Economia peruana atrai grupos brasileiros

A subsidiária peruana do Grupo Tigre deverá registrar neste ano um aumento de 20% do seu faturamento, a maior taxa de crescimento entre os dez países, incluindo o Brasil, onde o maior fabricante brasileiro de tubos e conexões tem operações. Tamanho êxito está levando o grupo a investir US$ 32 milhões no país vizinho em 2013, incluindo a construção de uma nova fábrica na região da capital Lima.

Ao longo dos últimos dez anos, o Peru juntou-se ao Chile como o mais novo modelo econômico de sucesso na América do Sul e está atraindo cada vez mais investimentos de empresas brasileiras, em busca de um mercado consumidor robusto e em rápida expansão.

"O sucesso do Peru é resultado de uma combinação de fatores: uma economia estável, inflação sob controle e juros que permitem fazer investimentos com bom retorno, além da disponibilidade grande de crédito", disse à Agência Estado o presidente da Tigre, Evaldo Dreher. A unidade peruana, em operação desde janeiro de 2008, já é responsável pelo quarto maior faturamento do grupo.

O Produto Interno Bruto (PIB) peruano deverá crescer 6% neste ano, segundo estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), a maior taxa de expansão entre os países sul-americanos. De 2001 a 2011, o país cresceu em média 5,8% ao ano, enquanto a inflação média anual foi de 2,5%, conforme dados do banco central daquele país. O investimento bruto fixo da economia peruana passou de 18,6% do PIB em 2001 para 24,1% em 2011, depois de atingir o pico de 25,9% em 2008. O investimento estrangeiro direto, que atingiu 4,3% do PIB em 2011, deve ficar ao redor de 4% neste ano.

"O Peru fez ajustes macroeconômicos muito importantes ao longo da última década", diz o economista-chefe para América Latina do banco HSBC, André Loes. "O país tem um ambiente de negócios muito acolhedor e uma economia bastante competitiva com custos baixos de produção, além de perseguir contas fiscais equilibradas, com superávits nominais há vários anos". Além de escolhas acertadas de política econômica, o Peru foi beneficiado por um ciclo favorável de preços e de demanda de commodities.

Em momentos de desaceleração da economia global e um esfriamento da demanda por commodities, um maior grau de abertura da economia e um ambiente mais acolhedor aos negócios deixaram o país andino mais resiliente aos efeitos negativos da crise mundial, ressaltou Loes, citando, como exemplo, a boa colocação do Peru no ranking do Banco Mundial de países onde é mais fácil a abertura de empresas e a realização de operações comerciais. No relatório "Doing Business" de 2012, do Banco Mundial, o Peru ficou em 41º lugar entre 183 países onde o ambiente regulatório, tributário e burocrático é mais ou menos acolhedor para a implantação e operação de novas empresas. Na América Latina, apenas o Chile teve uma colocação melhor: 39º lugar. O Brasil ficou em 126º. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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