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Ebrahim Raisi, o ultraconservador iraniano e sua agenda anticorrupção

·2 minuto de leitura
O candidato à eleição presidencial iraniana Ebrahim Raisi durante um debate, em 12 de junho de 2021

O presidente eleito do Irã, Ebrahim Raisi, é um homem austero que se apresenta como o defensor das classes desfavorecidas e como o paladino anticorrupção.

Presidente da autoridade judicial do país, este "hoyatoleslam" (cargo inferior ao de aiatolá no clero xiita) de 60 anos, um ferrenho ultraconservador, também é um firme defensor da ordem.

Seu lema para a eleição de 18 de junho foi o da "luta incessante contra a pobreza e a corrupção".

Esses dois assuntos também ocuparam o centro de sua campanha em 2017, quando obteve mais de 38% dos votos - percentual insuficiente para impedir a reeleição no primeiro turno de Hassan Rohani, líder da corrente "moderada". A Constituição proíbe Rohani de se candidatar mais uma vez.

Nascido em novembro de 1960 na cidade sagrada de Mashad (nordeste), Raisi foi nomeado procurador-geral de Karaj, perto de Teerã, com apenas 20 anos, após a vitória da Revolução Islâmica de 1979.

Faz parte da engrenagem judicial há mais de três décadas: procurador-geral de Teerã, de 1989 a 1994; chefe adjunto da Autoridade Judicial, de 2004 a 2014, ano em que foi nomeado procurador-geral do país.

Em 2016, o guia supremo, Ali Khamenei, colocou Raisi à frente da poderosa fundação beneficente Astan-e Qods Razavi, que administra o mausoléu o imã Reza de Mashad e um imenso patrimônio industrial e imobiliário. Três anos depois, Khamenei o nomeou chefe da autoridade judicial.

- Aluno do Guia Supremo -

Raisi não é um homem muito carismático. Assistiu às aulas de religião e de jurisprudência islâmica do aiatolá Khamenei.

De acordo com sua biografia oficial, é professor desde 2018 em um seminário xiita de Mashad. Vários veículos de comunicação iranianos o veem como o possível sucessor do guia supremo, que completa 82 anos em julho.

Além disso, é membro da direção da Assembleia de Especialistas, encarregada de nomear o guia supremo.

Casado com Jamileh Alamolhoda, professora de Ciências da Educação na Universidade Shahid-Beheshti em Teerã, com quem teve duas filhas - ambas com diploma de ensino superior -, Raisi é genro de Ahmad Alamolhoda, imã da Oração de Sexta-Feira e representante provincial do guia supremo em Mashad, segunda maior cidade do país.

Graças ao apoio das duas principais coalizões de partidos conservadores e ultraconservadores, ele foi o único dos cinco candidatos ultraconservadores a angariar amplo suporte no movimento conservador. Trata-se de um grupo muito diverso, ou mesmo fragmentado.

Provavelmente consciente de que precisa unir uma sociedade iraniana dividida no tema das liberdades individuais - no qual Rohani causou tantas decepções quanto as promessas que fez -, ele jurou, porém, tornar-se um defensor da "liberdade de expressão", dos "direitos fundamentais de todos os cidadãos iranianos" e da "transparência".

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