage/Envato)
Modificação do DNA pode evitar doenças em clones de animais de estimação, que estão se popularizando atualmente (Imagem: ktsimage/Envato)

O processo de clonagem de cães a partir de células da pele é chamado de transferência somática de célula nuclear: os cientistas removem o núcleo de um óvulo e o substituem pelo núcleo de outra célula corporal, no caso, vinda da pele do canino. O DNA da célula é modificado através da técnica CRISPR, cortando as partes do genoma que possam causar problemas de saúde.

Através de inseminação artificial, então, o óvulo clonado é inserido em uma "barriga de aluguel". O processo é similar ao utilizado para criar o clone mais famoso do mundo, a ovelha Dolly, em 1996. No caso dela, no entanto, nenhuma alteração genética foi feita antes de implantar as células no óvulo da mãe.

Fonte: Canaltech

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