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Economia deve ser repensada diante das crises ambientais, segundo a ONU

·2 minuto de leitura
O secretário-geral da ONU, António Guterres, em 8 de fevereiro de 2020

Devemos reconsiderar a economia e a visão que se tem do mundo para enfrentarmos a emergência climática e ambiental, defendeu a ONU em relatório publicado nesta quinta-feira (18).

O relatório, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), resume os conhecimentos mais recentes sobre o estado do clima e sobre o surgimento das novas zoonoses, como a covid-19.

Inclui dados do Painel Intergovernamental de Especialistas em Mudanças Climáticas (IPCC), a Plataforma Científico-normativa Intergovernamental sobre Diversidade Biológica e Serviços dos Ecossistemas (IPBES) e sobre o surgimento de novas zoonoses como a covid-19.

"Ao transformar a nossa forma de ver a natureza, podemos reconhecer o seu verdadeiro valor" e, consequentemente, aplicá-lo "nas políticas, planos e sistemas econômicos [para] canalizar os investimentos para atividades que restaurem a natureza", afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, citado na declaração.

"A atividade econômica não pode ser pautada apenas pelo produto interno bruto (PIB)", alerta o relatório, que sugere "eliminar os subsídios nocivos", como os dedicados aos combustíveis fósseis, às práticas agrícolas insustentáveis ou aos meios de transporte de poluentes.

"O PIB é um conceito muito limitado. Não leva em consideração o valor da natureza ou o custo ambiental da contaminação", explicou à AFP Bob Watson, ex-dirigente do IPBES e do IPCC.

Segundo o documento, nenhum dos 20 objetivos de proteção da biodiversidade para o período de 2010-2020 foi totalmente cumprido e as metas de desenvolvimento sustentável foram ameaçadas pela crise da covid-19. A fome e a pobreza voltaram.

O relatório lembra que "nos últimos 50 anos a riqueza mundial quase se multiplicou por cinco", mas que esse crescimento "trouxe benefícios desiguais em termos de prosperidade" para uma população mundial que "duplicou, para 7,8 bilhões".

Destes, 1,3 bilhão são pobres e 700 milhões passam fome.

pg-laf/may/jvb/bn/mvv