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Economia peruana sai da recessão, mas enfrenta grandes desafios

·4 minuto de leitura
O PIB do Peru

A economia peruana saiu formalmente da recessão, após um crescimento recorde de 41,9% no segundo trimestre, mas enfrenta grandes desafios devido às turbulências políticas e aos efeitos da pandemia, alertam especialistas.

"Há muita incerteza, o que torna difícil fazer projeções quanto ao crescimento econômico ou à recuperação do emprego", resumiu para a AFP o economista independente Jorge González Izquierdo, em alusão às disputas entre o governo de esquerda de Pedro Castillo, que assumiu o cargo há quase um mês, e a oposição de direita, que controla o Congresso.

Estas disputas já custaram o cargo do chanceler Héctor Béjar e há rumores de novas mudanças no gabinete.

Com as tensões da campanha eleitoral e os temores frente às políticas de Castillo, a taxa de câmbio aumentou para um recorde de 4,1 soles, de 3,62 soles em dezembro.

A bolsa de Lima também sentiu a incerteza e os temores de uma guinada brusca ao socialismo após três décadas de modelo liberal: acumula perdas de 22,1% este ano, embora tenha tido um "repique" de 4,37% nesta segunda, devido a boatos de que outros ministros questionados pela oposição deixariam o governo.

O novo governo peruano enfrentará na quinta-feira um grande teste no Congresso, quando todo o gabinete deverá comparecer ao plenário para um voto de confiança, imprescindível para continuar com os trabalhos, como prevê a Constituição.

Se o Parlamento o negar, Castillo deverá nomear outro primeiro-ministro, em substituição ao engenheiro esquerdista Guido Bellido, e reformar o gabinete de 19 membros.

Neste caso, o novo gabinete deveria comparecer perante o Congresso dentro de um mês em busca de um voto de confiança, o que estenderia por mais tempo a incerteza.

- "Crescimento frágil" -

Com 41,9% de crescimento do PIB no segundo trimestre, a economia do Peru acumulou dois trimestres consecutivos no azul em 2021. No primeiro trimestre do ano, cresceu 3,8%.

Mas esta expansão no segundo trimestre se compara ao mesmo período de 2020, quando a atividade estava praticamente paralisada pelas restrições à circulação adotadas para conter a covid-19.

"É um efeito rebote, é preciso olhar para outros indicadores: como estamos crescendo em relação a 2019 e com números dessazonalizados", aponta o ex-ministro do Trabalho González Izquierdo.

"No primeiro semestre deste ano, em relação ao primeiro semestre de 2020, a economia peruana cresceu -0,1% [ou seja], não cresceu. E em termos dessazonalizados, no mesmo período o crescimento foi zero", explica.

Além disso, "o processo de recuperação do emprego ainda é frágil [...] e em matéria de renda per capita, ainda estamos muito longe do nível que se tinha em 2019", antes da pandemia, acrescenta. Em 2020, a renda per capita no Peru caiu 13%, segundo o Banco Mundial.

"Com base nestes três indicadores [crescimento em relação a 2019, emprego e renda per capita], eu digo que o processo de recuperação da economia peruana é frágil, é inconsistente", afirma González Izquierdo.

- "Uma fragilidade do governo" -

Este diagnóstico duro é compartilhado por outros economistas.

"É magnífico que o PIB se recupere. Mas como as pessoas se beneficiam desta recuperação, quando os números de emprego e salário não são satisfatórios? Nestes dois indicadores não estamos perto dos níveis pré-pandemia", adverte à AFP o economista e acadêmico Hugo Ñopo.

"Hoje, as pessoas trabalham em empregos mais precários e (recebem) salários mais baixos. Corre-se o risco de se orgulhar de um feito macroeconômico que não se traduz em bem-estar nos lares", diz, destacando que "os investimentos produtivos ocorrem de forma mais lenta".

"Uma limitação deste investimento é a disputa entre o Legislativo e o Executivo, mas também falta solidez técnica ao Executivo. Essa é uma fragilidade do governo e os investidores se fixam nestes momentos em que o presidente optou em colocar figuras políticas em cargos de produção. E isso não parece uma boa ideia", assegura Ñopo.

- "Vêm tempos mais difíceis" -

"Saímos da recessão porque voltamos de uma situação prévia terrível, que é a queda de 2020. Vêm tempos mais difíceis por várias razões: o investimento privado está totalmente paralisado, não há nenhum investimento", adverte o economista e acadêmico Guido Pennano em declarações à AFP.

Além disso, acrescenta, "os preços dos alimentos em nível internacional vão subir pela seca no Canadá, que afeta o Peru porque é nosso principal abastecedor".

"A isso se soma a incerteza de como o governo vai gerenciar a provável terceira onda da pandemia porque já estão falando em medidas de controle das atividades produtivas", conclui Pennano, que foi ministro da Indústria.

fj-ljc/mr/mvv

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