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Economia dos EUA tem contração no 2° tri e dados não indicam recessão

Por Lucia Mutikani

WASHINGTON (Reuters) - A economia dos Estados Unidos contraiu a um ritmo mais moderado do que se imaginava inicialmente no segundo trimestre, uma vez que os gastos do consumidor amenizaram parte do impacto de um ritmo mais lento de acumulação de estoques, dissipando os temores de que uma recessão esteja em andamento.

Isso foi ressaltado por relatório do Departamento de Comércio desta quinta-feira, que também mostrou a economia crescendo de forma constante no último trimestre quando medida pelo lado da renda. Isso se encaixa com as recentes leituras sólidas sobre o mercado de trabalho, vendas no varejo e produção industrial.

O Produto Interno Bruto dos EUA encolheu a uma taxa anualizada de 0,6% no último trimestre, disse o governo em sua segunda estimativa do PIB. Essa foi uma revisão para cima ante o ritmo de declínio estimado anteriormente, de 0,9%. A economia teve contração de 1,6% no primeiro trimestre. Economistas consultados pela Reuters esperavam que o PIB fosse revisado ligeiramente para cima para mostrar queda de 0,8% na produção.

Embora as duas quedas trimestrais consecutivas do PIB atendam à definição padrão de uma recessão técnica, medidas mais amplas da atividade econômica sugerem um ritmo lento de expansão, em vez de uma contração.

Uma medida alternativa de crescimento, a Renda Interna Bruta, aumentou a uma taxa de 1,4% no segundo trimestre. A Renda Interna Bruta, que mede o desempenho da economia pelo lado da renda, cresceu 1,8% no primeiro trimestre.

Já o Produto Nacional Bruto, considerado a melhor medida da atividade econômica, cresceu 0,4% no período entre abril e junho, ante 0,1% no primeiro trimestre.

A economia segue em terreno mais firme. O núcleo das vendas no varejo veio bem mais forte do que o inicialmente relatado em maio, e essa força persistiu até junho e julho. A produção industrial atingiu um pico recorde em julho, enquanto os gastos das empresas com equipamentos foram sólidos. O mercado de trabalho continua a produzir empregos em ritmo acelerado.

O National Bureau of Economic Research, o árbitro oficial das recessões nos Estados Unidos, define uma recessão como "um declínio significativo na atividade econômica espalhado por toda a economia, com duração superior a alguns meses, normalmente visível na produção, emprego, renda real, e outros indicadores."

Mas o risco de uma recessão tem aumentado, à medida que o Federal Reserve eleva de forma agressiva a taxa de juros para esfriar a demanda e conter a inflação, azedando o sentimento das empresas e do consumidor. O banco central norte-americano elevou sua taxa básica de juros em 225 pontos-base desde março.

Um discurso do chair do Fed, Jerome Powell, na conferência anual de bancos centrais globais de Jackson Hole, em Wyoming, na sexta-feira, pode esclarecer se o banco central dos EUA conseguirá promover uma desaceleração econômica sem desencadear uma recessão.

(Reportagem de Lucia Mutikani)