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Economia brasileira cresce 1,1% em 2019, aponta IBGE

Bruno Villas Bôas e Alessandra Saraiva

Apenas no último trimestre de 2019, houve expansão de 0,5% O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1,1% em 2019, seguindo expansão de 1,3% nos dois anos anteriores, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE) divulgados nesta quarta-feira. Em valores correntes, o PIB somou R$ 7,3 trilhões no período.

Apenas no quarto trimestre de 2019, a economia brasileira avançou 0,5% em relação aos três meses anteriores, quando a expansão foi de 0,6%. Na comparação ao quarto trimestre de 2018, o PIB cresceu 1,7%.

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A mediana das estimativas de 40 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data apontava para um crescimento de 0,5% na comparação com o terceiro trimestre, com intervalo de 0,3% a 0,7%. Para 2019, a previsão era de alta de 1,1%, com intervalo de 1% a 1,2%.

A variação no ano veio acima do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma espécie de prévia do PIB, que mostrou alta acumulada de 0,89% em 2019. No quarto trimestre, o IBC-Br apontava alta de 0,5% frente ao terceiro trimestre.

De acordo com a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, o PIB fechou 2019 no mesmo nível do primeiro trimestre de 2013. “A economia conseguiu recuperar parte das perdas da crise, mas não voltou ao patamar de seu pico histórico”, disse.

Segundo a economista, o PIB brasileiro permanece 3,1% abaixo do pico histórico da série, registrado no primeiro trimestre de 2014. A economia está, contudo, 5,4% acima do quarto trimestre de 2016, considerado o ‘vale’ da crise.

Oferta

Dos componentes da oferta, a indústria cresceu 0,2% no quarto trimestre de 2019, em relação aos três meses anteriores, quando avançou 0,8%. O resultado ficou acima da mediana de alta de 0,3% apurada pelo Valor Data. Também registrou aumento de 1,5% perante o trimestre final de 2018.

No acumulado de 2019, a indústria teve expansão de 0,5%, mesmo percentual de um ano antes, mas mudou a contribuição da atividade extrativa, que registrou queda devido ao desastre de Brumadinho, em Minas Gerais, diferentemente do resultado apurado em 2018.

“Podemos dizer que,apesar de a indústria ter ficado igual, a composição do crescimento da indústria foi diferente”, notou Rebeca Palis, chefe do Departamento de Contas Nacionais do IBGE.

O setor de serviços, outro componente da oferta, teve expansão de 0,6% entre outubro e dezembro, perante os três meses antecedentes. A mediana das projeções apuradas pelo Valor Data apontava para alta de 0,6% nessa base de comparação.

A agropecuária mostrou queda de 0,4%, resultado abaixo da mediana de alta de 0,6% apurada pelo Valor Data com economistas. Em 2019, segmento teve alta de 1,3%, depois de avanço de 1,4% um ano antes e o pior desempenho desde 2016.

Demanda

Responsável por quase dois terços do PIB, o consumo das famílias cresceu 0,5% no quarto trimestre, seguindo avanço de 0,7% nos três meses anteriores. A expectativa dos consultados pelo Valor Data apontava para alta de 1,1%. Em relação ao último trimestre de 2018, houve aumento de 2,1%. No ano, acumulou crescimento de 1,8%.

A demanda do governo aumentou 0,4% nos três últimos meses de 2019, em linha com as estimativas, invertendo a direção tomada no terceiro trimestre, de recuo de 0,4%. Perante aos três últimos meses de 2018, houve incremento de 0,3%. Essas despesas fecharam 2019 com queda de 0,4%.

Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), medida dos investimentos em máquinas, construção civil e pesquisa, declinou 3,3% no quarto trimestre de 2019, em relação aos três meses anteriores, quando registraram incremento de 1,3%. A expectativa era de retração de 1,9%. Ante o trimestre final de 2018, a queda foi de 0,4%. Em 2019, contudo, os investimentos aumentaram 2,2%.

Em 2019, a taxa de investimento ficou em 15,4% e de poupança correspondeu a 12,2% no período.

Setor externo

No setor externo, as exportações cresceram 2,6% no quarto trimestre de 2019, perante os três meses anteriores, dentro do esperado pelo mercado, e cederam 5,1% no comparativo com os três últimos meses de 2018.

No caso das importações, o IBGE apontou recuo de 3,2% na passagem do terceiro para o último trimestre de 2019, ante projeção de baixa de 2,2%, e retração de 0,2% no confronto com mesmo período do calendário anterior.

A mediana apurada pelo Valor Data era de aumento de 2,6% para as exportações e queda de 2,2% para das importações para o período, por essa base de comparação, gerando uma contribuição positiva do setor externo no PIB.

Em 2019 completo, as vendas externas cederam 2,5% e as compras, elevação de 1,1%.