Mercado fechado

Economia mundial deixa lentamente o abismo da pandemia

·4 minutos de leitura
Logo do FMI em Washington. Foto tirada em 27 de março de 2020
Logo do FMI em Washington. Foto tirada em 27 de março de 2020

A recessão causada pela pandemia será menos severa do que o esperado em 2020 graças à abertura de algumas economias avançadas, embora a reativação perca força, alertou o Fundo Monetário Internacional nesta terça-feira (12). 

O FMI espera uma contração do PIB mundial de 4,4% neste ano, abaixo da estimativa de junho, de 5,2%. 

O novo coronavírus deixa mais de 1,07 milhão de mortes no mundo. Na Europa, França, Espanha e Inglaterra, diante de uma nova onda de infecções, multiplicam-se as medidas para evitar um confinamento generalizado, que pode ser devastador para a economia. 

"Viver com o novo coronavírus é um desafio diferente, mas o mundo se adapta", considerou a economista-chefe da agência, Gita Gopinath, em um blog que acompanha o último relatório de previsão econômica global (WEO) do FMI. 

A revisão em alta reflete dados econômicos melhores do que o esperado no segundo trimestre, particularmente em economias desenvolvidas da Europa, nos Estados Unidos e na China, o berço do vírus. 

Todas as regiões do mundo parecem ter um desempenho melhor do que o esperado, mas as economias emergentes e em desenvolvimento como um todo caem na exceção: para elas, a previsão piorou para um declínio coletivo de 3,3% em 2020. 

O PIB dos Estados Unidos, maior economia mundial, cairá 4,3%, abaixo dos 8% estimados anteriormente, enquanto a economia da zona do euro recuará 8,3%. 

"No entanto, esta crise está longe de terminar", advertiu Gopinath. 

Diante da imensa incerteza, o FMI mais uma vez revisou para baixo a expectativa de recuperação para 2021 (+5,2%, -0,2 pontos). 

"A recuperação provavelmente será longa, desigual e incerta", resumiu a economista, retomando termos já usados pelo organismo internacional. 

Em relação à previsão anterior de junho, "a perspectiva piorou consideravelmente em alguns países emergentes e em desenvolvimento, onde as infecções estão aumentando rapidamente". 

Após a contração histórica de 2020 e a esperada reativação em 2021, o nível do PIB mundial deve ser um pouco superior ao de 2019, detalhou o Fundo. 

A agência estima que, no médio prazo, as perspectivas serão medíocres, pois o distanciamento social provavelmente persistirá até o final de 2022, o que impede uma verdadeira recuperação. 

Além disso, não se pode excluir um cenário pior, com a intensificação das infecções combinada com a desaceleração dos avanços na busca por tratamentos e vacinas, obrigando as autoridades a tomarem medidas mais duras.

- 28 trilhões em perdas -

Nesse contexto, é difícil para a economia mundial retornar à trajetória esperada antes da pandemia. 

O FMI estima que a perda cumulativa do PIB para 2020-2025 será de cerca de 28 trilhões de dólares, 11 trilhões somente em 2020-2021. 

"É um sério revés para a melhoria do padrão de vida" da população, alertou Gopinath. 

Assim como o Banco Mundial, o FMI teme que essa crise encerre o progresso feito desde a década de 1990 na redução da pobreza no mundo e que a desigualdade esteja crescendo. 

O fechamento das escolas, um sacrifício para gerações inteiras, acrescenta "mais um desafio". 

O volume de comércio de bens e serviços no mundo vai cair, e embora a queda seja menor que a esperada em 2020 e haja uma retomada em 2021, o número também é significativo para esse motor de crescimento: uma redução de 10,4% neste ano nos intercâmbios comerciais.

"Estes são tempos difíceis, mas há espaço para esperança", acrescentou a economista do FMI. 

"Os testes se intensificaram, os tratamentos estão melhorando e os testes de vacinas estão se desenvolvendo em um ritmo sem precedentes, alguns já no estágio final".

A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, vem insistindo há várias semanas que é fundamental que todas as inovações sejam produzidas em grande escala para o benefício de todos os países. 

"Este esforço deve incluir ajuda multilateral para distribuir doses (de vacinas) a todos os países a preços acessíveis", acrescentou Gopinath. 

Enquanto se espera por uma vacina, o FMI mais uma vez recomenda aos governos que mantenham a ajuda para os mais pobres e aumentem os gastos públicos com foco em projetos "verdes" geradores de mais empregos. 

As reuniões do FMI e do BM são realizadas em formato virtual de 12 a 18 de outubro de 2020.

Dt/mr/lda/cc/mr