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Economia dá sinais de perda de ritmo na reta final de 2022

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A atividade econômica deu sinais de perda de ritmo no Brasil na reta final de 2022, segundo pesquisas divulgadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Na visão de economistas, o quadro pode ser associado em grande parte à combinação entre juros altos, renda apertada e preços em nível ainda elevado, mesmo com a recente trégua da inflação.

Em conjunto, os fatores inibem o consumo de bens e serviços. Se não bastasse isso, o impacto positivo da reabertura da economia, após as restrições da Covid-19, está se dissipando com o passar dos meses.

Nesta quinta-feira (12), a percepção foi reforçada após a divulgação dos dados do setor de serviços, que tem o maior peso na economia.

Conforme o IBGE, o volume de serviços ficou estagnado no Brasil em novembro, com variação nula (0%) frente a outubro. Foi o segundo mês consecutivo sem crescimento –o resultado anterior havia sido de baixa de 0,5%.

"A estabilidade registrada em novembro reforça a tendência de desaceleração do setor e da perda de ritmo da atividade econômica que já são sentidas mais fortemente no comércio e na indústria", avaliou a economista Claudia Moreno, do C6 Bank.

O setor de serviços vinha sendo o destaque na economia com o acúmulo de taxas positivas. O segmento ainda está 10,7% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas ficou 0,5% abaixo do recorde alcançado em setembro de 2022, disse o IBGE.

"Os dados começam a indicar um cenário que não é tão favorável. A gente viu a economia se recuperando, o mercado de trabalho mostrou isso, mas ainda há muita coisa a resolver", afirma a economista Juliana Inhasz, professora do Insper.

"O brasileiro está com uma renda mais baixa. Isso está se refletindo nos dados. Há uma disposição menor para o consumo", completa.

Luiz Almeida, analista da pesquisa de serviços do IBGE, disse que o resultado de novembro "pode ser lido como uma perda de fôlego".

"Vale lembrar que de março a setembro o índice [do setor] acumulou um crescimento de 5,8%. Ainda é cedo para falarmos se estamos diante de um ponto de inflexão da trajetória", afirmou.

O freio de serviços se soma a resultados negativos das vendas do varejo e da produção industrial em novembro, período marcado por eventos como a Black Friday e a Copa do Mundo.

O comércio varejista recuou 0,6% em relação a outubro, de acordo com dados divulgados pelo IBGE na quarta (11). Foi a primeira vez que o setor ficou no campo negativo desde julho de 2022.

As vendas do varejo estão 2,6% acima do pré-pandemia, mas 3,6% abaixo do maior nível da série, registrado em outubro de 2020.

Já a produção industrial encolheu 0,1% em novembro, informou o IBGE no dia 5 de janeiro. O resultado veio após avanço de 0,3% em outubro.

A produção industrial ainda está 2,2% abaixo do pré-pandemia. Também segue distante da máxima da série histórica. Registra patamar 18,5% inferior ao nível recorde, alcançado em maio de 2011.

"Os dados confirmam nossas expectativas de desaceleração da economia. Os efeitos da taxa Selic [atualmente em 13,75%] são crescentes", afirma o economista Eduardo Vilarim, do banco Original.

Além do impacto dos juros, o economista ressalta que os preços de bens e serviços mantêm um patamar elevado no Brasil, apesar da alta menor da inflação acumulada em 12 meses.

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) fechou 2022 com avanço de 5,79%, após marcar 10,06% em 2021, segundo o IBGE. O indicador estourou a meta de inflação nos dois anos.

"Temos um esgotamento das famílias para o consumo", diz Vilarim.

"A inflação pode até desacelerar [subir menos], mas o nível é de preços elevados. Precisaríamos de uma deflação [queda de preços] para abrir espaço no orçamento das famílias", completa.

Os serviços prestados às famílias, que incluem hotéis, bares e restaurantes, recuaram 0,8% em novembro. Foi o segundo resultado negativo em sequência desse ramo.

A única das cinco atividades de serviços que segue abaixo do pré-pandemia é justamente a dos serviços prestados às famílias, conforme o IBGE. Está em nível 6,7% inferior ao de fevereiro de 2020.

Diante desse cenário, o banco Original projeta baixa de 0,3% para o PIB (Produto Interno Bruto) do quarto trimestre de 2022. Para o acumulado do ano passado, a previsão é de alta de 2,9%.

Já a estimativa para o PIB de 2023 é de um avanço menor, de 0,5%. O viés desse número é de baixa devido aos indicadores fracos dos últimos meses, aponta Vilarim.

O C6 Bank, por sua vez, projeta um PIB em torno de zero, podendo até ser negativo, no quarto trimestre de 2022. "Para 2023, a perspectiva é que o crescimento continue fraco", afirma Claudia Moreno, economista do banco.

O impacto dos juros altos, dizem analistas, deve continuar como um desafio para o consumo e a atividade econômica no ano inicial do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A safra agrícola brasileira, por outro lado, deve bater novo recorde, o que pode trazer algum alívio para a economia, segundo analistas.

A produção do campo tende a alcançar a máxima de 296,2 milhões de toneladas em 2023, um crescimento de 12,6%, indicou previsão do IBGE nesta quinta.

"A agropecuária pode ajudar a reduzir parte do desconforto, mas há outras questões que vão impactar a economia, incluindo a renda baixa e as incertezas. A safra, mesmo recorde, não deve reverter essa lógica", analisa Juliana Inhasz, do Insper.