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Ecofeministas: conheça o movimento que fortalece as mulheres e a natureza

·3 minuto de leitura

França, anos 1970. O mundo ocidental atravessava um período de transformações comportamentais. As mulheres estavam no centro dessas mudanças, reivindicando mais direitos e espaço na sociedade patriarcal, assim como a sociedade capitalista, cujos valores vinham sendo colocados em xeque. “Foi nesse cenário que a ativista francesa Françoise d’Eaubonne cunhou o termo ecofeminismo”, diz a mineira Vanessa Lemgruber, de 28 anos, advogada e autora do livro “Guia ecofeminista: mulheres, direito, ecologia” (Ape’Ku). Vanessa faz parte de uma nova geração que se apropriou dessa bandeira por entender a urgência de colocar em evidência a íntima relação entre a natureza e as mulheres. “O cuidado com a casa e com o planeta, tradicionalmente, nos pertence”, diz. “Porém, mesmo ocupando o lugar de ‘nutridoras’, quando ocorre um desastre ambiental, somos as mais afetadas.”

Segundo a advogada, o ecofeminismo entende que, assim como o meio ambiente e os animais, as mulheres vêm sendo exploradas há séculos. Numa crise, como a deflagrada pela pandemia do coronavírus, também são elas as mais afetadas. “Um problema ambiental (a pandemia) desencadeou o aumento da violência doméstica. Além disso, as mulheres estão sobrecarregadas, acumulando tarefas domésticas, profissionais e o cuidado com os filhos”, exemplifica.

Assim como Vanessa, Daniela Rosendo é pesquisadora do assunto e autora dos livros “Sensível ao cuidado — uma perspectiva ética ecofeminista” (Prisma), de 2015, e “Ecofeminismo — fundamentos teóricos e práxis interseccionais” (Ape’Ku), lançado em 2019. Filósofa e educadora, a catarinense, de 36 anos, acredita existir “a mesma lógica de dominação no machismo, no racismo e no especismo, nome dado à subjugação de animais”. “O ecofeminismo é um conjunto de teorias e práticas que abrange as mulheres, a natureza e os animais. Une questões relativas aos Direitos Humanos com as ambientais e as dos animais. É outra visão de mundo”, complementa.

Daniela começou a se interessar pelo assunto a partir dos 20 anos, ao questionar a origem da sua alimentação e virar vegana. “Mas não considero obrigatório seguir o veganismo para ser ecofeminista, acho que tudo depende do contexto. Mulheres indígenas, por exemplo, estão fora desse sistema.” Teórica engajada, ela defende práticas individuais e coletivas. “Como cultivar uma horta no bairro e fomentar o comércio local formado por empreendedoras.”

Já a paulista Marina Colerato, de 33 anos, incentiva os seguidores do site e do Instagram Modefica (@modefica) a incorporarem o ecofeminismo como ferramenta de análise. “Com o tempo, a gente passa a enxergar tudo por essa lente”, observa. “A mulher tem pontos de contato primordiais com a terra.”

Oceanógrafa, a paraense Micaela Valentim, de 25 anos, ressalta o contexto social. “Quem está em situação de maior vulnerabilidade, hoje, no Brasil, são as mulheres negras que lideram famílias como mães solo”, afirma. Micaela é uma das cofundadoras da ONG Ame o Tucunduba, de Belém. “É formada só por mulheres. Nossa missão é pensar no futuro da cidade a partir das águas por meio de campanhas e mobilizações”, diz ela, citando o recém-lançado projeto Jandyras — rede de articuladoras ambientais (@redejandyras).

Para Daniela, a aproximação da nova geração com o ecofeminismo tem a ver com o fortalecimento do feminismo: “O movimento foi renovado com a diversidade”.

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