Economista vê juro baixo até fim de mandato de Dilma

O economista, ex-diretor do Banco Central, Mário Mesquita afirmou que "os juros reais baixos vieram para ficar até o fim do mandato da presidente Dilma Rousseff em 2014 ou 2018." Segundo ele, essa taxa, descontada a inflação, deve variar de 2% a 4%. "Há mais dúvidas sobre a variação da taxa de juros nominal", ponderou.

Segundo Mesquita, o PIB no Brasil deve fechar no próximo ano entre 3,5% e 4%. Ele estima que o IPCA deve subir em 2012 e 2013 ao redor de 5,5%. "Nesse contexto, a Selic deve ficar estável pelo menos até o final do ano que vem", ponderou.

Mesquita disse ainda que, "se juros tiverem que subir, isso deverá ocorrer só no início de 2014". "O uso dos juros não seria instrumento prioritário para o governo conter a inflação. Seriam utilizadas também medidas macroprudenciais, com foco no crédito, e até a taxa de câmbio", ponderou. "Câmbio ao redor de R$ 2,00 é o mais provável para 2013", comentou.

Para o economista, a reeleição do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ajuda a manter no Brasil os juros baixos no longo prazo. Segundo ele, com o resultado das urnas americanas, é provável que o sucessor do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, que assumiria o cargo em 2014, desejará manter a política monetária acomodatícia por um longo período, a fim de ajudar o nível de atividade naquele país a se recuperar.

Nesse contexto internacional, ele acredita que as taxas de juros nominais muito pequenas nos EUA colaborariam para que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantivesse as taxas reais em níveis por um horizonte de tempo prolongado.

Bancos

O ex-diretor do BC afirmou ainda que "há pressão sobre bancos pequenos e médios" no Brasil, em função dos efeitos da crise internacional sobre o País, que causa impactos no fluxo de liquidez do sistema financeiro nacional. Ele citou que esses feitos ocorrem, "haja vista a decisão do BC de compra de ativos", destacou, referindo-se a medidas adotadas nesta quinta-feira (8) pela autoridade monetária.

O BC alterou ontem regras de compulsórios sobre depósitos a prazo, que teria como foco incentivar o uso das Letras Financeiras e adequar a norma ao crescimento natural do patrimônio dos bancos, levando em conta sua rentabilidade nos últimos dois anos. O BC ressaltou que a ação não tem como meta auxiliar instituições com problemas de liquidez.

As declarações de Mesquita foram feitas no painel "Juros Baixos no Brasil - Efeito temporário ou permanente?", no 4º Western Asset Debates.

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