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Economia do Reino Unido afunda com contração, inflação, greves

(Bloomberg) -- A Grã-Bretanha, sob o primeiro-ministro Boris Johnson, enfrenta suas maiores adversidades desde a década de 70 e ainda sofre com os impactos do Brexit e da pandemia.

Depois de choques sem precedentes nos últimos anos, o país sucumbe a problemas mais duradouros, com crescimento lento, inflação crescente e uma série de greves.

O resultado é um mergulho na confiança do consumidor que os analistas alertam pode levar a uma recessão. Trabalhadores ferroviários na semana passada paralisaram o trabalho indignados com a queda em seu padrão de vida, e os advogados criminalistas entraram em greve na segunda-feira. Professores e médicos podem ser os próximos.

O mal-estar está muito longe do boom e da boa reputação de que o governo de Tony Blair desfrutou no início deste século.

Os principais indicadores traçam um quadro sombrio. A economia caminha para uma contração no segundo trimestre, levantando a possibilidade de que o Reino Unido já esteja em recessão. Mesmo quando o panorama parecia melhorar, as autoridades estimaram que o crescimento ficaria abaixo da média de 1,8% ao ano, sem fim à vista para a produtividade fraca que aflige o país há mais de uma década.

Embora o crescimento esteja a caminho de ficar atrás da maioria das principais economias no próximo ano, a inflação também está em alta. Os preços ao consumidor subiram 9,1% no ano até maio, a maior taxa em 40 anos.

O Banco da Inglaterra espera que a inflação acelere novamente quando as contas de energia aumentarem no outono, atingindo mais de 11%.

É um golpe para o Reino Unido, que liderou o mundo em crescimento após a pandemia, e lembra os dias sombrios das décadas de 60 e 70, quando comentaristas e políticos identificaram a Grã-Bretanha como o país-problema na Europa por causa de seu desempenho.

Esses números ofuscam problemas estruturais mais profundos que atrapalham o Reino Unido. O principal deles é o crescimento da produtividade, que desacelerou após a crise financeira de 2008 e 2009. Apenas a Itália teve um desempenho pior.

O quanto um trabalhador pode produzir é importante porque impulsiona o potencial de longo prazo da economia. A baixa produtividade limita o ritmo em que a produção pode crescer e deprime os salários. Os salários reais levaram anos para se recuperar aos níveis de 2007 após o colapso financeiro.

Uma hora de trabalho no Reino Unido gera cerca de US$ 60, de acordo com a OCDE, contra mais de US$ 70 nos EUA e cerca de US$ 67 na França e na Alemanha. Economistas e formuladores de políticas debatem as causas do mal-estar, mas dizem que consertá-lo é crucial para que a Grã-Bretanha saia do buraco.

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