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Economista do Rabobank vê espaço para real apreciar, mas aponta 2° semestre mais difícil para o câmbio

Notas de reais e dólares

Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar tem potencial para cair a até cerca de 5,05 reais nos próximos meses, mas deve ter um repique no segundo semestre diante da discussão do arcabouço fiscal no Brasil e de mudanças esperadas no panorama externo, disse Maurício Une, economista sênior do Rabobank para América do Sul, em entrevista.

"Achamos que ao longo dos próximos meses esse câmbio continua ainda com potencial de apreciação aos 5,05 reais e 5,10 reais", afirmou Une à Reuters. O dólar operava em queda de cerca de 0,8% nesta terça-feira, ao redor da casa dos 5,15 reais na venda.

Na visão do economista, investidores, em geral, ainda buscam entender a agenda econômica do novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva para o médio e longo prazo, em especial sobre a sustentabilidade fiscal e a estabilização da dívida pública.

Une espera respostas mais claras sobre esses temas ao longo desta primeira metade do ano, com anúncios de um arcabouço fiscal e potencialmente de uma reforma tributária, além de um melhor entendimento da dinâmica entre a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Autoridades, em especial Haddad, vêm colocando uma reforma tributária como prioridade do governo, o que anima investidores, ainda que com cautela sobre como o texto sairá na prática. O ministro afirmou na semana passada que a ideia é aprovar uma mudança em tributos que incidem sobre o consumo ainda neste semestre e votar alterações no Imposto de Renda na segunda metade do ano.

Para Une, porém, a maior influência para esse movimento favorável ao câmbio local nos primeiros meses do ano deve vir do exterior, diante de perspectiva do fim de alta de juros nos Estados Unidos --o banco vê mais duas altas de 0,25 ponto percentual, até o nível de 4,75% a 5,00%--, reabertura da China e sustentação de preço de commodities. Une mencionou especificamente o petróleo e, com relação às commodities agrícolas, milho, soja e café.

Segundo o economista do Rabobank, banco com sede na Holanda, esse quadro externo também é o fator predominante para a entrada de recursos estrangeiros no Brasil, uma vez que o investidor de fora do país ainda vê a cena local "entre otimista e em compasso de espera". O dólar acumulava queda de cerca de 1,49% ante a divisa brasileira em 2023 até a véspera, e muitos analistas citaram a influência positiva de fluxos vindos de fora.

VOLATILIDADE E DÓLAR FORTE

Depois de um primeiro semestre mais positivo, o economista do Rabobank alerta para uma potencial reversão de cenário no câmbio no restante de 2023, fruto de fatores domésticos e externos, e projeta o dólar próximo de 5,30 reais no final do ano.

Internamente, segundo ele, o debate sobre o arcabouço fiscal deve gerar volatilidade.

No final do ano passado, o Congresso deu aval a uma emenda constitucional que permitiu ao governo aumentar o teto de gastos neste ano em 145 bilhões de reais para o pagamento do Bolsa Família, além de garantir recursos para outros gastos. O texto prevê a necessidade de Lula enviar aos congressistas até o final de agosto um novo projeto de regra fiscal, diante da intenção do governo de acabar com a atual âncora, que limite o crescimento das despesas totais à variação da inflação.

"Haddad deve estar divulgando esse novo arcabouço fiscal provavelmente até o final do primeiro semestre, mas é ao longo do segundo semestre que vamos ter a discussão, e isso sempre trás um pouco de apreensão, que deve ser espelhada pelo câmbio", disse Une. "Vai ter uma pouco mais de volatilidade no segundo semestre", completou.

Entre os pontos para se prestar atenção no debate sobre o arcabouço fiscal, o economista lista a mecânica da nova regra e a facilidade de sua implementação, bem como possibilidade de criar exceções à norma.

Nos mercados internacionais, Une vê uma alta limitada dos juros na Europa, já que prevê uma inflação na zona do euro "melhor equacionada" no segundo semestre. "A taxa de juros na Europa não consegue subir muito porque a economia não estava tão pujante quanto a economia norte-americana", disse ele, citando ainda impactos da guerra na Ucrânia.

Como o Rabobank não espera um recuo nos juros pelo Federal Reserve ainda em 2023, Une projeta "uma mudança de fluxo da Europa em relação aos EUA", favorecendo o fortalecimento da moeda norte-americana.