Mercado abrirá em 7 h 13 min

Economia dos EUA pode enfrentar outra recessão sem ajuda fiscal, diz Evans, do Fed

Por Ann Saphir
·2 minutos de leitura
Presidente do Federal Reserve de Chicago, Charles Evans
Presidente do Federal Reserve de Chicago, Charles Evans

Por Ann Saphir

(Reuters) - A economia dos Estados Unidos corre risco de enfrentar uma recuperação mais longa e lenta, se não outra recessão total, caso o Congresso não aprove um pacote fiscal para apoiar os norte-americanos desempregados e governos estaduais e locais, disse nesta terça-feira o presidente do Federal Reserve de Chicago, Charles Evans.

"O apoio fiscal é fundamental", disse Evans em uma reunião virtual do Official Monetary and Financial Institutions Forum, com sede em Londres. Sua própria previsão de que a taxa de desemprego dos EUA caia para 5,5% até o final do próximo ano assume não apenas uma vacina para o coronavírus, mas também um pacote fiscal dos EUA de pelo menos 500 bilhões de dólares ou 1 trilhão de dólares, disse ele.

"Caso contrário, acho que a dinâmica da recessão realmente vai entrar em ação de uma forma muito maior", afirmou.

Cerca de 30 milhões de norte-americanos estão recorrendo a algum tipo de seguro-desemprego.

Em uma tentativa de fornecer sua própria medida de suporte para a economia ainda em dificuldades, o Fed prometeu na semana passada mirar uma inflação moderadamente acima de 2% por um determinado período, de modo que a média seja de 2% ao longo do tempo. Para fazer isso, o banco central dos EUA disse que deixaria a taxa de juros em seu nível atual próximo a zero até atingir esse "overshoot".

Os investidores, desapontados por entenderem que o Fed não reforçou sua nova promessa de compras adicionais de títulos, derrubaram os preços das ações após o anúncio.

Embora não tenha nesta terça-feira descartado mais flexibilização quantitativa, Evans deixou claro que não achava isso iminente.

"O julgamento tem de ser o que estamos procurando em termos de reduções adicionais nos prêmios a termo ou efeitos de equilíbrio do portfólio se formos nos envolver em mais compras de ativos", disse ele. "Tenho a mente aberta; teremos discussões sobre isso."

O Fed já está comprando 120 bilhões de dólares em títulos do Tesouro e títulos lastreados em hipotecas a cada mês, o rendimento do Treasury de dez anos ainda está muito baixo, e o recém-adotado "forward guidance" (orientação futura) é muito agressivo, disse Evans.

As maiores incertezas no momento, afirmou, incluem política fiscal, controle do vírus e se a demanda agregada vai superar os obstáculos e se a economia conseguirá prosperar.

Evans também disse que o Fed ainda precisa discutir sua nova meta de inflação média, incluindo quando "iniciaria o cronômetro" em qualquer período para a inflação média. Mas, como muitos de seus colegas, ele enfatizou que não haveria fórmula.