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Economistas estão divididos sobre resposta de BCE ao coronavírus

Carolynn Look, Piotr Skolimowski e Harumi Ichikura
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Economistas estão divididos sobre resposta de BCE ao coronavírus

(Bloomberg) -- Economistas estão divididos se o Banco Central Europeu irá cortar os juros na próxima semana e seguir os passos de outras autoridades monetárias no combate ao maior choque para a economia global desde a crise financeira.

Mesmo depois que bancos centrais globais tomaram medidas para prevenir as consequências do surto de coronavírus, cerca de 60% dos economistas consultados pela Bloomberg acreditam que os diretores do BCE evitarão reduzir a taxa de juros, enquanto o restante prevê um corte.

Os entrevistados também estão divididos sobre o ritmo das compras mensais de ativos, uma ferramenta fundamental para apoiar a economia: embora a maioria não espere mudanças, alguns preveem que o volume de compras vai dobrar. As autoridades também poderiam oferecer condições mais generosas nos empréstimos de longo prazo a bancos.

A divisão entre economistas destaca um dos maiores enigmas do BCE: depois de quase seis anos de taxas de juros negativas e mais de 2,6 trilhões de euros (US$ 2,9 trilhões) em compras de títulos, autoridades da zona do euro têm menos espaço do que outros bancos centrais para proteger a economia. No entanto, investidores apostam que há 85% de chance de um corte na taxa de depósito.

O desafio da presidente do BCE, Christine Lagarde, é encontrar uma resposta eficaz que ajude empresas que enfrentam problemas nas cadeias de suprimentos, fechamento de fábricas e restrições de viagens, sem esgotar completamente todas as opções restantes. A promessa de encontrar “medidas apropriadas e direcionadas” sugere que governos estarão prontos para anunciar pelo menos algumas decisões de menor impacto após a reunião na quinta-feira.

“A reunião da próxima semana será o primeiro teste para Christine Lagarde e suas habilidades de comunicação”, disse Carsten Brzeski, economista-chefe do ING, em Frankfurt. “O desafio mais amplo para o BCE é que preferiria esperar, pois sabe que nenhum alívio monetário adicional isolado vai curar ou parar o vírus.”

As consequências da epidemia começam a se infiltrar na economia. As fábricas da zona do euro enfrentam atrasos generalizados das entregas e forte queda das encomendas no exterior. A Comissão Europeia alertou que o surto ameaça mergulhar a França e a Itália em recessão. As perspectivas para a Alemanha, onde o setor de manufatura está em desaceleração há mais de um ano, não são muito melhores.

Quase todos os participantes da pesquisa projetam que o BCE vai cortar a estimativa de crescimento para 2020. Os economistas veem chance de 40% de que a zona do euro entre em recessão este ano, e a maioria prevê que a recuperação da epidemia começará apenas no terceiro trimestre.

Após a decisão de política monetária da semana que vem, Alastair Winter, consultor econômico da Global Alliance Partners, espera ouvir “muitas palavras tranquilizadoras que ocultam o pouco espaço para ação”.

A taxa de básica de juros do BCE, negativa em 0,5%, já é a segunda mais baixa do mundo, e os efeitos colaterais começaram a aparecer: tanto que até alguns dos maiores defensores da política monetária de afrouxamento sinalizaram que seriam contra outro corte.

“Qualquer ação seria apenas uma tentativa de mostrar que o BCE ainda é capaz de agir”, disse Alexander Koch, economista da Raiffeisen, em Zurique. “Não teria efeito nenhum.”

Ainda assim, economistas esperam corte dos juros no primeiro semestre deste ano, uma medida que seria revertida em 2021.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

Repórteres da matéria original: Carolynn Look Frankfurt, clook4@bloomberg.net;Piotr Skolimowski Frankfurt, pskolimowski@bloomberg.net;Harumi Ichikura London, hichikura@bloomberg.net

Para entrar em contato com os editores responsáveis: Paul Gordon, pgordon6@bloomberg.net, Jana Randow, Alaa Shahine

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