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Quais os planos do Ebanx após se tornar unicórnio

Fachada do escritório da Ebanx, o mais novo unicórnio brasileiro, em Curitiba (Foto: Divulgação)

Na última semana, comemoração em Curitiba, no Paraná. O Ebanx, fintech que processa pagamentos, se tornou o mais novo unicórnio — startups que valem mais de US$ 1 bilhão. A empresa curitibana é o primeiro caso da região Sul e demonstra o potencial disruptivo e empreendedor de empreendimentos fora do eixo Rio-São Paulo-Belo Horizonte.

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O valor foi atingido após um investimento, que não teve seu valor divulgado, realizado pelo fundo de capital de crescimento FTV. Anteriormente, o próprio fundo já havia realizado investimento, em 2017, no valor total de US$ 30 milhões. Durante esses últimos dois anos, enquanto isso, a fintech afirmou ter passado por um crescimento total na casa dos 80%.

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“Quanto mais casos fora das capitais brasileiras mais óbvias, melhor para o Brasil. Ter um caso de unicórnio no Sul faz com que os três estados da região tenham um incentivo moral para seguir o sonho”, afirma Edgar Rosa, analista de startups pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Sonho grande

O Ebanx foi fundado em 2012, quando os empreendedores Alphonse Voigt, Wagner Ruiz e João Del Valle notaram o tamanho do mercado de pagamentos no Brasil — entre US$ 5 bilhões e US$ 7 bilhões ao ano. A partir daí, passaram a trabalhar pra oferecer pagamentos à empresas estrangeiras por meio da moeda local. Spotify e Airbnb estão entre os clientes.

Alphonse Voigt, Wagner Ruiz e João Del Valle: os fundadores do Ebanx (Foto: Divulgação)

Hoje, a empresa também expandiu sua atuação para México, Argentina, Colômbia, Chile, Peru, Equador e Bolívia. E a expansão é um dos objetivos do aporte, que colocou a fintech de pagamentos em um outro patamar no cenário brasileiro.

“Queremos proporcionar mais acesso dentro do universo do comércio online global”, afirma Wagner Ruiz, cofundador e CFO do Ebanx. “Vamos continuar com esse norte. O novo investimento será usado com muito foco nisso. Queremos melhorar as operações que já temos na América Latina, deixando [os nossos serviços] cada vez mais consistentes”.

Além disso, a startup vai focar seu trabalho de vendas principalmente na América do Norte, Europa e Ásia. Até o final do ano, a meta é processar US$ 2,1 bilhões de dólares em pagamentos – um aumento de 40% em relação ao ano passado.

“O que muda com o status de unicórnio talvez seja a visibilidade que ele proporciona. Somos um novo unicórnio da América Latina, o que ajuda a voltar os olhos do mundo para cá. É uma das missões do Ebanx, inclusive: levar a América Latina para o mundo, mostrar o potencial que temos aqui, e como as empresas do mundo inteiro deveriam olhar para cá”, afirma Ruiz.

Por dentro do escritório da Ebanx em Curitiba, no Paraná (Foto: Divulgação)

Nessa toada de crescimento, como manter a empresa caminhando para um mesmo lado? “É muito desafiador manter [a cultura] em uma empresa que está sempre contratando, em várias partes do mundo. Todos têm que estar na mesma página”, diz. “Ao mesmo tempo, é legal ver que todos estão criando e que isso extrapola os limites da própria empresa”.

Mercado de pagamentos

Desbravado pelo Ebanx, o mercado de fintechs de pagamentos está crescendo — atualmente são 504 startups do setor, com uma concentração de 26% na área de pagamentos, segundo o Mapa de Fintechs do Brasil. Para o CFO, ainda há muito a ser feito dentro de um mercado mais específico, no qual atua o próprio Ebanx: o de pagamentos cross-border.

Ou seja: aqueles que processam pagamentos de empresas estrangeiras em moeda local.

“Mesmo com mais players, pagamento cross-border ainda é um mercado em crescimento na América Latina. Nós temos desafios de inclusão financeira. Muita gente ainda não tem conta em banco, quanto mais cartão de crédito internacional”, diz. “O desafio de conectar essas pessoas ao comércio global é grande. Tem muita solução que a gente pode criar”.

Assista a seguir: