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'Duna': diretor Denis Villeneuve diz que buscou impacto do isolamento na alma em versão de clássico da ficção científica

·4 min de leitura

Denis Villeneuve tinha 14 anos quando se encantou pelo universo localizado numa galáxia muito, muito distante. Sim, “Star wars” já era fenômeno de bilheteria, mas a fixação do futuro diretor canadense foi mesmo com uma edição pocket de “Duna”, de Frank Herbert (1920-1986), o livro de ficção científica de maior sucesso comercial de todos os tempos. Três anos depois, em 1984, ele conferiu em Montreal a adaptação de David Lynch, detonada pela crítica e cultuada mais pelo ar kitsch (e um Sting com uma estranha sunga asa-delta) do que pela assinatura do diretor de “Twin Peaks”. Desde então, dizia-se ser impossível uma adaptação que repetisse na tela a grandiosidade da mitologia iniciada no livro de 1965 e continuada pelo autor americano em cinco sequências. Premissa que o diretor quer enterrar de vez com a estreia nos cinemas, hoje, da primeira parte de seu “Duna”.

— Quando pensei em “Duna”, um dos meus focos centrais era o de fazer uma reflexão sobre o isolamento. Queria traduzir o impacto do deserto na nossa alma. (Apresentá-lo) como um espelho gigantesco que reflete a própria condição humana, um espaço que transporta você para o seu interior — afirmou Villeneuve.

Pouco menos de um ano antes da explosão da Covid-19, o elenco viveu o silêncio imposto pelo diretor com o objetivo de encontrar o “real significado desta Duna”. Os dois sets centrais de filmagem foram os desertos muito reais de Wadi Rum, na Jordânia, e de Rub’ Al Khali, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes. Curiosamente, o longa acabou se tornando uma das maiores apostas de Hollywood no retorno pós-pandemia, inclusive no Brasil, onde as restrições de ocupação dos cinemas terminaram nas últimas semanas.

Impacto na tela grande

Os efeitos especiais impressionam, mas houve, propositadamente, pontua Villeneuve, uma economia no uso do chroma key, com a produção privilegiando a cinematografia de espaços abertos, marca registrada do diretor de “Sicário: Terra de ninguém” e “Blade Runner 2049”. O público viaja com os atores sobre o deserto em helicópteros que parecem enormes libélulas. Há uma sucessão de naves espaciais de tirar o fôlego. E o paradoxo entre a imensidão do deserto e a sensação de claustrofobia num mundo condenado por um desastre ecológico causado por humanos é especialmente palpável na tela.

— O personagem principal de “Duna” é a natureza. Lembro que quando li o livro fiquei tão fascinado que considerei até virar um cientista, um biólogo. O modo como Herbert apresenta a questão ecológica no livro é poderosíssimo — diz Villeneuve.

“Duna” se passa no distante ano de 10.191 no planeta Arrakis, rico em matéria-prima fundamental para viagens interestelares, mas árido e sem acesso a água a não ser por um complexo sistema de reciclagem. Seus habitantes há muito são vítimas da exploração de senhores feudais de um império tão poderoso como distante. A história começa com a troca de guarda, num intrincado xadrez político, no comando da colônia, e a chegada de Paul, herdeiro da casa Arteides e capaz de alterar o destino de nativos engenhosamente batizados de fremen. O pai do herói, o Duque Leto, é vivido por Oscar Isaacs, em mais uma ponte com “Star wars”. Também estão no elenco Jason Momoa, como o lutador Duncan Idaho, e Josh Brolin, como Gurney Halleck, dois dos principais mentores de Paul. Entre as participações se destacam Javier Bardem (como Stilgar, líder de uma tribo do deserto) e Charlotte Rampling (vivendo a líder das Bene Gesserit).

A primeira condição para tirar seu “Duna” do papel, diz Villeneuve, foi contar com Timothée Chalamet como seu protagonista.

— O filme tem algo da grandiosidade de “Star wars”,mas fazer o Paul também foi uma oportunidade única de viver um sujeito tão jovem em meio a intensos conflitos internos, e com uma tendência messiânica — diz Chalamet.

A escalação do ator de “Me chame pelo seu nome” foi celebrada pela crítica por trazer uma vulnerabilidade distante dos heróis mais característicos dos filmes de ação. Na versão de 1984 o papel coube a Kyle MacLachlan (depois famoso pela parceria com Lynch em “Twin Peaks”), em seu primeiro trabalho em Hollywood.

O novo “Duna” também funciona como uma jornada de amadurecimento de Paul. Para tanto ele é guiado pela mãe, Lady Jessica, uma poderosa Bene Gesserit (mix de feiticeira, vidente e sacerdotisa) vivida por Rebecca Ferguson (de “Missão impossível”). É com ela que Paul atravessa os perigos do deserto — e os inesquecíveis vermes gigantescos são uma atração à parte — para se encontrar com Chani, vivida por Zendaya (de “Euphoria”), quase restrita, na primeira parte do épico de fantasia, aos sonhos do protagonista. Mas que entrega, com apenas uma frase, ao fim do filme, o que ainda vem por aí e como ela se transformará em coprotagonista da sequência, ainda sem data exata de lançamento:

— Sempre me intrigou o universo da ficção científica e o Denis (Villeneuve) nos disse logo no início que, para os fremen, não há diferença entre homens e mulheres, todos lutam igual. Há algo muito especial em literalmente escapar para outro mundo — diz a atriz.

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