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Economia no limite e governo mais difícil que 2003: o que imprensa financeira diz sobre Lula eleito

Lula no discurso da vitória
Lula no discurso da vitória

O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) terá pela frente mais dificuldades em governar do que em 2003, quando assumiu seu primeiro mandato. A avaliação é da revista britânica The Economist, comentando a vitória do petista na eleição de domingo (30/10).

Para o jornal financeiro britânico Financial Times, Lula enfrentará "divisões profundas e finanças no limite".

Já para o americano Wall Street Journal, "o maior país da América Latina está apostando novamente no populismo de esquerda que fracassou tantas vezes no passado".

Essas foram algumas das reações dos principais veículos financeiros internacionais diante da eleição brasileira. Os artigos foram escritos antes de haver qualquer manifestação por parte do presidente derrotado, Jair Bolsonaro (PL).

Para a Economist, a "polarização perdurará após a posse de Lula em 1º de janeiro" apesar da promessa feita em seu discurso de vitória de governar para todos os brasileiros.

Resultados
Resultados

"Mas a guerra pode ser alimentada pelo número inédito de bolsonaristas eleitos para o Congresso em 2 de outubro. O Partido Liberal de Bolsonaro é agora o maior em ambas as casas do Congresso e um bloco de partidos conservadores e aliados está perto de obter maioria", afirma a revista, em artigo não-assinado em seu site.

"Embora as propostas de políticas tenham ficado em segundo plano durante a campanha, Lula disse que sua principal prioridade é aumentar os gastos para aliviar a pobreza, o que exigirá reformas econômicas complicadas. Nas próximas semanas, ele buscará construir alianças com partidos centristas."

Para o Economist, "é uma boa notícia que representantes de outras instituições foram rápidos em reconhecer a vitória de Lula, incluindo Arthur Lira, chefe da Câmara dos Deputados e um forte aliado de Bolsonaro".

"Os defensores da democracia brasileira esperam que Bolsonaro não siga os passos de Donald Trump, falsamente acusando fraude e incitando seus apoiadores a se manifestarem. Por enquanto, esses apoiadores estão esperando ouvir de seu líder. O Brasil seguirá tenso por algum tempo ainda."

Agronegócio e evangélicos

O Financial Times também destaca as eventuais dificuldades de Lula para governar e a margem apertada de sua vitória sobre Bolsonaro.

"Em vez de um retorno triunfante e arrebatador, a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais brasileiras na noite de domingo foi um processo lento e tenso. Seu governo promete ser ainda mais difícil", escreve o artigo assinado por Michael Stott, editor de América Latina do Financial Times.

"Não fosse por uma série de erros cometidos por Bolsonaro e seus apoiadores nos últimos dias da campanha, incluindo uma de seus aliados em vídeo brandindo uma pistola pelas ruas de São Paulo perseguindo um homem negro, as forças da direita nacionalista do Brasil poderiam ter vencido", afirma o jornal.

"O resultado foi um alerta sobre quão profundamente o Brasil mudou, não apenas nos quatro anos de Bolsonaro, conhecido como 'Trump tropical', mas nas últimas duas décadas. A surpreendente ascensão das igrejas evangélicas é um elemento; seu rebanho agora inclui quase um em cada três brasileiros."

"A influência lobista do agronegócio, que responde por quase 30% do Produto Interno Bruto, é outra. Ambos são fortes impulsionadores do conservadorismo social e do capitalismo do Estado pequeno. Nada disso desaparecerá em um governo Lula."

O Financial Times também afirma que Lula terá dificuldades para cumprir suas metas de desmatamento da Amazônia. Em seus dois primeiros mandatos, houve uma queda de dois terços no desmatamento, mas agora, segundo o jornal britânico, "Bolsonaro esvaziou as agências responsáveis pela fiscalização ambiental, cortando orçamentos e nomeando aliados para dirigi-las. Madeireiros, grileiros e pecuaristas foram encorajados sob seu governo a desmatar dezenas de milhares de hectares de terras agrícolas, enquanto garimpeiros ilegais operam em escala industrial".

'Foro de São Paulo'

O jornal americano Wall Street Journal destaca que "Lula cofundou o Fórum de São Paulo, de extrema esquerda, com Fidel Castro, e se une a aliados ideológicos que governam Chile, Argentina, Peru, Bolívia, Colômbia e Venezuela".

O Wall Street Journal afirma que "a história desse político astuto de 77 anos" sugere "que ele usará todas as alavancas de poder que puder para alcançar os sonhos socialistas que sempre almejou".

- Texto originalmente publicado em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63453816