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Economia da China enfrenta dificuldades em plena guerra comercial

Por Sébastien RICCI
Uma fábrica têxtil em Nantong, na província de Jiangsu (leste da China), em setembro de 2019

A China anunciou nesta quinta-feira (14) um freio em sua produção industrial e a queda nos investimentos, para um nível mínimo em 21 anos, pior do que o esperado no meio da guerra comercial com os Estados Unidos.

A produção industrial aumentou 4,7% em outubro em relação ao mesmo período do ano passado, ante os 5,8% de setembro. Já as vendas no varejo, que refletem o consumo, aumentaram 7,2%, embora seja o ritmo mais lento em seis meses.

O crescimento do investimento em capital fixo foi de 5,2% em outubro, segundo o Instituto Nacional de Estatística (BNS), no nível mais baixo desde 1998.

A publicação desses dados acontecem com a China imersa há um ano em uma dura guerra comercial com os Estados Unidos.

O conflito, que levou as duas economias a imporem tarifas punitivas de bilhões de dólares, afeta o crescimento do gigante asiático e ameaça a economia mundial.

"É preciso ter em mente que a economia mundial está desacelerando, com a instabilidade e com as inúmeras incertezas internacionais", afirmou um porta-voz do BNS, Liu Aihua.

Os especialistas consultados pela agência de notícias financeiras Bloomberg previram para outubro uma desaceleração na produção industrial e nas vendas no varejo, no entanto, menos pronunciados (respectivamente 5,4% e 7,8%).

"Os dados do mês de outubro não são apenas fracos, mas outros problemas estão surgindo no horizonte, particularmente no setor de construção, um dos pilares do crescimento na China", explica o analista Martin Lynge Rasmussen, da consultoria Capital Economics.

O primeiro sinal dessas dificuldades é a produção de materiais, fundamental para o setor de construção, que recuou em outubro (-0,6% para o aço bruto, e -2,5%, para o cimento), diz o economista Ting Lu, do Banco Nomura.

"O setor imobiliário será um freio importante para a economia chinesa em 2020", acrescenta Ting, que também revela um "ligeiro declínio" na venda de imóveis novos.

Nesse contexto econômico tenso, o primeiro-ministro Li Keqiang pediu mais esforços nesta semana para apoiar o crescimento, segundo a agência oficial de notícias Xinhua.

Li enfatizou em particular a importância de dar apoio às pequenas e médias empresas, que criam mais empregos.

China e Estados Unidos estão negociando um acordo preliminar que poderá ser assinado este mês e que daria uma pausa na guerra comercial.

"Isso poderá estimular investimentos de negócios no curto prazo", diz Martin Lynge Rasmussen, que é mais cauteloso no que diz respeito ao longo prazo.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esperava assinar um acordo comercial parcial no próximo fim de semana com o presidente chinês durante o Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), que aconteceria no Chile. Os protestos nesse país levaram o governo a cancelar a cúpula e, no momento, não há lugar, nem data, para a assinatura do possível acordo.