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Economia brasileira volta ao nível pré-pandemia com forte expansão no 1T

·3 minuto de leitura
Os números positivos anunciados pelo IBGE dispararam a Bolsa de São Paulo, que bateu recorde

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil superou as expectativas, crescendo 1,2% no primeiro trimestre de 2021 em relação ao quarto trimestre do ano passado e voltando aos níveis pré-pandemia, apontam dados oficiais divulgados nesta terça-feira (1º).

"Com o resultado do primeiro trimestre, o PIB voltou ao patamar do quarto trimestre de 2019, período pré-pandemia, mas ainda está 3,1% abaixo do ponto mais alto da atividade econômica do país, alcançado no primeiro trimestre de 2014", afirma o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O PIB brasileiro também cresceu 1% em relação ao primeiro trimestre de 2020.

Os números do IBGE confirmaram que a economia nacional resistiu à segunda onda do coronavírus, que afetou o país com mais força do que a primeira, e superaram as previsões dos economistas consultados pelo jornal Valor, que calculavam um crescimento de 0,7% em relação ao trimestre anterior, e de 0,5% em comparação com o mesmo período de 2020.

Após o anúncio, a Bolsa de São Paulo bateu um recorde ao superar os 128.000 pontos, enquanto o real se valorizou a 5,15 unidades por dólar, sua melhor marca desde janeiro.

Este é o terceiro resultado positivo consecutivo depois de duas quedas no primeiro e no segundo trimestre de 2020, ano em que a economia brasileira caiu 4,1% devido à pandemia de coronavírus.

A expansão da economia nacional foi impulsionada graças aos resultados positivos na agropecuária (5,7%), indústria (0,7%) e em serviços (0,4%), segundo os dados do IBGE.

“Mesmo com a segunda onda da pandemia de covid-19, o PIB cresceu no primeiro trimestre, já que, diferente do ano passado, não houve tantas restrições que impediram o funcionamento das atividades econômicas no país”, avalia a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis.

Epidemiologistas, no entanto, alertam sobre o impacto que essa reabertura poderia ter na crise sanitária, e temem uma terceira onda, enquanto a vacinação caminha muito lentamente no país.

A campanha de vacinação sofre frequentes atrasos por falta de insumos. Menos de 11% da população recebeu as duas doses dos imunizantes.

Com mais de 460.000 óbitos, o Brasil é o segundo país em número de mortes, e o terceiro em número de casos, com mais de 16,5 milhões de contágios.

Apesar dos números alarmantes, o presidente Jair Bolsonaro continua questionando as medidas de proteção e relativizando a crise de saúde.

Abril foi o mês mais mortal da pandemia com 82.266 mortes e contando mais de 4.000 mortes diárias por vários dias seguidos.

"O aumento dos casos de covid-19 reforça o cenário de uma recuperação com interrupções", afirmou a consultoria Eurasia Group na segunda-feira.

- Desaceleração -

O resultado surpreendente do primeiro trimestre confirma, no entanto, uma desaceleração do ritmo da recuperação econômica.

Depois de duas quedas no primeiro trimestre (-2,2%) e no segundo (-9,2%) de 2020 sobre os respectivos trimestres anteriores, o Brasil registrou um forte aumento de 7,8% no terceiro trimestre, e 3,2% no quarto trimestre do ano passado.

O economista da Nova Futura Investimentos, Matheus Jaconeli, acrescenta que "a recuperação da economia global também contribui para o avanço da nacional, haja vista a importância do setor externo no crescimento do país por conta das exportações".

A professora Margarida Gutierrez afirma que "o resultado do primeiro trimestre do ano eleva as projeções para o PIB de 2021 de 3,5% para cerca de 5%. Se o ritmo da vacinação avançar, poderia ser mais".

Mas apesar dos animadores números de crescimento, o desemprego bateu um recorde no primeiro trimestre, com uma taxa de 14,7% e 14,8 milhões de pessoas em busca de emprego.

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