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Economia do Brasil surpreende e cresce 1,2% no 2º trimestre; mercado revisa projeções

***ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 08-02-2019 -  Still Mercado. Calculadora científica. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)
***ARQUIVO*** São Paulo, SP, Brasil, 08-02-2019 - Still Mercado. Calculadora científica. (foto Gabriel Cabral/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro cresceu 1,2% no segundo trimestre de 2022, em relação aos três meses imediatamente anteriores, acima das expectativas dos analistas consultados pela agência Bloomberg, de 0,9%.

Esse foi o quarto resultado positivo seguido, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (1º) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O desempenho foi impactado principalmente pelo setor de serviços. Pelo lado da demanda, o consumo das famílias e os investimentos também surpreenderam.

Com o novo resultado, o PIB ficou 3% acima do nível pré-pandemia, mas ainda está 0,3% abaixo do recorde da série histórica, alcançado no primeiro trimestre de 2014.

O crescimento acima do esperado provocou uma onda de revisões nas estimativas para este ano. As projeções agora indicam uma alta próxima a 3% no acumulado de 2022. A previsão mais recente do boletim Focus, publicado pelo BC (Banco Central), era de crescimento de 2,10%.

Os resultados dos seis primeiros meses já garantem um avanço de 2,6% para o ano, caso a economia fique estável no segundo semestre –a chamada herança estatística.

A expectativa, porém, é de uma desaceleração nos seis últimos meses do ano, mesmo com os estímulos adotados pelo governo federal para o período eleitoral. Há divergências entre os analistas em relação ao tamanho da perda de fôlego.

O PIB mede a produção de bens e serviços no país a cada trimestre. O avanço do indicador é usualmente chamado de crescimento econômico.

O período de abril a junho de 2022 ainda mostrou reflexos da reabertura de atividades após as restrições na pandemia. Com o aumento da circulação de pessoas e a volta de negócios presenciais, houve impulso para o setor de serviços, o principal do PIB, com alta de 1,3% de abril a junho.

A indústria cresceu 2,2%. É a taxa mais elevada desde o terceiro trimestre de 2020 (14,7%), quando o setor começava a se recuperar da pandemia e apresentava uma base de comparação depreciada, apontou o IBGE. A agropecuária subiu 0,5% no segundo trimestre.

Os serviços representam 70% da economia. Portanto, têm um impacto maior nesse resultado, segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE. Dentro do setor, destacaram-se as outras atividades de serviços, aquelas presenciais, que estavam represadas durante a pandemia, como restaurantes e hotéis.

O consumo das famílias cresceu 2,6% de abril a junho. Os investimentos na economia, medidos pelo indicador de FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo), aumentaram 4,8%.

"A alta do consumo está relacionada à volta do crescimento dos serviços prestados às famílias, em decorrência dos serviços presenciais que estão com a demanda represada na pandemia", disse a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE.

Segundo ela, também houve impacto do crescimento do comércio, da melhora do mercado de trabalho, da liberação dos saques emergenciais do FGTS e da antecipação do 13º de aposentados e pensionistas do INSS. "Tudo isso impactou o consumo, apesar do aumento da inflação e dos juros", afirmou Palis.

Em um ambiente marcado pela pressão inflacionária, o governo Jair Bolsonaro (PL) apostou na liberação de recursos para tentar atenuar a perda do poder de compra dos brasileiros às vésperas das eleições.

"É um bom resultado. Não há dúvida. A questão é: continuar com esse crescimento é muito difícil", analisa o economista Claudio Considera, coordenador de contas nacionais do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas).

O Bank of America elevou a projeção para o PIB deste ano de 2,5% para 3,25%. Para 2023, manteve o crescimento de 0,9%. Segundo a instituição, as medidas para baratear os combustíveis e o aumento do Auxílio Brasil devem ter grande influência positiva nos resultados deste semestre, enquanto a desaceleração global e os efeitos defasados do aumento dos juros no Brasil ajudam a frear a atividade.

O Goldman Sachs revisou a projeção de 2,2% para 2,9%. Os cortes recentes nos impostos e o pacote de benefícios acima teto de gastos devem adicionar aproximadamente 0,7% do PIB em estímulo fiscal neste ano. Por outro lado, uma inflação ainda elevada, juros altos, desaceleração da economia global e incerteza política "provavelmente adicionarão ventos contrários" à atividade, diz o banco.

A previsão do Itaú Unibanco de 2,2% deve caminhar para algo entre 2,5% e 3%, afirma a economista Natália Cotarelli. De acordo com ela, o PIB deve mostrar perda de fôlego ao longo do segundo semestre, sob efeito dos juros mais altos, que jogam contra a recuperação do consumo.

"Não mudou muito a perspectiva para o segundo semestre. A gente espera uma desaceleração da economia, o PIB andando de lado", aponta. Por ora, o Itaú Unibanco prevê leve alta de 0,2% em 2023.

A projeção da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) é de 2,6% para este ano, mas apenas 0,2% no próximo. A entidade afirma que a forte expansão fiscal no começo de 2022 contrabalançou os efeitos negativos do elevado patamar da taxa de juros.

"O primeiro semestre pode ter sido o melhor momento da economia brasileira no ano. O segundo semestre não deverá repetir o mesmo dinamismo", diz a entidade, em nota.

Laiz Carvalho, economista para Brasil do BNP Paribas, afirma esperar um crescimento próximo de 1% para o terceiro trimestre. Ela diz que o grande destaque do trimestre passado foi a recuperação do setor de serviços acima do esperado, com a contribuição também de transferências temporárias maiores para a população.

"No terceiro trimestre tem o Auxílio Brasil maior e os vouchers para motoristas. A perspectiva é que essas transferências ajudem, e o PIB do trimestre também seja bastante positivo."

Rodrigo Sodré, economista e sócio do escritório de investimentos BRA, destaca que a alta no segundo trimestre veio em linha com fatores como o aumento da geração de vagas de trabalho. Ele avalia que medidas como o Auxílio Brasil tendem a estimular a atividade no segundo semestre, mas chama atenção para os riscos existentes no cenário.

"É preciso estar atento nos próximos trimestres às consequências do aperto monetário e da desaceleração da economia global. Além disso, o nível de endividamento das famílias está em um patamar bastante elevado (o que pode frear o consumo), não haverá a injeção na economia do 13° dos aposentados e servidores e a contribuição positiva da reabertura pode começar a ser absorvida e normalizada pela economia", indicou em relatório.

Na visão de Mirella Hirakawa, economista sênior da AZ Quest, a atividade econômica mostra desempenho mais forte do que o esperado inicialmente. Diante desse quadro, a instituição também elevou a projeção para o PIB deste ano, de 2,2% para 2,8%.

Para 2023, a expectativa, porém, é de um recuo de 0,4%. A previsão anterior era de baixa de 0,5%.

No terceiro trimestre, espera-se impacto dos recentes cortes de tributos, além dos efeitos da ampliação de benefícios sociais às vésperas das eleições. A inflação, porém, ainda mostra sinais de persistência e encarece produtos como alimentos, que pesam mais no bolso da população pobre.

Isso dificulta uma sensação de melhora econômica para parte dos brasileiros, mesmo com o desempenho positivo do PIB, diz a economista Vívian Almeida, professora do Ibmec-RJ.

"Não podemos desconsiderar as boas notícias, como a do PIB. Mas ter a renda comprando menos do que em outros períodos é uma questão importante para a população", aponta.

Até a virada do ano, analistas projetam reflexos mais intensos da alta dos juros na economia. A elevação da taxa básica (Selic), atualmente em 13,75%, desafia a recuperação do consumo. Outro risco vem dos sinais de perda de fôlego da economia global.

Não à toa, o mercado financeiro projeta um avanço mais tímido para o PIB brasileiro em 2023. A alta prevista para o acumulado é de 0,37%, indica o boletim Focus.

A divulgação do PIB nesta quinta é a última antes das eleições de outubro. O desempenho da economia brasileira no terceiro trimestre só deve ser conhecido em 1º de dezembro.

CÁLCULO DO PIB

Em valores correntes, o PIB no segundo trimestre totalizou R$ 2,4 trilhões. O IBGE revisou os resultados do segundo trimestre de 2021, do quarto de 2021 e do primeiro de 2022.

Os dados divulgados anteriormente haviam sido estimados em -0,2%, 0,7% e 1%. Com as revisões, passaram para -0,3%, 0,8% e 1,1%, respectivamente.

Em relação ao segundo trimestre de 2021, o PIB teve crescimento de 3,2%. Nessa base de comparação, analistas também projetavam avanço menor, de 2,8%, de acordo com a Bloomberg.

Produtos, serviços, aluguéis, serviços públicos, impostos e até contrabando. Esses são alguns dos componentes do PIB, calculado pelo IBGE, de acordo com padrões internacionais.

O objetivo é medir a produção de bens e serviços no país em determinado período.

O indicador mostra quem produz, quem consome e a renda gerada a partir dessa produção. O crescimento do PIB (descontada a inflação) é frequentemente chamado de crescimento econômico.

O levantamento é apresentado pela ótica da oferta (o que é produzido) e da demanda (como esses produtos e serviços são consumidos). O PIB trimestral é divulgado cerca de 60 dias após o fim do período em questão.