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Eder Jofre terá biografia em inglês lançada nos EUA neste mês

Gabriel Leão
·8 minuto de leitura
RIO DE JANEIRO, BRAZIL - DECEMBER 20: Former pugilist Eder Jofre accepts a homage during the ceremony of Brazil's Olympics award Premio Brasil Olimpico at the MAM Theater on December 20, 2010 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Buda Mendes/LatinContent via Getty Images)
Eder Jofre recebendo homenagem no Prêmio Brasil Olímpico de 2010 (Buda Mendes/LatinContent via Getty Images)

Neste mês será lançado o livro Eder Jofre: Brazil’s First Boxing World Champion (Eder Jofre: O Primeiro Brasileiro Campeão Mundial de Boxe, em tradução livre) nos EUA de autoria do cronista e historiador de pugilismo Christopher J. Smith. Jofre, 84, é tido por muitos especialistas e instituições como o maior peso-galo de todos os tempos, foi notório campeão nesta categoria, tendo o apelido de Galo de Ouro, e foi também campeão dos pesos-pena.

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Jofre é uma das principais figuras do pugilismo mundial, um nome que transcende o meio esportivo brasileiro sendo apontado como referência pelo lendário Mike Tyson. Em entrevista ao Yahoo Brasil, Smith fala do processo de produção de seu livro, a manutenção e conservação de nomes do passado na memória coletiva, o respeito por Jofre no exterior e planos para o futuro. A obra terá tradução para língua portuguesa programada para os meses seguintes. O livro é da editora Win By KO Publications, focada em pugilismo, e terá 605 páginas contando as façanhas no ringue e a vida familiar do mais notório membro do clã Jofre-Zumbano.

Yahoo Esportes: Como foi sua introdução ao mundo do pugilismo?

Christopher J. Smith: Quando jovem assistia pro-wrestling da WWE (World Wrestling Entertainment), mas ao ver boxe pela primeira vez percebi que era muito melhor e mais importante – era real! Me lembro de assistir algumas lutas com meu avô, e então boxe realmente se tornou meu esporte favorito quando Evander Holyfield superou Mike Tyson em 1996. O drama da vitória sofrida, e a vivência de Holyfield em si eram especiais, história pouco vistas nos esportes. Na época eu tinha 11 anos de idade, e então passei a colecionar todas as revistas e pedir livros de boxe como presentes de aniversário e natal, também assistia todas as lutas que podia. Além disso, ainda pedia por lutas antigas de outros colecionadores por meio das revistas.

O que atraiu sua atenção para Jofre e sua história?

Eu tinha o livro de recordes do Hall da Fama Internacional de Boxe, que tinha um perfil e o cartel de cada lutador membro do Hall da Fama. Notei Eder Jofre e vi que era do Brasil. Nunca tinha notado outros pugilistas do Brasil, logo, sendo um fã de boxe muito interessado em lutadores latino-americanos, fiquei curioso. Pesquisei vídeos de suas lutas, e tentei coletar o máximo de informação possível. Não fiquei desapontado com o que vi e encontrei.

Como foi o processo de pesquisa para seu livro?

Como dito, coletei vídeos e toda informação que pude, com o tempo eu tinha acesso à um considerável material e conhecimento sobre Jofre. Eu não estava pesquisando para um livro até que algumas pessoas me disseram que eu poderia considerar esta possibilidade. Eu realmente estava confiante de que ninguém no meio pugilístico de língua inglesa tinha o tanto de informação sobre Jofre que eu tenho, e senti que valia a pena contar sua história. Também considero, que enquanto seu legado é grande, e as pessoas conhecedoras de pugilismo o consideram como um dos maiores de todos os tempos, ele ainda é pouco lembrado e pouco apreciado. Gostaria de fazer minha parte para corrigir isto.

Eu tinha informações sobre todas suas lutas, me comunicava com sua família, e foi uma questão de tempo para preencher as lacunas, e expandir sobre algumas lutas e aspectos de sua vida. Eu tive a ideia detalhar sobre a interessante história da dinastia Jofre-Zumbano, e então, olhar com mais cuidado para detalhes de sua carreira profissional. Desde este ponto as coisas começaram a se encaixar e o livro se tornou maior do que minha primeira estimativa.

A língua de Jofre é o português e muito da informação sobre o mesmo é em tal idioma. Como trabalhou esta questão?

Contratei tradutores, trabalhei com vários arquivos jornalísticos, revistas antigas, tenho os livros Galo de Ouro e Gente traduzidos assim como também documentários sobre ele. Também falei com a família e obtive muitas informações sobre algumas de suas lutas com oponentes estrangeiros por meio de tradutores ou simplesmente alguém que falasse inglês.

Jofre não é americano ou oriundo das nações latinas mais tradicionais no boxe como México e Porto-Rico. Como abordou as editoras de livros sobre este atleta?

Creio que Jofre tem um reconhecimento quase universal como o maior peso-galo de todos os tempos e isto ajudou. Não há nada escrito sobre ele em inglês, e muita gente já ouviu falar dele, entretanto não o conhecem com profundidade. Eu esperei estar bem avançado no meu projeto e simplesmente perguntei se o livro seria interessante para ser publicado, a resposta foi positiva. Minha editora é focada em livros históricos de boxe com histórias detalhadas de figuras do pugilismo, sendo assim convencê-los a publicar um livro sobre o maior peso-galo da história foi viável para mim.

Capa do livro sobre Eder Jofre (Arquivo Pessoal)
Capa do livro sobre Eder Jofre (Arquivo Pessoal)

Jofre é tido como o maior peso-galo de todos os tempos. Como ele é visto pelo cenário e imprensa pugilísticos dos EUA? Como ele é retratado na mídia de forma geral?

Como dito anteriormente, as pessoas o conhecem, mas não com profundidade. Escutaram e viram coisas a respeito, mas nem todos são historiadores de boxe. Eu creio que aqueles que fazem suas pesquisas, ou assistiram suas lutas, o consideram em alta conotação. Algumas pessoas não estão familiarizadas com sua categoria ou sua época, então escutam a palavra de outros. Sabem que ele está ali como um dos maiores pesos-galo de todos os tempos, mas não compreendem plenamente o quão lendário é, independente de categoria de peso. Espero que este livro o ajude a alterar a visão tida sobre ele e que se torne uma referência para anos seguintes.

De maneira geral o Brasil tem pouco respeito por figuras do passado e seus feitos. Também há a dificuldade em produzir livros e filmes enquanto a mídia lhes é negligente. O que pensa acerca desta cultura?

Infelizmente, é o que ouvi, e vejo como uma infelicidade. Me parece que o público que se importa com as lendas do passado tem diminuído, e as pessoas superestimam o atual, praticamente desprezando o passado.

>> Ouça o 'Segunda Bola', o podcast do Yahoo com Alexandre Praetzel e Jorge Nicola

No seu ponto de vista, qual foi a atuação mais impressionante de Jofre em sua carreira?

É difícil dizer uma vez que a completa videografia de seu acervo foi perdida, mas creio que ao regressar (de aposentadoria) aos 37 anos de idade e ser capaz de derrotar um pugilista do calibre, do talento e com o alcance (de punhos) de José Legra foi um feito monumental. Também creio que ir para a Colômbia após 18 meses inativo, com muitos problemas para pesar no limite da categoria dos galos, mesmo assim tendo batido um oponente de alto nível, invicto e de um estilo não ortodoxo como Bernardo Caraballo foi uma grande vitória. Há também a destruição de John Caldwell pelo cinturão unificado da categoria que não pode ser colocada de lado. Se não fosse Jofre, é possível que Caldwell tivesse sido um grande campeão. Mas creio que se deve considerar a vitória na revanche com Jose Medel como sua mais brilhante atuação, tanto que estava em seu ápice. Medel vinha de ótima temporada, com vitórias ressonantes, e a primeira luta deles foi muito dura. Ao destroçar Medel em seis assaltos, Jofre mostrou que estava muito além dos outros. Não podemos esquecer, que Medel teria sido o melhor de sua geração, caso Jofre não adentrasse ao quadrilátero. Após sua segunda derrota para Jofre, Medel nocauteou (Masahiko “Fighting”) Harada, também derrotou Jesús Pimentel enquanto este estava nocauteando todos. Muitos acreditavam que Pimentel derrotaria Harada. Por estes motivos, aponto sua vitória na revanche com Medel como sua melhor performance.

Qual acredita que será o resultado de seu trabalho?

Espero que o livro sirva como referência sobre Eder Jofre. Que abra novos olhos para sua carreira e reafirme velhos conceitos sobre o mesmo. Também conduzirá as pessoas a valorizarem de fato o homem que foi fora dos ringues de boxe, e o tipo de família da qual vem. Espero que ajude a revigorar seu legado. Gostaria que quando as pessoas perguntarem: “Quão bom foi Eder Jofre?”, que indiquem meu livro para elas e que aprendam a apreciá-lo e coloca-lo sob o prisma que o coloco. Também desejo que volte olhares para esta época e para categorias mais leves de forma geral, uma vez que há grandes lutadores e grandes histórias para serem contadas, porém, como poucos falam inglês, há poucos ou até mesmo não há livros escritos sobre os mesmos no idioma, o que significa que dois dos principais mercados de boxe ficam de fora: EUA e Reino Unido.

Você tem outros projetos em seu futuro?

Estou trabalhando em um livro sobre Fighting Harada. Eu ainda não abordei isto na imprensa, mas estou muito envolvido nele. Tenho muito material que foi traduzido, e ainda tenho acesso direto ao Harada, e muitos outros personagens do Japão. Estou confiante, que assim como com Jofre, há pouquíssimos falantes de inglês no meio pugilístico com tantas informações sobre Harada. Também digo que os japoneses têm sido muito amigáveis comigo e solícitos em me ajudar para trazer Jofre e Harada para Los Angeles, e eu quero agradecer este afeto. No mais, Harada foi um lutador maravilhoso, um verdadeiro cavalheiro e merece ter sua história contada para além de seu país, onde é visto como um herói. Após Harada? Eu adoraria escrever com detalhes sobre Rubén Olivares, e também do meu amigo Carlos Zarate. A divisão dos galos é a minha favorita de todas, e creio que é justo dizer que estes pugilistas (Jofre, Harada, Olivares e Zarate) estão entre os melhores de todos. Também amo o período ao qual pertencem, sua geração, os desafiantes que surgiram ao longo dos anos, tal que eu realmente quero destacar tais boxeadores e sua geração para que os fãs de boxe sempre terem estas referências disponíveis.