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Economistas erram na pandemia e põem em xeque modelo de projeção

·6 min de leitura
**Arquivo**SÃO PAULO, SP, 29.04.2020 - Lojas da região da 25 de Março, maior centro comercial do país a céu aberto, no centro de São Paulo, fechadas na pandemia do Coronavírus; varejistas aguardam orientações oficiais sobre protocolos para reabertura. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
**Arquivo**SÃO PAULO, SP, 29.04.2020 - Lojas da região da 25 de Março, maior centro comercial do país a céu aberto, no centro de São Paulo, fechadas na pandemia do Coronavírus; varejistas aguardam orientações oficiais sobre protocolos para reabertura. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

SÃO PAULO, SP, RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Instituições e economistas do setor público e privado, no Brasil e em outros países, tiveram dificuldade em projetar o comportamento da economia neste segundo ano da pandemia de Covid-19.

Em 2020, a crise sanitária levou a uma surpresa negativa principalmente nos dados do PIB (Produto Interno Bruto). Em 2021, a questão central foram os índices de preços, com uma inflação inesperada, também ligada à pandemia.

A crise sanitária provocou gargalos de fornecimento, alterações de preços de insumos e mudanças nas cestas e nos padrões de consumo que colocam em xeque os modelos de projeções utilizados por economistas e autoridades públicas.

Também levou governos a adotarem programas de estímulos em níveis nunca vistos nas últimas décadas, provocando distorções em decisões de investimento e poupança.

No final do ano passado, a expectativa geral era de um crescimento econômico mundial neste ano menor do que o estimado atualmente. O avanço da vacinação, mesmo que problemático em muitos países, e a reabertura de várias atividades mudaram esse panorama. Levaram a um otimismo no início do segundo semestre, que agora começa a ser parcialmente revertido.

O maior erro, no entanto, foi que praticamente ninguém esperava --nem os bancos centrais-- uma volta tão forte e persistente da inflação. Nem a necessidade de reversão de diversas medidas de estímulo, inclusive com uma onda de aumento das taxas de juros em diversos países.

No caso brasileiro, tanto a inflação como a taxa básica de juros devem fechar o ano em um patamar que é praticamente o triplo do que era esperado no final do ano passado.

O cenário em dezembro de 2020 era de um crescimento de 3,4% para a economia, com inflação de 3,3% e uma taxa básica de juros (Selic) de 3% ao final de 2021, considerando os economistas que participam da pesquisa Focus do Banco Central.

Essas estimativas não diferem muito daquelas feitas pelo Banco Central e Ministério da Economia para PIB (Produto Interno Bruto) e inflação. Nem daquilo projetado pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) para crescimento.

Projeções e dados mais recentes mostram que o PIB deve avançar cerca de 4,5%, com um IPCA próximo de 10% e a Selic de 9,25% ao ano.

Arte HTML5/Folhagráfico/AFP https://arte.folha.uol.com.br/graficos/ldBjN/ *** O BC chegou a projetar no final do ano passado um cenário alternativo de inflação a 6,4% em "uma situação de significativa deterioração da percepção sobre a situação fiscal" do país em 2021, utilizando como referência as variações de câmbio e risco país de 2014 a 2016, no final do governo Dilma Rousseff. A situação atual, no entanto, se mostrou pior.

Bancos centrais de outros países, inclusive dos EUA, também passaram boa parte do ano argumentando que a inflação era transitória, ligada a gargalos provocados pela pandemia que deveriam se dissipar ainda em 2021, mas já mudaram seus discursos e começaram a rever suas políticas monetárias.

As expectativas de inflação do FMI foram de 1,3% para 2,8% nos países avançados e de 4,2% para 5,5% nos emergentes, segundo a estimativa mais recente, de outubro.

Marco Caruso, economista-chefe do banco Original, afirma que os modelos de projeção utilizam algumas variáveis que não podem ser observadas, apenas estimadas, como hiato do produto (diferença entre o PIB observado e seu potencial) e juro neutro.

Segundo ele, a sequência de crises econômicas pelas quais o país passou na última década somada às incertezas trazidas pela pandemia fazem com que seja necessário duvidar um pouco mais dessas variáveis.

É possível, por exemplo, que a taxa neutra de juros tenha se tornado mais alta. Com isso, afirma, talvez a taxa Selic de 2% ao ano adotada durante boa parte da pandemia fosse muito mais estimulativa que o projetado à época.

Isso levaria, consequentemente, a uma inflação mais elevada no horizonte em que os efeitos do juros são sentidos de forma mais intensa, em geral, após cerca de nove meses --o BC começou a elevar os juros em março deste ano.

"A incerteza é tão grande que eu preciso duvidar um pouco mais do meu modelo básico. Talvez tenha de dar mais peso para modelos alternativos, que levam em conta mudanças de cestas [de consumo], persistência maior de choques etc.", afirma Caruso, cuja instituição está no ranking do BC dos economistas que mais acertaram projeções de inflação.

Ao longo de 2021, parte das projeções do mercado financeiro também se descolou dos indicadores de produção industrial, vendas do varejo e volume do setor de serviços divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em parte, economistas atribuem a frustração das estimativas à pandemia, que espalhou incertezas e trouxe volatilidade para os modelos estatísticos das pesquisas. Houve ainda o impacto adicional na atividade econômica causado pela sucessão de turbulências políticas.

Com os episódios de tensão protagonizados pelo governo Jair Bolsonaro (PL), o dólar ganhou força no país, gerando reflexos na economia real que não apareciam no radar do mercado inicialmente.

Entre eles, está a pressão maior do câmbio sobre a inflação, que já vinha sendo impactada pela sucessão de choques de oferta na pandemia.

A escalada inflacionária é apontada como um dos motivos para a perda de fôlego da atividade econômica nos últimos meses.

"De fato, a pandemia acabou distorcendo padrões. Você perde aquela relação sazonal, o padrão histórico. Isso demora um pouco até ser ajustado. Estatisticamente, ficou mais difícil projetar", avalia o economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating, Alex Agostini.

"Internamente, a gente tem de lembrar que há volatilidade do ambiente político. Ainda que a gente tenha algum cenário pronto, o ambiente político muito conturbado está afetando as expectativas."

Em outubro, período mais recente com dados disponíveis, analistas estimavam alta de 0,8% na mediana para a produção industrial, conforme levantamento da agência Bloomberg. O resultado divulgado pelo IBGE foi de queda de 0,6% no mês.

Nas vendas do varejo, a situação foi semelhante. Analistas projetavam avanço de 0,7%, mas o resultado apontou recuo de 0,1%. Em setembro, a previsão para o comércio era de queda de 0,6%, mas a baixa veio mais intensa, de 1,3% (o IBGE já revisou o dado para -1,1%).

Parte das estimativas para o setor de serviços também seguiu por esse caminho. Analistas consultados pela agência Reuters projetavam variação positiva de 0,1% em outubro. O número do IBGE, entretanto, apontou queda de 1,2%.

"Nenhum analista, por mais pessimista que estivesse no começo do ano, conseguia ver uma inflação beirando os dois dígitos ao final de 2021", comenta o economista-chefe da gestora AZ Quest, Alexandre Manoel.

"É claro que o ambiente político não ajudou. Mas a causa principal para os erros de projeções foi a inflação, vinda de choques sucessivos de oferta", acrescenta.

Para Caruso, do banco Original, 2022 deve gerar novos desafios para as projeções. "A gente vai ver um efeito dos juros mais altos retraindo a atividade, além da incerteza do ano eleitoral. Do lado do consumo, o Auxílio Brasil tende a ser um programa robusto. A transferência de renda, quando é permanente, costuma virar consumo. Quando é temporária, poupança", completa.

O economista Piter Carvalho, da Valor Investimentos, também enxerga um cenário de incertezas em 2022.

"Os analistas estão no seu papel, tentando fazer projeções. Quem tem um discurso discrepante é o governo federal, que não enxerga o PIB [Produto Interno Bruto] caindo, que não vê a fome nem o desmatamento."

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