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Economia da China desacelera mais que o esperado e não há conserto fácil

Vista de Pequim

Por Kevin Yao

PEQUIM (Reuters) - Uma série inesperadamente fraca de dados econômicos chineses este mês aumentou a pressão sobre as autoridades para adotarem mais medidas de estímulo, mas também mostra o efeito limitado que o maior afrouxamento monetário e gastos com infraestrutura podem ter.

Sinais de fraqueza estão surgindo em toda a economia: as exportações caíram, a inflação desacelerou e novos empréstimos bancários tiveram queda. E tudo apesar de as autoridades terem contrariado a tendência global até agora este ano e implementado um afrouxamento monetário e fiscal.

Analistas dizem que os dados fracos podem aumentar a pressão sobre as autoridades para fornecer ainda mais estímulo. Analistas do JPMorgan e do Goldman Sachs disseram em notas de pesquisa nesta sexta-feira que esperam um corte de 25 pontos-base nos juros nas próximas semanas.

Mas os números mais recentes também sugerem que o estímulo não terá o impacto desejado enquanto as demandas doméstica e externa permanecerem moderadas, especialmente porque a China segue uma política sanitária de erradicar os surtos da Covid-19 assim que ocorrerem.

"O crescimento do crédito muito mais fraco do que o esperado... destaca as dificuldades que as autoridades estão enfrentando para estimular o crescimento enquanto a atividade é suprimida pela (política de) Covid zero", disse Mark Williams, economista-chefe da Capital Economics.

A China está a caminho de perder sua meta de crescimento anual de cerca de 5,5%, com a última pesquisa da Reuters prevendo um avanço de 3,2% em 2022.

As exportações caíram inesperadamente em outubro pela primeira vez desde maio de 2020. Os fabricantes chineses, que dominam o comércio global, já não conseguiram obter o típico aumento pré-Natal. Agora, o aumento habitual de remessas no final do ano, que ocorre quando os clientes estrangeiros antecipam os pedidos antes do feriado do Ano Novo Lunar entre janeiro e fevereiro, também está em xeque.

Uma queda de quase 12% no iuan em relação ao dólar até agora este ano não impediu que as exportações contraíssem.

Com inflação alta e custos crescentes de empréstimos nos principais mercados de exportação da China, e a demanda doméstica prejudicada pelas duras restrições contra a Covid-19, é difícil ver de onde a demanda por crédito pode vir, mesmo que os juros sejam cortados.

Dados divulgados na quinta-feira mostraram que os novos empréstimos bancários na China caíram mais do que o esperado em outubro em relação ao mês anterior, enquanto o crescimento do crédito desacelerou.

Ressaltando a fraqueza na demanda doméstica, os preços no portão de fábrica para outubro caíram pela primeira vez desde dezembro de 2020. A inflação dos preços ao consumidor chegou a 2,1%, abaixo dos 2,8% de setembro.

O ônus está cada vez mais na política fiscal. As autoridades chinesas estão dobrando o esforço de infraestrutura, emitindo dívidas para financiar grandes projetos de obras públicas para revitalizar a economia.

Mas o principal obstáculo de curto prazo continua sendo a política de Covid zero da China, enquanto o desafio de longo prazo continua sendo a demanda doméstica.

(Reportagem de Kevin Yao)