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Edição genética: CRISPR é usado pela primeira vez em tratamento contra o câncer

Fidel Forato

Nem só questões éticas e polêmicas envolvem a técnica CRISPR. É o caso da primeira tentativa de usar a ferramenta de edição de genes contra o câncer, que, em princípio, parece segura. Segundo médicos da Pensivânia, os três primeiros pacientes que testarem o procedimento inédito estão bem, mas ainda é cedo para saber se terão melhora na luta contra a doença.

Para o procedimento, os médicos retiram células do sistema imunológico dos pacientes e as alteram geneticamente; dessa forma, espera-se que elas reconheçam e combatam o câncer com efeitos colaterais mínimos, como uma forma de imunoterapia. Para isso, o tratamento inédito exclui três genes que são apontados como responsáveis por diminuir a capacidade das células imunológicas de atacar a doença. "É a engenharia genética mais complicada que foi tentada até agora", afirma Dr. Edward Stadtmauer, líder do estudo e pesquisador da Universidade da Pensilvânia.

Sobre os resultados inicias, depois de dois a três meses do procedimento o câncer de um paciente continuou a se desenvolver, enquanto o do outro se estabilizou. A condição do terceiro paciente ainda não pôde ser avaliada, pois o processo ainda é muito recente. Mas, para melhor entender a segurança e eficiência do tratamento, a equipe espera tratar mais 15 pessoas.

"É muito cedo, mas estou incrivelmente encorajado por isso", disse Dr. Aaron Gerds, especialista em câncer da Cleveland Clinic, de Ohio, quando consultado sobre os resultados. Outras terapias celulares para alguns tipos de câncer "foram um enorme sucesso, pegando doenças incuráveis ​​e as curando." Para Gerds, a edição de genes pode ser mais uma dessas possibilidades.

O procedimento pioneiro modifica células do sangue para combaterem diferentes tipos de câncer

Entenda o tratamento

Cientistas chineses já tentaram um processo similar, mas este é o primeiro estudo do tipo nos Estados Unidos. E, para obter a aprovação dos órgãos reguladores do país para o experimento, a equipe médica levou mais de dois anos.

A edição de genes é uma maneira de alterar permanentemente DNA de um indíviduo para atacar e eliminar as origens de uma doença. Dentro desse processo, o CRISPR é uma ferramenta que corta o DNA em um local específico, e já tem sido muito utilizado em laboratórios de maneira experimental. No entanto, o estudo da Universidade da Pensilvânia não tem como objetivo alterar o DNA de uma pessoa; na verdade, procura modificar somente as células do sistema imunológico do paciente, que são tratadas e devolvidas prontas para combaterem o câncer.

Na primeira etapa, o sangue dos pacientes foi filtrado e dele foi removido um tipo específico de linfócitos, as células T, que são as grandes responsáveis pela resposta imunológica. Essas células foram então modificadas no laboratório e devolvidas ao corpo. Espera-se que essas células turbinadas devam se multiplicar, formando um exército dentro do corpo e agindo como uma espécie de "droga viva".

A boa notícia é que, até agora, as células sobreviveram e se multiplicaram como pretendido, conforme relata o médico Stadtmauer. Em comum no tratamento, todos os pacientes selecionados não obtiveram resposta positiva do organismo com os tratamentos padrões contra o câncer testados anteriormente.

Como “esta é uma terapia totalmente nova”, o pesquisador explica que não se sabe quando e com que rapidez os efeitos anticâncer poderão ser vistos. Dois dos pacientes têm mieloma múltiplo, um câncer no sangue que afeta a medula óssea, e o terceiro tem sarcoma, que é um tipo de câncer que se forma no tecido conjuntivo ou mole do corpo.

Os detalhes do projeto que busca tratar o câncer através de edição genética serão apresentados na conferência anual da Sociedade Americana de Hematologia, em dezembro.


Fonte: Canaltech

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